*De Época
Myra parecia feliz naquela tarde de abril de 2016. Maquiada, cabelos presos com bobes e de hobby branco, posou para fotos aos pulos em cima da cama. Fez o símbolo do coração com as mãos.
Era seu dia de noiva. Ela se casou com um advogado carioca nos jardins de uma residência em Araras, na região serrana do Rio de Janeiro. Mas a festa durou pouco.
Dois anos depois, o casamento chegou ao fim. Na sequência, ela iniciou um romance com o doleiro Dario Messer , que mudou sua vida de forma significativa.
Atualmente, aos 27 anos, Myra de Oliveira Athayde (filha da ex-deputada Alcione Athayde) está em uma cela do Instituto Penal Oscar Stevenson, em Benfica, onde aguarda transferência para o Complexo de Gericinó, em Bangu.
Nascida em Campos, na Região Norte do estado do Rio, Athayde teve prisão preventiva decretada na última terça-feira, durante a Operação Patrón, um desdobramento da Lava Jato.
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), a namorada de Messer passou a fazer parte do núcleo administrativo do esquema criminoso montado pelo doleiro. Athayde é acusada de operar dinheiro ilegal em quatro países: Brasil, Estados Unidos, Argentina e Paraguai.
Desde o início do relacionamento do casal, as investigações da Polícia Federal demonstram que Athayde, sua mãe e seu padrasto — também presos na mesma operação — passaram a trabalhar na ocultação e transferência de valores provenientes de práticas ilícitas para fora do Brasil.
Athayde é apontada como a responsável por articular as retiradas de valores com os doleiros amigos de Messer no Paraguai e a entrada de tais montantes no Brasil.
Segundo o MPF, ela conseguiu “em tempo recorde, com pelo menos indícios de facilitação ou favorecimento”, a Cédula de Identidade Paraguaya, por meio da Immigra Paraguay, empresa de assistência a estrangeiros com interesse em residir no país.








