G1 – As investigações por desvio de dinheiro contra o padre Robson de Oliveira, na Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), em Trindade (GO), continuam tendo desdobramentos. Documentos apontam que o pároco teria se envolvido amorosamente com pelo menos dois membros da comunidade.
O conteúdo usado por hackers para extorquir cifras milionárias do padre Robson Oliveira Pereira, de 46 anos, que comandava a Basílica do Divino Pai Eterno em Trindade, na Região Metropolitana da capital, cita dois supostos casos amorosos do pároco, segundo depoimentos colhidos pela Justiça junto ao Ministério Público de Goiás e à Polícia Civil, que investigaram o caso. Ao todo o padre pagou R$ 2,9 milhões com dinheiro da Associação dos Filhos do Divino Pai Eterno (Afipe) em troca do arquivamento das mídias. Foi esse processo que desencadeou a operação que investiga desvio de doações de fiéis.
Consta nos autos que um dos sentenciados pelo crime, Welton Ferreira Nunes Júnior, disse que dois casos amorosos foram usados para chantagear o padre, um deles teria ocorrido com o próprio Welton. “Observa-se que os acusados foram responsáveis por transmitir as ameaças à pessoa da vítima [Robson], por meio de mensagens em aplicativos e e-mails. Nessas, disseram os acusados que a vítima possuiria relacionamento amoroso com diversas pessoas, inclusive com o próprio Welton”, consta na decisão do juiz Ricardo Prata, da 8ª Vara Criminal de Goiânia.
O caso de extorsão começou em 2018, quando um grupo teria entrado em contato com o padre por e-mail ameaçando enviar à imprensa e ao Vaticano fotos pessoais do religioso e prints de trocas de mensagens entre ele e pessoas com as quais ele supostamente manteria relações amorosas. Robson só levou o caso de chantagem à polícia se passado dois meses do primeiro contato.
A defesa do religioso nega que as informações usadas para a chantagem sejam verdadeiras, mas confirma que ele efetuou os pagamentos com dinheiro da associação.
EXTORSÃO
A mencionada decisão atesta que várias ameaças foram feitas usando perfis falsos, exigindo, segundo os autos, “quantias imensas” da vítima para a não divulgação das supostas imagens e informações que poderiam macular a imagem do sacerdote e da instituição que presidia, Afipe.
O juiz afirmou que as ameaças intimidaram o sacerdote a ponto de ele efetuar pagamentos dos valores para fazer a vontade dos chantagistas. Na decisão, o padre disse que se viu muitas vezes incapaz de celebrar missas por ter sido afetado pelo medo.
OUTRO LADO
Em nota, a defesa do padre Robson disse que “todo o conteúdo das mensagens é falso, o que comprova que ele foi vítima de criminosos de altíssima periculosidade. Os responsáveis já foram condenados pelo Judiciário e cumprem rigorosas penas. O processo está em segredo de Justiça, conforme decisão do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, o que é respeitado integralmente pela defesa”. A defesa disse ainda que “padre Robson foi vítima de extorsão, tendo buscado suporte da Polícia Civil, que monitorou as transações, e culminou na prisão dos extorsionários. Já houve sentença, e os criminosos foram punidos pelo Judiciário com severidade. Não havia qualquer conteúdo verídico como objeto das ameaças”.








