Com uma coleção de inimigos que reúne políticos, juízes e promotor, ex-governador do Rio sabe que é um homem marcado;
O jejum do ex-governador Anthony Garotinho no Complexo Penitenciário de Bangu, no Rio de Janeiro, é interpretado como mais uma jogada de marketing, mas não é. É um ato de desespero mesmo. Ele sabe que diante da perseguição judicial implacável no Estado do Rio, onde denunciou boa parte da classe política, membros do judiciário e um integrante do MP, suas chances de defesa são mínimas e de sobrevivência totalmente arriscadas.
Sua abstinência alimentar tem um propósito: quer ser ouvido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no caso em que denuncia os dois juízes envolvidos na sua prisão. São denúncias que se arrastam.
Na tarde deste sábado, o filho de Anthony Garotinho, Anthony Matheus, em solidariedade ao pai, também anunciou o início de um jejum. VÍDEO:
https://www.facebook.com/anthonymatheuss/videos/1626753757346066/
Fonte: Facebook
Garotinho é um homem marcado para continuar no cárcere. A menos que haja um julgamento isento, fora da esfera regional. Até lá sua vida será um tormento. E o momento não poderia ser pior. O país está imerso em um clima policialesco típico das ditaduras. E os noticiários gostam do espetáculo proporcionado pelas ações policiais. Entre as generalizações, pouca gente sabe, por exemplo, diferenciar o crime políticos do qual ex-governador é acusado, dos crimes de corrupção envolvendo a Lava Jato. Todo mundo acha que é a mesma coisa ou farinha do mesmo saco.
ACUSAÇÕES
Na Operação Caixa D’Água, o ex-governador é acusado de receber dinheiro de empresas, por meio de caixa 2, para financiar campanhas eleitorais, enquanto que na Lava Jato, os réus são acusados de receber propina para depositar em contas bancárias no exterior ou comprar patrimônio. Em alguns casos, alegam que o dinheiro era destinado a caixa 2 porque é uma conduta que em sucessivas eleições o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tolerou.
Garotinho, ao contrário, sempre gostou de poder e nunca ligou para acumular dinheiro. Não tem patrimônio e muito menos contas no exterior. Até mesmo os delatores afirmam que o suposto repasse de dinheiro era destinado as campanhas eleitorais, mesmo não conseguindo comprovar a entrega desses recursos. A prisão, até o momento, se basei apenas em provas testemunhais.
FÁBRICA DE INIMIGOS
Com mais de três décadas de vida pública, o ex-governador é uma figura polêmica e coleciona adversários. O ex-deputado Claudecir Francisco, aliado circunstancial que virou adversário, certa vez o definiu como “uma fábrica de inimigos”. Há sementes de verdade na afirmação, porque poucos políticos no país catalisam tanto ódio de uma oligarquia local, como é o caso do ex-governador na cidade em que nasceu.
Sob o ponto de vista financeiro, leva uma vida de classe média. Nunca teve apego pessoal a dinheiro ou patrimônio. É fascinado pelo exercício do poder.
Ele tem uma leitura histórica e política admirável, assim como é um exímio jogador de xadrez.
É PRECISO APURAR
O caso envolvendo Garotinho merece uma apuração minuciosa, sobretudo, na cidade de Campos dos Goytacazes-RJ, que tem funcionado como ponta de lança na cruzada contra o ex-governador. É uma cidade atípica em muitos sentidos, principalmente, por não ter uma imprensa devidamente qualificada, isenta e confiável. Tem redações que funcionam como braço operacional de policiais. Em outros tempos isso tinha nome: X9.
*Agência VIU!








