*Da redação | Com EBC
Duas agências do Bradesco são suspeitas de funcionar como lavanderia de dinheiro sujo oriundos do esquema de corrupção no Rio de Janeiro.
O esquema teria funcionado por meio de compensações de cheques de varejo (os chamados chequinho) e boletos bancários.
Nesta terça-feira (28), o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro, determinou a prisão preventiva de três pessoas suspeitas de integrar as operações criminosas.
O magistrado decretou a prisão preventiva do empresário Júlio César Pinto de Andrade e as prisões temporárias dos gerentes do banco Bradesco, Tânia Maria Aragão de Souza Fonseca e Robson Luiz Cunha Silva.
A decisão atende ao pedido do Ministério Público Federal (MPF) em mais um desdobramento das operações Eficiência e Câmbio Desligo, no âmbito da Lava Jato. As pessoas presas foram levadas para a Superintendência da Polícia Federal na Praça Mauá, no Rio de Janeiro.
ENTENDA O CASO
As investigações do MPF indicam que o empresário e os gerentes do Bradesco eram peças importantes em sofisticado esquema de lavagem de dinheiro no esquema comandado pelos doleiros Vinícius Claret e Cláudio Barbosa, operadores do ex-governador Sérgio Cabral.
Conforme detalham as investigações, o esquema era baseado na compensação de cheques do varejo (chequinhos), além de pagamento de boletos bancários, e servia para geração de reais em espécie. Depois dessa etapa, eles eram vendidos as empresas que desejavam esfriar recursos.
Os doleiros captavam cheques recebidos no varejo e os depositavam em contas bancárias de empresas fantasmas.
A abertura e a movimentação das contas bancárias eram facilitadas pela participação de gerentes de bancos, que descumpriam regras de compliance [modelo de gestão para o cumprimento de regras e legislação] e assim permitiam a criação das contas de giro.
O MPF informou que o empresário Júlio Andrade era responsável por abrir as contas fantasmas utilizadas nas transações. Ele também fornecia telefones frios e indicava as empresas que alugavam salas por curtos períodos para guardar o dinheiro obtido.
As investigações indicaram que havia pelo menos sete empresas fantasmas, que foram alvos de busca e apreensão na operação de desta terça-feira.
Na época dos fatos apurados, Tânia e Robson tinham o cargo de gerente-geral da agência do Bradesco, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, e da agência em Vila Isabel, na zona norte da cidade, respectivamente.
Eles recebiam a documentação das empresas criadas por Júlio e indicavam os locais onde as contas bancárias deveriam ser abertas.
“Os elementos reunidos na investigação não deixam dúvidas de que as instituições financeiras onde as contas foram abertas, em especial o banco Bradesco, descumpriram os deveres de compliance, possuindo como consequência direta, além do fomento à lavagem de dinheiro acima demonstrado, a violação à livre concorrência, pois as instituições que dispendem recursos no compliance acabam restringindo seus negócios, sem contar no custo que é dedicado aos setores de conformidade”, afirmam.
OUTRO LADO
Em nota, o Bradesco informou que tomou conhecimento, pela imprensa, nesta manhã, da ação de autoridades policiais envolvendo dois funcionários.
O banco destacou que quando as informações estiverem oficialmente disponíveis, serão apuradas internamente.
“Como sempre, o Bradesco se coloca à disposição das autoridades no sentido da plena colaboração e esclarecimento sobre as apurações que estão sendo realizadas. Por fim, o Bradesco reitera que cumpre rigorosamente com as normas de conduta ética e governança vigentes para a atividade”.








