Preso na operação desta terça-feira contra o “QG da Propina”, esquema de corrupção na prefeitura do Rio, José Fernando Moraes Alves, mais conhecido como Fernando Moraes, tem 58 anos, é delegado aposentado e ex-vereador pelo MDB. Moraes foi titular da Delegacia Anti-Sequestro, atuou como vice e presidente do Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro) e como vice-presidente e conselheiro da Agetransp. Com está com sintomas de Covid-19, foi levado para a Polinter após ser detido.
Nas redes sociais, ele compartilha uma vida nababesca. Fã de carros de alto padrão, já publicou fotos com veículos Ferrari, Mercedes e Porsche. Em uma das postagens escreveu: “Mercedes na oficina, o jeito é sair de Porshe mesmo”.
O ex-delegado mostra ainda viagens para hotéis com vista para o mar e piscinas de borda infinita em Angra dos Reis. Passeios de jet skis também foram registrados. Em 2018, ele arrematou por R$ 50 mil o jet ski que pertencia ao ex-governador do Rio Sergio Cabral em um leilão da Justiça Federal. O valor seria dividido em 30 vezes e, segundo informou em entrevista ao “Estadão”, ele pretendia dá-lo de presente para o filho Thor.
O delegado também ficou conhecido por namorar Luma de Oliveira após a modelo se separar do empresário Eike Batista. Em 2006, o casal assumiu a relação ao ser flagrado aos beijos no ensaio da escola de samba Beija-Flor. Os dois ficaram juntos por cerca de um ano e meio. Fã de carnaval, Moraes chegou a se candidatar ao cargo de presidente da Caprichosos de Pilares em 2011.
Segundo o Ministério Público, Moraes participou ativamente das negociações de contratação da empresa Assim Saúde para intermediar o fornecimento de planos de saúde a servidores municipais. O “QG da Propina” recebia da empresa R$ 1,5 milhão por mês em troca de um contrato de R$ 210 milhões com a prefeitura.
Delegado – Nabob
A vida nababesca de Moraes remete a um fato curioso. Chamamos de “nababo” aquele que tem muito dinheiro e ostenta uma vida cheia de luxo. Trata-se de uma herança vinda dos séculos XVI, XVII e XVIII. Nessa época, em diversas regiões do Oriente (principalmente no Império Mongol, na Índia e na Pérsia), a figura do nababo representava um vice-rei ou um governador de uma das províncias locais. Tem origem na palavra árabe “nabob”, que – por coincidência com o caso em questão – significa “delegado”.
Os tais nababos tinham o hábito de realizar festas suntuosas e cheias de mordomias. Por isso, viraram referência de uma vida abastada. E não é só no Brasil. Em inglês, desde o século XVII usa-se o termo “nabob” (uma variação de “nawab”, que é a tradução de fato de “nababo”) para designar grandes comerciantes que prosperaram. A partir do século XVIII, esteve mais relacionado àqueles que enriqueceram na Índia. Algum tempo depois, passou a ganhar um peso parecido ao que hoje temos no Brasil, associando-se aos que não só possuem grande condição financeira, como conscientemente tentam mostrá-la o tempo todo.
O ex-delegado agora precisa prestar contas e justificar a sua vida de cinema com a Justiça.
As informações são do Extra e do Guia dos Curiosos.








