Após dois presos fugirem da Penitenciária Federal de Mossóro, no Rio Grande do Norte, o secretário Nacional de Políticas Penais, do Ministério da Justiça, André Garcia, afirmou que as equipes policiais estão empenhadas “24 horas nas buscas” dos fugitivos. Segundo ele, um inquérito foi aberto pela Polícia Federal (PF) para apurar como se deu a fuga, inclusive se houve colaboração de agentes que trabalham no presídio e que “muito provalvamente” os procedimentos de segurança do estabelecimento não foram seguidos.
— Nenhuma das possibilidades estão descartadas: relaxamento, facilitação, seja lá o que a investigação indique. Não posso adiantar nada porque seria uma mera ilação da minha parte na conjectura. Nestes momentos em que atuamos em uma situação dessa, que a podemos considerar como uma crise no sistema prisional, porque o fato é inusitado, é preciso ter muita prudência, muita capacidade de avaliação de informações e agir da forma correta e com energia — afirmou Garcia. — Eu posso adiantar apenas isso, é muito provável que os procedimentos de segurança não foram empregados da forma como deveriam ser — completou.
Garcia viajou a Mossoró nesta quarta-feira a pedido do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. A pasta acionou a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal para ajudar na captura dos dois criminosos. Essa foi a primeira vez que internos escaparam de um presídio federal de segurança máxima no país, em um episódio que o secretário tratou como “irrepetível”.
— Estamos totalmente voltados e determinados para a recaptura. Do ponto de vista da recaptura, as ações já estão sendo feitas. É óbvio que tem um perímetro, várias equipes e vários recursos que estão sendo empenhados 24 horas por dia neste recurso. Tecnologias, serviços de inteligência integrados, drones com equipamentos termais, helicópteros da PF, PRF, da Polícia Militar do RN. Todos os meios disponíveis estão a nossa disponibilidade para que a gente possa executar a tarefa do melhor jeito possível — afirmou Garcia.
O secretário, porém, evitou detalhar como se deu a fuga dos dois criminosos sob o argumento que as filmagens ainda estão sendo periciadas.
— Estamos revisando todos os protocolos de segurança das unidades prisionais. Não há chance de acontecer um evento dessa natureza quando esses protocolos são seguidos rigorosamente. O máximo que eu posso passar para vocês de informação nesse sentido, considerando que ainda não temos o laudo pericial concluído. É essa constatação eu posso adiantar: não há possibilidade de você ter em uma unidade prisional uma fuga se os procedimentos de segurança forem observados — disse ele.
Segundo Garcia, a PF já instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da fuga. Um procedimento administrativo também foi aberto pela corregedoria da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen).
— Neste aspecto, partindo também para as medidas de natureza administrativa, todos devem saber que já foi instaurado inquérito policial pela Polícia Federal, e outro procedimento foi instaurado pela corregedoria da Senappen, da Secretaria Nacional — detalhou.
A fuga
Os fugitivos foram identificados como Deibson Cabral Nascimento e Rogério da Silva Mendonça, ambos naturais do Acre. Os dois teriam fugido da penitenciária por uma abertura do teto da cela durante o banho de sol dos detentos. A dupla é ligado a uma facção criminosa com ampla presença no Rio de Janeiro.
Também conhecido como “Tatu” ou “Deisinho” responde a 34 processos na Justiça do Acre, por crimes como formação de quadrilha, tráfico de drogas e roubo. Documentos da Justiça mostram que Deibson já havia fugido e tentado fugir outras vezes da cadeia e é tido como um criminoso de “alta periculosidade”.
Rogério, por sua vez, também é citado em documentos como um criminoso “extremamente frio”. Seu perfil violento é evidenciado na pele. Em fotos que constam nos registros penitenciários, é possível notar que ele exibe o símbolo nazista da suástica tatuado numa das mãos.
A dupla foi transferida para Mossoró em 27 de setembro de 2023 e deveriam ficar na unidade prisional até o dia 25 de setembro de 2025.
Medidas tomadas
O Ministério da Justiça e Segurança Pública tomou uma série de medidas desde a fuga e acionou a Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF) para auxiliarem na recaptura dos fugitivos. A PF abriu uma inquérito para investigar o caso e usará drones nas buscas pelos detentos.
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, também determinou o afastamento da atual direção da penitenciária e escalou um interventor para comandar a gestão da unidade. A pasta afirmou em nota que o policial penal que assumirá o comando já está em Mossoró. “Ele embarcou para o local, na tarde desta quarta-feira (14), com o Secretário Nacional de Políticas Penais, André Garcia”.
Segurança máxima
Além da unidade de Mossoró, o Sistema Penitenciária Federal possui outras quatro unidades, localizadas em Catanduvas (PR), Campo Grande (MS), Porto Velho (RO) e Brasília (DF).
A penitenciária de Mossoró fica a 277 quilômetros da capital Natal, e foi inaugurada em 3 de julho de 2009. A unidade é projetada para receber até 208 presos, o local é uma reprodução do modelo de unidades de segurança máxima norte-americanas, conhecidas como “Supermax”, conforme descrição do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Com informações do Jornal O GLOBO.








