As eleições deste domingo (4) redesenharam parte da Câmara dos Deputados para os próximos quatro anos. Dos 513 parlamentares eleitos, 183 exercerão o primeiro mandato como deputado federal, o equivalente a uma renovação de 35,67% da Casa. A nova legislatura começa em 1º de fevereiro de 2027 e segue até janeiro de 2031.
Além dos estreantes, 301 deputados conseguiram a reeleição, o equivalente a 58,6% dos eleitos, enquanto outros 29 parlamentares que já haviam passado pela Câmara em legislaturas anteriores retornarão ao Congresso. Em 2022, a taxa de renovação havia sido de 39,3%.
Os resultados também revelam movimentos distintos na representação social da Câmara. A presença feminina alcançou um novo recorde, enquanto o número de parlamentares autodeclarados pretos ou pardos diminuiu. Entre os indígenas, a bancada também ficará menor.
Mulheres ampliam espaço na Câmara
A bancada feminina será a maior já registrada na Câmara dos Deputados. Dados divulgados pela própria Casa nesta segunda-feira (5) apontam 109 deputadas na próxima legislatura, ante 90 na composição atual, crescimento de 21,1%. As mulheres ocuparão pouco mais de um quinto das 513 cadeiras.
Do total de deputadas que integrarão a Câmara a partir de fevereiro, 59 foram reeleitas. São Paulo terá a maior representação feminina, com 16 parlamentares, seguido por Minas Gerais, com 11, e Rio de Janeiro, com dez.
O crescimento ocorre mesmo depois de uma eleição na qual as mulheres representaram pouco mais de um terço das candidaturas. Dados do TSE usados para a distribuição de recursos eleitorais apontaram 7.165 candidaturas femininas entre 20.560 registros considerados, correspondentes a 34,85%.
Representação de pretos e pardos diminui
O movimento foi diferente entre os deputados autodeclarados pretos ou pardos. Foram eleitos 135 parlamentares desse grupo, quatro a menos que os 139 escolhidos em 2022.
Com isso, pretos e pardos representarão 26,3% da Câmara. A redução foi de 2,9% em relação à eleição anterior. Dos 135 eleitos, 77 conseguiram renovar seus mandatos.
O resultado contrasta com a participação de pessoas negras entre as candidaturas consideradas pelo TSE para todos os cargos nas eleições de 2026. Nesse levantamento, 10.206 candidatos eram autodeclarados pretos ou pardos, correspondentes a 49,64% do total.
Bancada indígena cai de cinco para três deputados
A representação indígena também diminuiu. Três candidatos autodeclarados indígenas foram eleitos deputados federais em 2026. Em 2022, haviam sido cinco.
Os três eleitos são Paulo Guedes (PT-MG), Juliana Cardoso (PT-SP) e Sônia Guajajara (PSOL-SP). Com três das 513 cadeiras, a representação indígena corresponderá a aproximadamente 0,58% da Câmara.
PL terá a maior bancada
A eleição também alterou o tamanho das bancadas partidárias. O PL conquistou 121 cadeiras e terá o maior grupo da Câmara a partir de 2027.
Na sequência aparecem as principais federações e partidos. Segundo a consolidação divulgada pela Agência Brasil, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, terá 88 deputados; a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, terá 87; o PSD, 43; Republicanos, 41; MDB, 36; e Podemos, 27.
PSB e a Federação PSOL-Rede terão 15 cadeiras cada. PSDB-Cidadania terá 11; Novo, dez; PRD-Solidariedade, sete; PDT, seis; Avante, cinco; e Missão, uma.
A distribuição das cadeiras terá impacto direto na organização da Câmara, já que o tamanho das bancadas influencia a participação nas comissões, a formação de blocos parlamentares e a composição de espaços de liderança.
Câmara terá 183 estreantes
Embora mais de um terço dos deputados seja de primeiro mandato, a maioria dos integrantes da próxima legislatura já possui experiência na própria Câmara.
A combinação de 183 estreantes, 301 reeleitos e 29 ex-deputados que retornam ao Legislativo completa as 513 cadeiras da Casa. A renovação de 35,67% ficou abaixo dos 39,3% registrados na eleição de 2022.
A fotografia deixada pelas urnas, portanto, combina renovação parcial com mudanças na composição das bancadas. A presença feminina cresce e alcança um patamar inédito, enquanto as representações negra e indígena registram redução. A nova Câmara tomará posse em fevereiro de 2027.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








