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Centro cultural vai discutir jornalismo independente

redacao Por redacao
21/03/2016 - 01:56
em Cidade
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Projeto idealizado pela Agência Pública vai fomentar o jornalismo investigativo |

Da redação | 

A Casa Pública, primeiro centro cultural do Brasil para discutir o jornalismo e apoiar o trabalho investigativo e independente foi inaugurada no Rio de Janeiro. A programação inclui eventos, conversas entre jornalistas e o público, workshops, exposição de fotos, exibição de filmes, participação de jornalistas internacionais e produção de jornalismo com experimentação de novas linguagens, unindo informação com novas tecnologias, uso de grandes bases de dados e arte.

Segundo a jornalista Natália Viana, diretora da Agência Pública, organização que produz jornalismo investigativo e idealizadora do projeto, o espaço vai suprir o segundo objetivo da agência, que é promover jornalismo investigativo e independente. “É um espaço para reflexão, troca e incentivo para quem está produzindo jornalismo independente no Brasil. É uma tentativa de olhar para frente, para o que vai ser o jornalismo e como podemos ajudar ao movimento de novas iniciativas que estão pipocando pelo Brasil afora, criadas por jornalistas com o objetivo de voltar à raiz do jornalismo, que é a independência editorial, e como ajudar a fortalecer esse movimento.”

Durante dois anos a Casa terá apoio de quatro fundações internacionais que financiam projetos de direitos humanos e jornalismo independente. Ela funcionará de quarta-feira a sábado, na Rua Dona Mariana, 81, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. As portas estarão abertas para quem quiser conversar, trabalhar ou utilizar o espaço para entrevistas. “É um espaço para apostar no novo, no que vai ser o jornalismo. Todo mundo sabe que o jornalismo está em crise, há um questionamento, uma crise de confiança, econômica e cultural. A forma como as pessoas consomem jornalismo mudou. Queremos trazer o jornalista para conversar com o público sobre isso”, esclareceu Natália.

Na inauguração, foi aberta a exposição fotográfica coletiva Legados, que traz os impactos dos megaeventos realizados no Brasil e na vida da população. Outro trabalho apresentado hoje foi a intervenção Eu amo camelô, do coletivo artístico Opavivará, que fez cartões postais com fotos de vendedores ambulantes que trabalham dentro dos trens da cidade.

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Uma das representantes do grupo, que prefere não dar o nome para não individualizar o trabalho que é coletivo, informou que o Opavivará trabalha com a reflexão sobre o uso e ocupação dos espaços públicos, sempre dialogando com os acontecimentos atuais, como o jornalismo.

“De alguma forma, trabalhando com arte, estamos sempre ligados ao que está acontecendo. Acho que é o espaço do jornalismo alternativo, que não é comprometido com interesses corporativos e políticos como são as grandes mídias do país. É muito pertinente a discussão da existência de um espaço aberto para discussões que não estão nesse contexto mais midiático de massa”, acrescentou.

O primeiro evento da Casa foi um debate sobre a checagem do discurso público, modalidade de jornalismo que tem crescido mundialmente. Para a fundadora do site argentino Chequeado, pioneiro do tipo na região, Laura Zommer, o debate sobre democratização da mídia e novas formas de se fazer jornalismo é indispensável. Segundo ela, porém, sem modelo de financiamento é impossível se manter novas vozes ativas por muito tempo.

“Temos grandes jornalistas falando que vão revolucionar o jornalismo, mas tem de buscar o dinheiro e o modelo de financiamento. Não dá para fazer grande jornalismo sem dinheiro. Quando eu trabalhava no La Nacion, não queria saber de onde vinha o dinheiro, mas quando investigávamos alguma coisa e nos diziam ‘isso não’, descobríamos de onde vinha. Mas nos inteirávamos tarde e não podíamos fazer nada. Não se faz jornalismo sem dinheiro. Entre amigos só se pode fazer por um tempo, com a indenização do dinheiro anterior, mas não dá para fazer sem dinheiro”.

Sobre a Lei de Meios da Argentina, que entrou em vigor em 2009 para garantir a diversidade nos veículos de comunicação do país e que sofreu fortes intervenções do novo governo, Laura afirmou que o texto é muito bom, mas a aplicação foi feita de forma errada.

“O texto da lei é muito bom, mas a implementação foi fatal. O governo anterior fez uma boa lei com fundamentos para divulgar novas vozes, mas investiu sistematicamente contra um meio oposto a seu governo. O governo de Cristina Kirchner castigou o Clarín e se associou ao grupo Telefónica. Os dois são gigantes. A lei se provou contra uns e não contra todos que concentram veículos de comunicação”.

Na inauguração da Casa Pública também foi lançado o Mapa do Jornalismo Independente, com 70 iniciativas de sites liderados por jornalistas que buscam novas formas de trabalho.

“Levantamos 70 sites. Todo mundo que está querendo descobrir o que está sendo produzido de legal no jornalismo, interessante, completamente independente e com um monte de informações que você não vai ver em outro lugar. Quem quiser pode entrar no nosso mapa e sugerir outras iniciativas. Já tem mais de 100 que outras pessoas sugeriram”, concluiu Natália Viana.

*Com informações e foto da Agência Brasil

 

Tags: Casa PúblicaJornalismo independenteJornalismo investigativo
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