O presidente Jair Bolsonaro provavelmente fala a verdade quando diz que não conhecia a vereadora Marielle Franco (PSL-RJ), vítima de uma execução, juntamente com o motorista Anderson Gomes, em 14 de março de 2018.
Ele também fala a verdade quando afirma que no dia da execução da parlamentar, no Centro do Rio, estava em Brasília.
Mas onde pesa o nome da família Bolsonaro no caso Marielle? A proximidade do presidente da República e de dois filhos com os suspeitos da execução, por sinal, vizinhos de condomínio.
Na família, quem conhecia Marielle? Acertou quem respondeu o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), adversário de bancada na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
No dia em que um dos suspeitos foi ao condomínio de Bolsonaro visitar o colega que participaria da execução no dia seguinte, consta que o presidente, na época deputado, estava em Brasília, mas Eduardo não.
No vídeo de pouco mais de 23 minutos, em que responde a reportagem do Jornal Nacional que divulgou trechos do inquérito sigiloso que apura a morte da parlamentar, Bolsonaro deixa transparente que a “TV Globo” só se dará por satisfeita quando ver um de seus filhos presos.
Em tempos recentes, circulou a informação de que Carlos Bolsonaro estaria disposto a não disputar reeleição na Câmara de Vereadores do Rio ano que vem. Estaria com planos de se mudar para São Paulo. Qual a razão? Sobram especulações e faltam respostas.
O porteiro do condomínio de Bolsonaro que prestou depoimento no inquérito do caso Marielle, fala que o homem que chegou a portaria no dia 13 de março de 2018, um dia antes do crime, informou que iria à casa de seu Jair (Bolsonaro).
Ato contínuo, ele teria ligado para residência e uma voz masculina que atendera a ligação autorizou a entrada do visitante que foi parar em outra residência. De quem era a suposta voz, se é que ela existe?
Existem um turbilhão de perguntas que carecem de resposta em toda esta confusão. Uma delas é saber como é que os serviços de informação do governo não identificaram que o presidente da República eleito em outubro de 2018 estava acompanhado de uma vizinhança com histórico de confusão, ou seja, milicianos e um deles expulso da PM.
Pior ainda é constatar que depois de eleito presidente, neste mesmo condomínio, Bolsonaro recebeu autoridades norte-americanas e israelenses.
Imagina Donald Trump morando em condomínio de mafiosos sem que a CIA soubesse!
O vídeo desta terça-feira (29) mostra um presidente da República transtornado, temeroso e demonstrando ter a sensação de que a imprensa e a polícia nunca chegaram tão perto de alcançar algo que parecia inalcançável.
Bolsonaro perdeu a compostura e mais uma vez mandou a liturgia dos cargo às favas, usando palavras de baixo calão para agredir uma emissora de TV, que está sob ameaça de não ter sua concessão renovada.
Outro dado importante nesta guerra é que a TV Globo foi compelida a lançar uma pitada de jornalismo investigativo no Jornal Nacional sob livre e espontânea pressão. Partiu para cima diante da ameaça de perder a concessão pública.








