Áudio com vereadores coagindo assessores demonstra que Câmara Municipal atingiu o pior nível dos últimos tempos;
Com um custo de R$ 27 milhões anuais para o contribuinte, a Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, tem menos seriedade do que uma casa de bonecas. Na casa legislativa, parlamentares nomeiam colaboradores em cargos comissionados ou conseguem vagas por meio de contratos de RPAs em troca de curtidas em suas páginas no Facebook.
Esses laços de trabalho ficaram evidenciados em dois áudios vazados de grupos de Whatsapp que viralizaram nas redes sociais nos últimos dias. Em um desses áudios, o vereador Claudio Andrade (PSDC) exige que seus assessores, apadrinhados em cargos comissionados ou contratados por meio de RPAs atualizem suas respectivas páginas no Facebook a cada meia hora, compartilhando suas postagens.
Ele é taxativo: em caso de desobediência, o prazo para entregar os cargos era de 24 horas, porque, segundo afirmou, “tem muita gente precisando trabalhar”. CONFIRA:
Em outro áudio, o vereador Marcelo Perfil (PHS), que também é diácono da 2ª Igreja Batista, queixa-se a um colaborador por não curtir sua página no Facebook, reclama das curtidas em páginas de adversários e lembra que o interlocutor tem parentes nomeados na Prefeitura. Uma forma subliminar de falar: ou dá ou desce. CONFIRA:
*Fonte: Youtube
Se por um lado a vaidade é escancarada, por outro lado desperta os sinais de que “os senhores sarjetas” que chegaram ao legislativo local não têm pudor e exercem o poder imaginário com a mesma autoridade de um dono de bordel de baixo meretrício. É manda quem pode e obedece quem tem juízo.
É uma triste demonstração que uma Câmara milionária está tomada pelo pior nível de representação política dos últimos tempos. O negócio é tão rasteiro que coação se tornou coisa banal. Não custa lembrar que neste mesmo ambiente promíscuo já teve vereador usando a tribuna prometendo resolver “diferenças na bala” e nada a aconteceu.
Trata-se, definitivamente, de um legislativo inútil, cuja existência atravanca qualquer governo. É um desconforto custoso, levando-se em conta que cada um dos 25 vereadores custa mais de R$ 100 mil/mês para o contribuinte local.
É um ambiente caro, servindo apenas, nos últimos tempos, para acolher desacertados em suas respectivas atividades profissionais, salvando as honrosas exceções. Claudio Andrade é um advogado frustrado. Deu errado nesta profissão e aventurou-se em programas de baixíssima qualidade em um canal por assinatura, além de manter um blog na internet. Ainda assim não conseguiu eleger-se vereador. Conquistou uma suplência, assumindo mandato depois que o eleito em seu partido, Alciones de Rio Preto, foi barrado pela Lei da Ficha Limpa.
Marcelo Perfil é um comerciante, dono de uma gráfica, com atuação na área de adesivos. Sempre se atrelou aos governos. Nutriu-se administração de Rosinha Garotinho. É uma figura limitada, que atualmente enfrenta sérias restrições até mesmo no núcleo religioso que frequenta, devido à forma com que mistura negócios, política e religião.
São condutas que fazem um retrato completamente deturpado de uma cidade que já teve tempos de glória, chegando a ser descrita em discurso pelo ex-presidente Getúlio Vargas como “espelho do Brasil”. Se considerarmos o Brasil pós-lava jato e o atual legislativo, pode até ser. Na Campos dos Goytacazes que um dia foi espelho do Brasil, Andrade e o colega Perfil deixariam uma casa de bonecas pichada de vergonha.








