Ao anunciar uma intervenção em diretórios e comissões provisórias do PSB em 92 municípios do Estado do Rio, o senador Romário desencadeou uma crise interna na legenda em todo o Estado. Romário assumiu a presidência do diretório regional há dois meses.
Em entrevista publicada na edição de ontem do Jornal O Dia, ele afirmou que o expurgo é parte de uma estratégia para revitalizar a legenda.
Um total de 13 diretórios constituídos por meio de eleições preparam ações judiciais contra o ato de Romário, entre eles o de Friburgo, que é ligado a deputado Glauber Braga, eleito na última eleição com 92 mil votos, e o de Petrópolis, ligado ao prefeito da cidade, Rubem Bomtempo.
Em Campos o presidente do diretório municipal, vereador Altamir Braga também pretende contestar a intervenção com ação na justiça. Ele destaca que sua eleição seguiu todos os ritos determinados pelos estatutos.
“Temos todas as atas, todos os procedimentos devidamente registrados. Não aceitaremos este ato arbitrário”, disse.
Em Macaé, o presidente do diretório Rodrigo Mosqueira, também pretende ingressar na justiça. Ele destacou que o partido é um diretório legalmente formado e lembra que na última eleição cumpriu todas as resoluções da nacional.
“A nacional publicou uma resolução estabelecendo uma meta de 2% dos votos para cada diretório. Nós em Macaé atingimos mais de 8%. Esta mesma resolução garantiu a nomeação de Romário. Portanto, se ele agir diferente, estará rasgando o estatuto e a própria diretriz interna que o nomeou. Estamos tranquilos e amparados”, disse Mosqueira, que também já está com advogado preparado para impetrar ação na justiça e recursos ao diretório nacional. Procurado pela reportagem de O Diário, o senador não respondeu as ligações.
Sucesso no futebol e trombada na política
Ex-jogador de Futebol, tetracampeão do mundo, Romário está no segundo mandato parlamentar. Na legislatura passada foi deputado Federal e ano passado se elegeu senador com quase cinco milhões de votos.
Assim como no gramado, na vida partidária Romário é sinônimo de crise. Internamente, no PSB, ele trava uma disputa interna com o deputado Glauber Braga (PSB-Friburgo), com o prefeito de Petrópolis Rubem Bomtempo e com quadros históricos do PSB, como o ex-ministro de Ciência e Tecnologia do governo Lula, Roberto Amaral.
No Rio de Janeiro, o senador mantém uma aliança com o governo Eduardo Paes, onde indicou o secretário e sub na pasta de Esportes e ajeitou a relação com o governador Luiz Fernando Pezão, o qual apoio na eleição do segundo turno. Ao mesmo tempo diz que será candidato à sucessão de Paes, mas já sinalizou que poderá apoiar a candidatura de Pedro Paulo (PMDB).
“Romário adota uma truculência que impressiona. Ele conseguiu produzir uma crise que poderá reduzir o PSB a pó no Estado”, avalia o ex-deputado José Maurício Linhares, que deixou o PDB para se filiar a legenda visando apoiar a candidatura de Eduardo Campos à presidência da República em 2012.
O inusitudo na intervenção anunciada, é que Romário não foi eleito para os diretório regional. Foi nomeado por meio de um ato da executiva nacional, contudo, investiu-se de poder para intervir até mesmo em diretórios que foram formados por meio de eleições que seguiram os estatutos da legenda. “É o estupro estatutário anunciado”, resume José Maurício Linhares.








