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Professor da USP alerta para falta de vacinas e 2ª onda da Covid no Brasil em 2021

redacao Por redacao
04/11/2020 - 13:37
em Política
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2 onda Covid Brasil

Médico sustenta que a única possibilidade para o Brasil evitar uma segunda onda de contágio é a chegada das vacinas ao país. (foto: (Bruno Kelli/Amazonia Real/Divulgação))

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Em junho, o médico, pesquisador e professor Adam Ian Kaplin, da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, publicou um importante estudo na plataforma medRxiv sobre o aumento da taxa de infecção pelo coronavírus com a chegada do inverno no hemisfério norte.

Na época, a publicação poderia ter sido interpretada como um aviso diante da iminente segunda onda de COVID-19 na Europa e nos EUA. O alerta, porém, não foi ouvido. Agora, governos se viram obrigados a impor restrições tão duras quanto as implantadas no começo do ano.

Adam Ian Kaplin, em entrevista para o portal R7 no início de novembro, falou do estudo e traçou um prognóstico para o Brasil. Segundo ele, “a gente observou que quando esquenta, existe uma queda de 70% [do número de novos casos], o que é ok. Mas é importante saber que quando esfria, você tem um aumento de 200% a 300%”.
“Se não houver uma vacina até o começo do próximo outono, em março, o Brasil corre risco de passar por uma nova alta de infecções”, sentenciou o renomado médico.

Diante do quadro grave apresentado pelo especialista, a Sputnik Brasil ouviu com exclusividade Gonzalo Vecina Neto, médico, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), fundador e primeiro diretor da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

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Para Gonzalo Vecina Neto, “pode haver esta possibilidade [segunda onda] no Brasil. O fato é que a primeira onda nunca acabou. Esperamos que ela se reduza como foi na Europa, onde de fato houve o fim da primeira onda, um estágio de calmaria. Agora, mesmo por lá, a COVID-19 recrudesceu. E recrudesceu por uma série de razões, como o frio europeu e dos EUA, o fim das férias, um aumento nos encontros pessoais… São algumas das explicações mais importantes”.

Neste sentido, a explicação de Gonzalo Vecina Neto é interessante para compreendermos o alerta feito por Adam Ian Kaplin para o Brasil. O professor da USP acredita que, apesar do frio ocasionar um aumento de casos, como sustenta o estudo do médico britânico, a relação entre calor e COVID-19 não foi confirmada.

“Acreditava-se que o vírus sofreria em lugares quentes. Isso não se confirmou, e aqui ele fez um estrago. São 160 mil mortes. Vimos em Cuiabá, Piauí. A questão de temperatura para o vírus, acredito que seja indiferente. A questão somos nós. No frio, nós nos agrupamos e ficamos em locais fechados”.

Gonzalo sustenta que a única possibilidade para o Brasil evitar uma segunda onda de contágio é a chegada das vacinas ao país. Porém, de acordo com o médico, é preciso ter paciência.

“Não iremos aumentar a velocidade de produção das vacinas. Muito provavelmente, em janeiro, teremos a vacina chinesa. Em março, teremos a inglesa. As duas, no entanto, não serão suficientes para cobrir a população brasileira. Não há doses para isso. Portanto, a probabilidade de uma segunda onda existe e é grande”.

Sobre a falta de doses imunizantes para população, e diante da possibilidade de entrarmos em março com outra explosão no número de casos, o professor fez um diagnóstico conhecido: “isolamento, higiene e máscaras. E vamos esperar pelas vacinas”.

Em julho, em estudo também publicado no servidor MedRxiv, cientistas examinaram mais de cinco mil genomas do coronavírus, que foram colhidos nas primeiras fases da pandemia na cidade de Houston e em uma segunda onda de infecções mais recente e em curso.

Feitas as análises, os especialistas chegaram à conclusão de que quase todas as estirpes presentes na segunda onda passaram por mutação, conhecida como D614G, que aumenta o número de “picos” da coroa do coronavírus, permitindo, assim, união mais eficaz a células e, consequentemente, infecção mais rápida.

Questionado sobre as constantes transformações do vírus e a possibilidade disso infringir em algum problema na produção das vacinas, Gonzalo Vecina foi cético.

Para ele, “com relação à mutação, de fato o vírus mudou. É comum acontecer isso. Do ponto de vista imunológico, essa mudança não interfere na eficácia das vacinas”.

As informações são da Sputnik Brasil.

Tags: #2 Onda Coronavírus#Coronavírus#Covid-19#Pandemia
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