O período das convenções partidárias começou com a confirmação do primeiro nome oficialmente escolhido para disputar a Presidência da República em 2026.
O partido Missão homologou, nesta segunda-feira (20), a candidatura de Renan Santos ao Palácio do Planalto e iniciou sua participação na primeira eleição desde a criação da legenda.
Realizada por videoconferência, a convenção também aprovou o tenente-coronel da reserva Aroldo Medina como candidato a vice-presidente. A chapa ainda deverá cumprir a etapa de registro perante a Justiça Eleitoral para participar oficialmente da campanha.
O encontro estava inicialmente previsto para 1º de agosto, mas foi antecipado. Segundo o Missão, a mudança ocorreu para que Renan pudesse ser incluído no esquema de proteção disponibilizado pela Polícia Federal aos candidatos presidenciais, após o político relatar ameaças atribuídas a organizações criminosas. As acusações sobre essas intimidações foram apresentadas pelo candidato e ainda dependem da apuração das autoridades.
Evento público continua marcado para agosto
Apesar da antecipação da convenção, o partido manteve para 1º de agosto o evento público de lançamento da candidatura.
A programação deverá reunir dirigentes, filiados e apoiadores, além de apresentar o chamado Livro Amarelo, documento no qual o Missão concentra as diretrizes de seu programa para áreas como economia, educação, segurança pública, infraestrutura e reorganização do Estado.
A legenda utilizará o encontro para ampliar a divulgação de suas propostas e marcar o início de uma campanha nacional conduzida por uma estrutura partidária recém-formada.
O projeto presidencial também será importante para apresentar o partido a eleitores que conhecem o Movimento Brasil Livre, mas ainda não identificam o Missão como uma legenda independente.
Partido participará da primeira eleição
O Missão foi registrado pelo Tribunal Superior Eleitoral em 4 de novembro de 2025. A sigla recebeu o número 14 e possui Renan Antonio Ferreira dos Santos como presidente nacional.
A eleição de 2026 será a primeira enfrentada pelo partido. Além da candidatura presidencial, a legenda precisará organizar chapas para a Câmara dos Deputados, o Senado, os governos estaduais e as assembleias legislativas.
A construção dessas estruturas será um dos principais desafios da campanha. Partidos novos precisam estabelecer diretórios, selecionar candidatos, organizar equipes jurídicas e contábeis e cumprir as exigências de financiamento e prestação de contas.
O desempenho nas eleições proporcionais também será fundamental para a continuidade da legenda. A votação obtida pelos candidatos à Câmara influencia o acesso partidário a recursos públicos e ao tempo de propaganda nos anos seguintes.
Origem está ligada ao MBL
O partido nasceu de uma articulação conduzida por integrantes do Movimento Brasil Livre, organização que ganhou projeção nacional durante os protestos favoráveis ao impeachment da então presidente Dilma Rousseff.
O MBL foi criado em 2014 e passou a atuar em manifestações, campanhas digitais e debates políticos. Posteriormente, integrantes do grupo concorreram a cargos públicos por diferentes partidos.
A criação do Missão representou a tentativa de transformar essa atuação em uma estrutura eleitoral própria, com programa, direção nacional e possibilidade de lançar candidatos sem depender de acordos de filiação com outras legendas.
Renan Santos, um dos fundadores e principais dirigentes do movimento, foi escolhido para liderar o novo projeto partidário e disputar a Presidência em sua primeira participação direta como candidato a um cargo eletivo.
Aroldo Medina integra a chapa
A convenção confirmou o militar da reserva Aroldo Medina, de 62 anos, como candidato a vice-presidente.
Medina integrou a Brigada Militar do Rio Grande do Sul durante aproximadamente três décadas e já participou de outras disputas eleitorais. Ele concorreu ao governo gaúcho e à Prefeitura de Canoas por diferentes legendas antes de ingressar na formação da chapa do Missão.
A escolha de um nome ligado à área da segurança acompanha a importância atribuída pelo partido ao combate ao crime organizado.
Durante a pré-campanha, Renan adotou um discurso de endurecimento das políticas de segurança e apresentou propostas voltadas ao enfrentamento de facções criminosas. O conteúdo completo dessas medidas deverá ser detalhado no programa que será apresentado em agosto.
Registro ainda será analisado
A realização da convenção transforma Renan Santos em candidato escolhido pelo partido, mas não encerra o processo eleitoral.
O Missão precisa transmitir à Justiça Eleitoral a ata e a lista de participantes da convenção. Em seguida, deverá apresentar os pedidos de registro dos integrantes da chapa presidencial dentro do prazo legal.
Os partidos, as federações e as coligações têm até 15 de agosto para solicitar o registro das candidaturas. A propaganda eleitoral geral nas ruas e na internet será autorizada a partir do dia seguinte.
O Tribunal Superior Eleitoral analisará documentos, filiação, domicílio eleitoral e demais condições exigidas pela legislação.
Os registros também poderão ser questionados pelo Ministério Público Eleitoral, por partidos, coligações ou candidatos, conforme os procedimentos previstos para o pleito.
Convenções seguem até 5 de agosto
O calendário eleitoral permite que partidos e federações realizem convenções entre 20 de julho e 5 de agosto.
Esses encontros podem ocorrer presencialmente, de maneira virtual ou em formato híbrido. Neles, as legendas escolhem seus candidatos e decidem sobre coligações para os cargos majoritários.
Em 2026, os brasileiros votarão para presidente e vice-presidente, governador e vice-governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual ou distrital.
O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Caso nenhuma candidatura presidencial ou estadual alcance a maioria dos votos válidos, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.
A abertura das convenções deverá reduzir gradualmente o número de pré-candidatos e esclarecer quais partidos apresentarão nomes próprios ou formarão alianças.
PDT confirma apoio à reeleição de Lula
No mesmo dia da convenção do Missão, o PDT decidiu não lançar candidatura presidencial própria e aprovou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A decisão foi tomada por unanimidade durante a Convenção Nacional Partidária e Eleitoral realizada na sede do partido, em Brasília. O encontro também escolheu os integrantes do novo Diretório Nacional da legenda.
O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, afirmou que o apoio não estaria condicionado à obtenção de cargos no governo. Segundo o partido, a aliança foi justificada pela defesa da democracia, da soberania nacional e de bandeiras históricas do trabalhismo.
A decisão deverá influenciar as negociações estaduais, embora os diretórios regionais ainda precisem organizar suas próprias candidaturas e composições.
A presença do PDT poderá contribuir para a estrutura da campanha de Lula, incluindo a construção de palanques, a mobilização de militantes e a composição do tempo destinado à propaganda eleitoral.
Candidatura busca espaço fora da polarização
Ao lançar uma chapa própria, o Missão tenta construir um espaço entre os eleitores que rejeitam tanto o governo do PT quanto as forças políticas ligadas ao bolsonarismo.
A estratégia permite que o partido apresente seu programa diretamente nos debates presidenciais e amplie o conhecimento nacional de sua marca.
Por se tratar de uma legenda recém-registrada, a campanha enfrentará limitações de estrutura e capilaridade em comparação com partidos estabelecidos há décadas.
O Missão terá de ampliar sua presença nos estados, formar equipes locais, conquistar alianças e divulgar um candidato que nunca disputou uma eleição.
Ao mesmo tempo, a candidatura presidencial poderá impulsionar os nomes apresentados pelo partido para os cargos proporcionais, especialmente nos estados onde o MBL já possui militantes e lideranças conhecidas.
Primeira campanha será teste para o partido
O resultado presidencial será apenas uma das medidas utilizadas para avaliar o desempenho do Missão em sua estreia.
A quantidade de deputados federais eleitos terá influência direta sobre a capacidade de o partido participar do Congresso, acessar recursos e manter presença nos debates nacionais.
As eleições estaduais também revelarão se a estrutura criada a partir do MBL consegue ultrapassar a atuação nas redes sociais e se transformar em organização política com presença territorial.
Renan Santos chega à disputa com o objetivo de apresentar o novo partido, defender suas propostas e construir uma identidade própria diante das forças que atualmente dominam o cenário nacional.
Com a convenção concluída, o Missão inicia agora as etapas de registro, lançamento público e organização da campanha.
A confirmação da chapa formada por Renan Santos e Aroldo Medina acrescenta uma nova alternativa à eleição presidencial e inaugura o primeiro teste nacional de uma legenda que tenta converter anos de atuação política do MBL em representação institucional.
*Da Agência Fonte Exclusiva








