Em entrevista a Folha de São Paulo, presidente afirma que abandonar o cargo seria como admitir a culpa;
Da Redação com Reuters e Bandnews
O presidente Michel Temer voltou a negar a intenção de renunciar ao cargo. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o peemedebista desafiou que “o derrubem” e disse que abandonar o posto seria uma admissão de culpa.
“Mantenho a serenidade, especialmente na medida em que eu disse: eu não vou renunciar. Se quiserem, me derrubem, porque, se eu renuncio, é uma declaração de culpa”, afirmou.
Temer disse ainda que foi ingênuo ao se encontrar com Joesley e garantiu não sabia que o empresário era alvo de investigação naquele período.
O presidente vive a mais série crise de seu governo depois dos áudios revelados por Joesley Batista, dono da JBS, onde o presidente negocia a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Temer, porém, alega que as gravações foram manipuladas.
Temer é alvo de inquérito no STF por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução da Justiça, em investigação aberta com base em acordo de delação fechado por Joesley. Um pedido de suspensão do inquérito será analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na quarta-feira.
Perguntado se deixaria o cargo caso seja denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), seguindo regra que estabeleceu para seus ministros, Temer disse que não, porque é o chefe do Executivo.
“Os ministros são agentes do Executivo, de modo que a linha de corte que eu estabeleci para os ministros, por evidente não será a linha de corte para o presidente”, afirmou o presidente, acrescentando que não irá se afastar voluntariamente.
“Não vou fazer isso (se afastar), tanto mais que já contestei muito acentuadamente a gravação espetaculosa que foi feita. Tenho demonstrado com relativo sucesso que o que o empresário fez foi induzir uma conversa. Insistem sempre no ponto que avalizei um pagamento para o ex-deputado Eduardo Cunha, quando não querem tomar como resposta o que dei a uma frase dele em que ele dizia: “Olhe, tenho mantido boa relação com o Cunha”.
Temer disse ainda que acredita na fidelidade do PSDB a seu governo até o fim do mandato, em 31 de dezembro de 2018, e minimizou a perda do apoio do PSB e do PPS após a deflagração da crise envolvendo a delação da JBS.
“O PSB eu não perdi agora, foi antes, em razão da Previdência. No PPS, o Roberto Freire veio me explicar que tinha dificuldades. Eu agradeci, mas o Raul Jungmann, que é do PPS, está conosco.”








