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Campos-RJ: Garotismo perde o legislativo, Wladimir está isolado e sujeito a enfrentar um impeachment  

Com derrota na eleição da Câmara de Vereadores de Campos, grupo de Anthony Garotinho quer cassar parlamentares de oposição que tem maioria

redacao Por redacao
16/04/2022 - 11:52
em Cidade
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O presidente da Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes (RJ), Fábio Ribeiro (PSD), está refém da insanidade do garotismo, que já não encontra limites e aproveita-se da inércia do poder judiciário local. 

Ribeiro antecipou a eleição da mesa diretora em fevereiro deste ano, candidatando-se à reeleição e perdeu para o candidato de oposição, Marquinho Bacellar (SD). 

De acordo com o regimento interno da Casa, a data da eleição seria janeiro do próximo ano, mas o calendário foi antecipado porque, até então, o presidente tinha certeza que detinha a maioria para ganhar. Perdeu por um voto.  

Um dia depois de consumada a derrota e proclamada a vitória do opositor, Ribeiro anulou o resultado da eleição alegando que um vereador de oposição, Nildo Cardoso (PSL), não declarou o voto, ainda que este tenha feito o encaminhamento da chapa opositora na tribuna do legislativo e antecipado sua escolha. 

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Nos capítulos seguintes deste atropelo regimental, os vereadores de oposição passaram a exigir que o resultado do pleito fosse respeitado e reagiram não participando das sessões. 

O presidente da Câmara retaliou, instaurando o processo de cassação de 13 parlamentares por considerar que faltaram a seis sessões consecutivas. 

No atual “estágio de loucura”, ele quer promover uma cassação por ofício, com base apenas no voto dos três integrantes da mesa diretora, quando o legislativo tem 25 parlamentares e 16 deles já assinaram um ato de repúdio contra o que já é definido como golpe.  

A banda garotista perdeu o rumo. A maioria de 13 parlamentares de oposição aprovou, em plenário, a instauração de uma Comissão Processante para apurar os atropelos regimentais por parte presidente da Câmara e do 1º vice-presidente Juninho Virgílio (PROS), o que regimentalmente, já provocaria o afastamento de Ribeiro e Virgílio (dois garotistas) do comando da mesa diretora enquanto durar o processo, passando o bastão ao 2º vice-presidente Maicon Cruz (PSC). Isso não aconteceu.

Fábio Ribeiro permanece no cargo, como um presidente autoproclamado, sem qualquer legitimidade. Com isso, o legislativo local está praticamente paralisado. 

Judicialização no legislativo

A situação está judicializada. O juízo local negou um pedido de liminar para assegurar o resultado da eleição antecipada, o que acelerou a crise. Agora a questão está em grau de recurso, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). 

Existem situações ainda mais controvertidas. Há uma ingerência do ex-governador Anthony Garotinho sobre as decisões internas de seu grupo político na Câmara de Vereadores, cujo orçamento anual é de R$ 30 milhões. Mas o que se vê, contudo, é um isolamento do garotismo em seu berço político, com toda a oposição local unida em uma frente ampla e agora com reflexos no plano estadual, com vários deputados de diferentes partidos manifestando repúdio ao ato despótico no legislativo municipal. 

O epílogo desta ópera bufa será a derrota do garotismo, com sérias consequências. Fábio Ribeiro, aliado do ex-governador, sairá do comando da Câmara “debaixo de vara”, com sua carreira política trucidada. Não será o primeiro a ser atirado do penhasco e depois abandonado à própria sorte. 

Wladimir sem maioria

Na administração municipal a constatação é óbvia. O prefeito da cidade, Wladimir Garotinho (Sem partido), filho do ex-governador, já perdeu a maioria legislativa. Estará vulnerável a um processo de impeachment, se não renunciar ao mandato antes do infortúnio. 

O que impressiona em toda esta trama na república do chuvisco, no entanto, não é apenas a instabilidade jurídica da cidade, mas a capacidade que o garotismo demonstrou de acabar com o governo de um jovem e promissor político, no caso de Wladimir Garotinho, em tão pouco tempo. Isso em uma cidade que terá um orçamento de R$ 2,4 bilhões/ano. 

O grupo de Anthony Garotinho conquistou uma eleição apertada na cidade em 2020, por pouco mais de 10 mil votos, em um ambiente em que um terço da cidade não votou em ninguém. A rejeição ao grupo político é grande e nos últimos dias só aumentou. 

É difícil arriscar uma aposta em terreno político, porque isso muda como nuvem, mas no atual momento, o ambiente sinaliza uma exclusão do garotismo e uma ascendência do grupo político do deputado Rodrigo Bacellar (PL). 

Há muito tempo que Garotinho vive de mito, se apresenta no Rio de Janeiro como dono dos votos no interior do Estado, ainda que não tenha a menor capacidade de entregar essa mercadoria. 

Tags: #Câmara de Vereadores de Campos-RJ#Crise na Câmara de Vereadores de Campos-RJ#Eleição da Câmara de Vereadores de Campos-RJ#Garotinho e Witzel#Legislativo de Campos-RJ
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