Algumas homenagens não terminam quando a cerimônia acaba. Em Carapebus, no Norte Fluminense, a memória de Tuani Maia Nascimento passa a fazer parte de um espaço criado para acolher mulheres que precisam de ajuda para romper o ciclo da violência. Assassinada no dia 1º de agosto, a jovem teve o nome eternizado no Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM), inaugurado durante as ações de encerramento do Agosto Lilás.
A homenagem nasce da dor, mas também representa um compromisso com a vida. A partir de agora, o espaço que leva o nome de Tuani passa a ser uma das principais portas de entrada para mulheres do município que buscam orientação, acolhimento, proteção e apoio para enfrentar situações de violência.
Durante a inauguração, o prefeito Bernard Tavares destacou que a homenagem reforça o compromisso do município com a proteção das mulheres e com o fortalecimento da rede de atendimento. “Tuani jamais será esquecida. Transformar sua memória em um espaço de acolhimento é uma forma de reafirmar que Carapebus não aceita a violência contra a mulher e que precisamos estar preparados para acolher, orientar e proteger quem precisar de ajuda. Que o nome de Tuani represente vida, esperança e a força de uma rede que precisa agir antes que seja tarde.”
Tuani foi morta dentro da loja onde trabalhava, no dia 1º de agosto. De acordo com a Polícia Civil, o ex-companheiro, Ezequiel, entrou no estabelecimento e a atacou com uma faca. A investigação aponta que a jovem foi atingida por mais de 20 golpes.
O caso ganhou ainda mais repercussão porque, segundo as informações da investigação, Tuani já tinha uma medida protetiva de urgência concedida pela Justiça contra o acusado. A situação evidencia a necessidade de fortalecer os mecanismos de proteção e garantir que mulheres em situação de risco tenham acesso rápido e efetivo aos serviços da rede de atendimento.
Para a procuradora-geral de Carapebus, Kênia Quintal, a criação do CEAM representa um avanço na construção de uma política permanente de proteção às mulheres.”Esse espaço nasce de uma dor que jamais deve ser esquecida, mas também de uma decisão de transformar essa memória em proteção e cuidado. O CEAM será um lugar de escuta, orientação e acolhimento para mulheres que precisam saber que não estão sozinhas.”
Mais do que uma estrutura pública, o novo centro representa um ponto de apoio para mulheres que muitas vezes enfrentam medo, insegurança, dependência emocional ou financeira e dificuldades para denunciar situações de violência.
A inauguração fez parte da programação de encerramento do Agosto Lilás, período dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher. A cerimônia reuniu autoridades, representantes do poder público e moradores em uma mobilização pela defesa da vida, da segurança e dos direitos das mulheres.
O prefeito de Macaé, Welberth Rezende, também participou da mobilização e lamentou a morte de Tuani. O chefe do Executivo macaense ressaltou que o combate à violência contra a mulher precisa ser permanente e envolver ações de prevenção, atendimento e proteção.
“Recebemos com muita tristeza a notícia da morte da Tuani e nos solidarizamos com toda a família neste momento de dor. Macaé tem desenvolvido ações permanentes para amparar as mulheres, fortalecer a rede de proteção e oferecer atendimento para quem enfrenta situações de violência. Precisamos trabalhar cada vez mais para que nenhuma mulher tenha sua vida interrompida por uma violência que poderia ter sido evitada.”
O CEAM Tuani Maia Nascimento passa, assim, a representar um espaço onde mulheres poderão buscar orientação, falar sobre suas situações e conhecer os caminhos disponíveis para obter ajuda e proteção.
A proposta é que nenhuma mulher precise enfrentar sozinha o processo de romper com a violência. O atendimento especializado permite orientar sobre direitos, serviços disponíveis e medidas que podem ser adotadas de acordo com cada situação.
A memória de Tuani ganha, dessa forma, um novo significado. Seu nome deixa de estar associado apenas à tragédia que interrompeu a vida de uma jovem e passa a identificar um serviço criado para acolher e proteger outras mulheres.
A homenagem também reforça uma mensagem para toda a sociedade: o feminicídio não pode ser tratado como um episódio isolado. Por trás de cada caso existe uma história, uma família e, muitas vezes, sinais anteriores de violência que precisam ser reconhecidos e enfrentados antes que seja tarde.
O CEAM Tuani Maia Nascimento nasce justamente nesse ponto de encontro entre a dor da perda e a esperança de evitar novas tragédias. Um espaço que carrega um nome, uma memória e, principalmente, uma responsabilidade: estar de portas abertas para mulheres que precisam de apoio, orientação e proteção.
*Da Agência Fonte Exclusiva








