Novas denúncias do MPF mostram como a organização criminosa de Cabral se estruturou no Transporte;
Da redação
Na entrevista de hoje, os procuradores do Ministério Público Federal disseram, ainda, ter constatado que, para desviar os recursos e remetê-los ao exterior, a organização criminosa se estruturou em quatro núcleos interdependentes.
Outra estratégia foi movimentar cifras milionárias fora do sistema bancário, recolhidas em garagens de empresas de ônibus e guardadas em transportadoras de valores.
NÚCLEOS DA ORGANIZAÇÃO
Político – Ex-governador Sérgio Cabral, que seria o líder da organização;
Econômico – Formado por donos de empresas de ônibus à frente da Fetranspor;
Administrativo – Integrado por gestores do estado que pediam vantagens indevidas pagas por empresários;
Financeiro-operacional – Responsável por operações para lavar ativos;
“É nítido que, por um lado, o ex-governador Sérgio Cabral concedeu benefícios tributários para as empresas de ônibus, abrindo mão de receitas importantes para o combalido orçamento do Estado do Rio de Janeiro. Tais benesses, no entanto, não foram consideradas pelo então presidente do Detro, Rogério Onofre, para reduzir os valores das tarifas pagos pelos usuários do serviço público de transportes ou ao menos para diminuir o seu percentual de aumento”, afirmaram os procuradores da República Eduardo El Hage, Fabiana Schneider, José Augusto Vagos, Leonardo Cardoso de Freitas, Marisa Ferrari, Rafael Barreto, Rodrigo Timóteo e Sérgio Pinel, autores das denúncias.
Para levantar a real dimensão do esquema, as investigações contaram com informações obtidas junto a colaboradores, como o ex-presidente do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, Jonas Lopes Júnior, e doleiros que operavam a contabilidade da propina.
Outras fontes da investigação incluíram dados telemáticos e telefônicos, material arrecadado em buscas e provas colhidas em operações anteriores da força-tarefa Lava Jato, Calicute e Eficiência.
“Há um farto material colhido que comprova os atos ilícitos e que levaram aos fatos agora divulgados. É, até o momento, a maior quantia transferida ao ex-governador de que se tem notícia. As investigações continuam e fatos novos podem surgir, inclusive, envolvendo outras secretarias”, disse o procurador José Augusto Vagos.
14 DENÚNCIAS CONTRA CABRAL
Ao aceitar mais duas denuncias protocolizadas contra Sérgio Cabral, a 7ª Vara da Justiça Federal fez com que o ex-governador passasse a responder por 14 processos, incluindo o em que já foi condenado a 14 anos e 2 meses de prisão pelo juiz Sérgio Moro, em Curitiba, e do qual está recorrendo.
Preso desde novembro do ano passado, acusado de chefiar um esquema de corrupção que teria desviado centenas de milhões de reais dos cofres públicos, Cabral foi transferido, em maio último, do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na zona oeste da cidade, para um presídio em Benfica, na zona norte.
Lá, ficava o antigo Batalhão Especial Prisional (BEP), que, depois de reformado, passou a abrigar detentos com diplomas de nível superior, ou acusados de inadimplência com o pagamento de pensão alimentícia.
As últimas duas denúncias feitas pelo MPF decorrem da Operação Ponto Final, que levou para a prisão pessoas ligadas a empresas de ônibus, desmantelando, segundo os procuradores, um dos mais antigos esquemas de corrupção do estado.
*Agência VIU! com EBC








