O inconcebível apoio de uma parcela da sociedade à barbárie, como a amputação das mãos de um suspeito de roubar celular
Da redação
Uma das cenas recentes mais chocantes da violência urbana na cidade de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, está exposta por meio de um vídeo no Youtube.
As imagens mostram traficantes de uma comunidade na periferia do município punindo um jovem de 24 anos suspeito de furtar um celular na Rua do Beco, no bairro de Custodópolis, em Guarus.
NA IMAGEM ACIMA Jovem de 24 anos que teve as mãos decepadas por traficantes em um bairro da periferia de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, porque era suspeito de roubar um celular na comunidade
O rapaz, depois de passar por uma sessão de tortura filmada por traficantes, tem as mãos amputadas por facão. O vídeo viralizou nas redes sociais e chegou a encontrar apoio em segmentos da classe média que defendem a teoria do “bandido bom é bandido morto”.
Por meio das imagens, agentes da 146ª Delegacia de Polícia conseguiram identificar os autores. Nesta terça-feira (20/12), o delegado titular da 146ª Delegacia de Guarus, Luiz Maurício Armond, por meio de sua página no Facebook, anunciou a prisão de parte do grupo envolvido na atrocidade. Os policiais prenderam quatro envolvidos, entre eles, uma mulher que seria esposa de um traficante.
No imóvel onde ocorreu a prisão, segundo o delegado, foram encontradas câmeras que monitoravam a venda de drogas, com imagens que eram enviadas ao presídio onde estão confinados os traficantes, o que demonstra que os criminosos conseguem acompanhar de dentro das unidades prisionais o movimento externo nas bocas de fumo. A tecnologia que aproxima pessoas também coopera com a criminalidade. É o efeito colateral da modernidade.
Durante uma operação policial na comunidade do Beco, foram apreendidos vários celulares, chips, carregadores, além de bexigas com bebidas variadas, como Vodka Ciroque e Absolut. As bebidas continham rótulos com nomes de presos, o que levou a polícia a concluir que seriam introduzidos no sistema penal para as festas de fim de ano. O delegado também informou a apreensão de grande quantidade de cocaína e maconha.
A barbaridade da comunidade do Beco choca. A vítima sai da cena do crime com grande sangramento. As imagens que ele sai do local da execução da tortura e mãos ficam. Não morreu porque foi socorrido a tempo para o Hospital Ferreira Machado. Mas, por outro lado, a cumplicidade de uma parcela da sociedade impressiona. O apoio dos justiceiros às execuções no “tribunal do tráfico” contra o jovem demostra que para satisfazer sua sede de vingança, a classe média passeia com a “justiça” do tráfico.








