Detido na Bolívia, o consultor político argentino Fernando Cerimedo afirmou que nunca recebeu autorização para agir em nome do presidente Rodrigo Paz ou de integrantes da família presidencial.
A declaração foi feita em uma carta escrita na prisão, em meio às investigações e à crise política que envolvem sua atuação no país.
Cerimedo explicou que ter trabalhado como colaborador de Paz durante a campanha não lhe dava qualquer autoridade para representar o presidente ou seus familiares. Segundo ele, parte das informações divulgadas sobre sua relação com o governo boliviano estaria baseada em rumores e não em fatos comprovados.
O argentino já atuou como consultor político dos presidentes Javier Milei, da Argentina, Nasry Asfura, de Honduras, e Rodrigo Paz, da Bolívia. Ele também manteve relações com integrantes do grupo político ligado ao ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro.
Consultor nega ter participado de negociações
Na carta, Cerimedo rejeitou as acusações de que teria participado de negociações ou tomado decisões em nome de outras pessoas. Ele também negou envolvimento em supostas negociatas e afirmou que nunca utilizou sua posição para beneficiar terceiros.
O consultor mencionou ainda a primeira-dama boliviana, María Elena Urquidi Barbery. Segundo ele, nunca participou de qualquer negociação envolvendo a esposa de Rodrigo Paz e afirmou ter consideração por ela e respeito à sua reputação.
Cerimedo é investigado por três acusações: tentativa de feminicídio contra sua companheira grávida, Nadia Beller, enriquecimento ilícito e possíveis vínculos com o narcotráfico.
Denúncias de Nadia Beller estão entre as principais acusações
O caso ganhou repercussão depois que Nadia Beller procurou a Justiça e afirmou ter sido alvo de um ataque cometido por dois homens armados. Segundo o relato apresentado por ela, Cerimedo teria ordenado que os homens a matassem.
Ainda de acordo com a denúncia, um dos possíveis motivos estaria relacionado ao fato de Beller ter conhecimento de supostas irregularidades envolvendo o consultor na Bolívia e uma possível relação com a primeira-dama.
Cerimedo nega as acusações e afirma que pretende apresentar sua versão dos acontecimentos durante o andamento das investigações.
Presidente reconhece relação durante campanha
Rodrigo Paz confirmou que Cerimedo trabalhou como seu assessor durante a campanha eleitoral, mas procurou diferenciar essa atuação da relação com seu governo.
Em declaração divulgada na quarta-feira (26), o presidente afirmou que não havia contrato nem vínculo profissional direto com o argentino depois do período eleitoral. Paz também saiu em defesa da reputação de sua família.
Cerimedo, por outro lado, declarou apoio ao presidente e afirmou que as acusações fazem parte de uma articulação política promovida por adversários. O consultor disse que pretende esclarecer os fatos e apresentar sua defesa.
Investigações também analisam estrutura de bots
Além das acusações criminais, as autoridades bolivianas encontraram estruturas que, segundo as investigações, poderiam ter sido utilizadas para operar bots em propriedades relacionadas a Cerimedo.
Registros de conversas, gravações e fotografias também passaram a fazer parte da apuração.
Em uma carta anterior, o consultor já havia negado as acusações e rejeitado qualquer envolvimento com pagamentos de propina.
O caso continua sendo investigado pelas autoridades bolivianas, e as acusações ainda deverão ser analisadas no decorrer do processo.
*Da Agência Fonte Exclusiva








