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Mortos em Capitólio têm de 14 a 68 anos e são de SP e MG

Corpo de Bombeiros confirmou, neste domingo (9), 10 mortes causadas pelo desabamento

redacao Por redacao
09/01/2022 - 22:00
em Política
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O Corpo de Bombeiros confirmou, neste domingo (9), 10 mortes causadas pelo desabamento de pedras em Capitólio (MG), e passou a confirmar suas identidades.

As vítimas estavam na mesma lancha que tinha o nome de “Jesus”, segundo o delegado regional da Polícia Civil, Marcos Pimenta

Eles estavam hospedados em um rancho em São José da Barra (MG) e eram familiares e amigos uns dos outros.

O dono da pousada era proprietário da lancha e também parente das vítimas. O piloto era funcionário dele, de acordo com informações da polícia.

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A primeira vítima foi identificada oficialmente na manhã deste domingo. Outras quatro vítimas foram identificadas durante a noite.

O delegado informou que já há informações sobre as outras pessoas que morreram, mas a polícia aguarda a resposta dos laudos e dos testes de DNA para ter a comprovação oficial da identificação.

O porta-voz do Corpo de Bombeiros de MG disse que não tem previsão para o fim das buscas

Veja abaixo quem são as vítimas da tragédia em Capitólio:

Julio Borges Antunes, 68 anos, natural de Alpinópolis (MG). Será enterrado em São José da Barra. (Foto: Redes sociais)

Maycon Douglas de Osti, 24 anos, nascido em Campinas. Será enterrado em Sumaré.

Maycon Douglas de Osti, de 24 anos, vítima da queda do paredão em Capitólio — Foto: Reprodução/Redes sociais

 

Camila da Silva Machado, 18 anos, nascida em Paulínia. Será enterrada em Sumaré.

Camila da Silva Machado, de 18 anos, vítima da queda do paredão em Capitólio — Foto: Reprodução/Redes sociais

Sebastião Teixeira da Silva, 67 anos, natural de Anhumas. Será enterrado em Serrania.

Sebastião Teixeira da Silva, de 67 anos, vítima da queda do paredão em Capitólio — Foto: Reprodução/Redes sociais

Marlene Augusta Teixeira da Silva, 57 anos, natural de Itaú de Minas. Será enterrada em Serrania.

Marlene Augusta Teixeira da Silva, 57 anos, vítima da queda do paredão em Capitólio — Foto: Reprodução/Redes sociais

Marlene e Sebastião eram casados. Eles eram os tios que a costureira Alessandra Barbosa estava procurando no dia do acidente. Maycon era namorado da Camila.

Vítimas que ainda aguardam identificação oficial:

Homem de 40 anos, natural de Betim (MG) – piloto da lancha
Mulher de 43 anos, natural de Cajamar (SP)
Homem de 35 anos, natural de Passos (MG)
Jovem de 14 anos, natural de Alfenas (MG)
Homem de 37 anos, natural de Itaú de Minas (MG)

Trabalho de buscas e identificação

Júlio Borges Antunes, de 68 anos, era de Alpinópolis (MG). O corpo já foi liberado para a família e deve ser enterrado ainda neste domingo (9) em São José da Barra (MG).

Na tarde de domingo, as autoridades informaram que uma segunda pessoa foi identificada, mas o nome não foi divulgado.

Investigação

Ainda não se sabe o que provocou o acidente. Além da Polícia Civil, a Marinha informou que um inquérito será instaurado para apurar as causas do deslizamento de pedras no Lago de Furnas.

O prefeito de Capitólio, Cristiano Geraldo da Silva (Progressista), disse em entrevista coletiva neste domingo que não nunca havia ocorrido acidente como este e, por isso, não há um estudo ou análise geológica sobre os paredões.

Pela manhã o prefeito já tinha anunciado o fechamento do turismo aquático na cidade. Segundo ele, estão fechadas as entradas dos cânions e também do local conhecido como Cascatinha,

Também neste domingo, Furnas Centrais Elétricas divulgou uma nota sobre o acidente.

“FURNAS lamenta profundamente o acidente e verdadeiramente se solidariza com as vítimas e seus familiares. A empresa esclarece que utiliza a água do lago para a geração de energia elétrica, por meio de Contrato de Concessão de Geração de Serviço Público, e que compete à Marinha do Brasil e aos respectivos poderes públicos locais a gestão dos demais usos múltiplos do reservatório, dentre os quais as atividades econômicas de turismo profissional.

FURNAS apoia por meio de iniciativas e projetos socioambientais as 34 prefeituras e suas defesas-civis existentes no entorno do lago, que é um dos maiores lagos artificiais do mundo com mais de 3.500 km de perímetro, mas não tem poderes para desenvolver fiscalização e/ou outorgas de licenças para atividades de turismo e lazer.

FURNAS reforça que o Corpo de Bombeiros, a Marinha do Brasil, Polícia Civil e Federal, bem como a Defesa Civil de Minas Gerais estão conduzindo operações de resgate e apurações sobre o ocorrido em Capitólio.

Segundo balanço divulgado pelo Corpo de Bombeiros na manhã deste domingo, 50 militares estiveram empenhados na operação de busca, entre bombeiros militares e militares da Marinha do Brasil; 11 mergulhadores dos bombeiros empenhados, especialistas nesse tipo de operação e já familiarizados com a área de busca; 4 lanchas e 3 motos aquáticas da Marinha e dos bombeiros lançadas no local de busca já delimitado, além do apoio de 7 viaturas.

O que se sabe até agora:

O deslizamento ocorreu por volta de 12h30. Ainda não se sabe o que causou o acidente
Quatro embarcações foram atingidas, segundo os bombeiros
Dez pessoas morreram. Ao menos 2 seguem internadas
Uma equipe de mergulhadores está no local e não há previsão de término das buscas (elas foram suspensas durante a noite e foram retomadas no domingo)
27 pessoas foram atendidas e liberadas
A primeira informação dos bombeiros dava conta de 20 desaparecidos, mas o número foi atualizado para 3 logo depois
Bombeiros e Polícia Civil estão no local; a Marinha foi acionada e vai investigar a causa
Defesa Civil havia emitido um alerta sobre chuvas intensas na região com possibilidade de “cabeça d’água”; Marinha também investiga por que os passeios foram mantidos.

As buscas no Lago de Furnas, em Capitólio (MG), continuarão pelos próximos dias, anunciaram hoje (9) a Defesa Civil e a Polícia Civil de Minas Gerais
Deslizamento de pedras atingiu embarcações nos Canyons de Furnas, em Capitólio (MG) (Reprodução)

Turismo em Capitólio

A região de Capitólio e outras cidades banhadas pelo Lago de Furnas, no Centro-Oeste de Minas, é bastante procurada por turistas por sua beleza natural.

Assim como outras partes do estado, a região tem sido atingida pelas chuvas recentes: na sexta-feira (7), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) havia emitido um alerta de chuvas intensas, que durariam até a manhã deste sábado.

Neste sábado (8), Defesa Civil de Minas Gerais havia feito um alerta sobre chuvas intensas e a possibilidade de ocorrências de “cabeça d’água’ em Capitólio, mas não há confirmação que essa foi a causa do acidente. A Marinha disse que investiga o motivo de os passeios serem mantidos.

O porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas, Pedro Aihara, explicou que a formação rochosa do local é do tipo sedimentar, o que torna as estruturas dos paredões frágeis, e a quantidade de chuvas agravou a situação por acelerar a erosão.

“A gente tem uma formação rochosa que é basicamente composta por rochas sedimentares, então são rochas que naturalmente têm uma resistência muito menor à atuação dos ventos, da água, dos elementos naturais que atuam sobre a região”, explicou Aihara.

“Uma outra situação que acabou infelizmente agravando foi porque a rocha cai numa trajetória perpendicular. Geralmente, quando a gente tem ruptura por tombamento, a rocha sai de uma forma mais fatiada, ela escorre por aquela estrutura e cai de uma forma ou diagonal ou então mesmo em pé. Nesse caso, como a gente teve esse tombamento perpendicular, e pelo tamanho da rocha, a gente acabou tendo essas pessoas diretamente afetadas”, explicou o bombeiro.

Para o especialista em gerenciamento de risco, Gustavo Cunha Melo, uma tromba d’água – inicialmente citada pelos bombeiros como motivo do deslizamento – pode ter agido como um gatilho para o deslizamento, mas não foi necessariamente a causa do problema.

Para Melo, a rocha se desprenderia de qualquer jeito, por causa da erosão:

“Essa rocha já estava com muita erosão, totalmente fragmentada, ela iria desabar em algum momento. A tromba d’água pode explicar o desabamento neste momento? Pode, assim como também não precisava nada – ela ia desabar em algum momento por erosão, por um processo natural”, afirmou.

Nestes casos, segundo o especialista, o gerenciamento de risco consiste em isolar o local.

“Não tem muito o que fazer nessas situações. O gerenciamento de risco é: manter distância. Você tem que isolar a área. A única gestão de risco que é feita é isolar a área. Infelizmente ali as embarcações estavam muito próximas e o desabamento aconteceu nesse mesmo momento”, explicou Melo.

O geólogo Fábio Braz, da Sociedade Brasileira de Geologia, relacionou o desprendimento das rochas às chuvas – intensas e por um longo período – e classificou o acidente como “raro”:

“Fica cada vez mais evidente que realmente as fortes chuvas contribuíram para a queda desse bloco. Esse fraturamento vertical é típico de regiões de cânion. A gente também observa nos cânions do Rio São Francisco o mesmo tipo de feição”, explicou.

“É um fenômeno raro. Não descaracteriza o apelo turístico da região de Capitólio. É preciso, sim, que sejam tomadas, a partir dessa tragédia, as precauções necessárias, as distâncias, que seja calculado por especialistas na área de geotecnia qual a distância segura desses paredões”, disse Braz.

Tags: #Acidente Capitólio#Fatalidade
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