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Anexos da delação de Lessa revelam outros crimes, além da morte de Marielle

PF acredita que celulares, computadores e documentos apreendidos nas casas dos alvos, neste domingo, possam trazer mais informações ao assassinato da vereadora e de outros casos

redacao Por redacao
25/03/2024 - 07:48
em Cidade
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DELAÇÃO DE RONNIE LESSA

O ex-PM Ronnie Lessa foi preso em 2019, um ano após os assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes — Foto: Pablo Jacob / Arquivo

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O relatório do inquérito da Polícia Federal, que aponta os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, pode parecer o fim do caso, mas não é. Após um ano de investigação dos agentes federais, há anexos da delação premiada do ex-policial militar Ronnie Lessa, assassino confesso do crime, ainda em segredo de justiça. Isso porque o colaborador também fala de outros 11 crimes que praticou. As informações prestadas trazem luz para outras investigações em andamento.

A próxima etapa será a Procuradoria-geral da República (PGR) oferecer a denúncia ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, responsável pelo caso. Segundo o inquérito da PF, foram indiciados como mandantes os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, enquanto o delegado Rivaldo Barbosa entrou como partícipe do crime, acusado de garantir que o caso não fosse elucidado. Os três estão presos, preventivamente, no presídio federal de Brasília.

Das apreensões de celulares, computadores e documentos nos imóveis dos alvos, nas buscas determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, também podem vir informações que corroborem com a apuração de outros casos.

O propósito da PF é que, após seis anos dos assassinatos de Marielle e Anderson, ainda surjam mais evidências contra os acusados no material apreendido, principalmente, com relação às suspeitas de que Rivaldo tenha recebido propina para evitar que as investigações da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) chegassem aos verdadeiros autores e mandantes do crime. Conforme Lessa informou em sua colaboração, o delegado foi pago de forma antecipada:

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“Nós sentimos até bastante firmeza pela magnitude da coisa, tá lidando com o diretor da DH; se o diretor da DH faz uma exigência dessa, na minha concepção, ela já tem uma linha traçada para desviar o assunto”, diz Lessa num trecho de sua delação.

Mais crimes investigados

As investigações do delegado da PF Guilhermo Catramby, em conjunto com o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio (MPRJ), ainda abriram o flanco para a conclusão de inquéritos que há pelo menos 12 anos continuam sem solução nos escaninhos da DHC. Neste caso, a apuração prosseguirá com os promotores. São eles: os assassinatos do candidato a vereador e presidente da Portela, Marcos Falcon, em 2016; e do contraventor Haylton Escafura, filho de José Caruzzo Escafura, o Piruinha, entre outros. Alguns deles conectados à disputa pelo domínio territorial pelas milícias e pela contravenção.

Fontes vinculadas à investigação ressaltam, no entanto, as dificuldades na obtenção de provas num período tão distante da data do crime, ocorrido em 14 de março de 2018. Para confirmar tudo que Lessa disse no acordo de colaboração premiada, seriam necessárias imagens de locais usados como pontos de encontro, por exemplo. Passado tanto tempo, essas imagens não estão mais armazenadas. Há mais obstáculos no caminho: os registros das antenas das companhias de celular também não são guardados por longo período.

Apesar da complexidade do caso e da entrada tardia, em nenhum momento houve desânimo por parte do delegado e dos oito agentes federais na investigação em que mergulharam em fevereiro do ano passado.

Convocados pelo então ministro da Justiça Flávio Dino, que assumiu a pasta prometendo chegar aos mandantes do duplo homicídio, os policiais da PF revisitaram tudo que havia sido apurado até então. Dino fez um acordo com o governador do Rio Cláudio Castro, de apoio nas investigações, mas depois assumiu o caso de vez, o que acabou sendo um alívio, segundo fontes, para a Polícia Civil. O Gaeco, por sua vez, continuou comprometido com a apuração.

Observou-se que, apesar das complicações criadas, como o plantio de uma falsa testemunha e o desfazimento de provas importantes, inclusive com o sumiço de imagens e até de celulares de alvos, ainda era possível avançar.

Outro documento importante que serviu de norte para os investigadores foi o relatório do delegado federal Leandro Almada, que desvendou a primeira farsa do caso, no episódio que ficou conhecido como “investigação da investigação”. Por ironia do destino, Almada foi o delegado escolhido pela Diretoria da PF, durante a ascensão do governo Lula, em 2023, como superintendente da corporação no Rio.

Em seu relatório, de quase 600 páginas, Almada apontou que Rivaldo foi quem levou a falsa testemunha, o então policial militar Rodrigo Ferreira, o Ferreirinha, na presença do delegado Giniton Lages e do comissário da Polícia Civil, Marco Antônio de Barros Pinto, o Marquinho, que atuaram na primeira fase do caso Marielle, em maio de 2018.

O delator farsante apontou o miliciano Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica, e o vereador Marcello Siciliano, como autor e mandante do crime. Tudo não passava de cortina de fumaça ou, “embuchamento”, no jargão policial, para que o caso fosse atribuído a eles e encerrado rapidamente.

Na conclusão do documento, Almada indiciou Ferreirinha. Embora tenha investigado Domingos Brazão como mandante, ele o deixou de fora, sem, no entanto, descartá-lo totalmente. Esse foi o fio da meada, que, com um ano de apuração da nova equipe da PF, levou Lessa a colaborar.

Com informações do Blog Segredos do Crime, do Jornal O GLOBO.

Tags: #Delação de Ronnie Lessa#Ronnie Lessa
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