PF faz buscas na casa de Vital do Rêgo e de ex-presidente da Câmara Marco Maia; investigação apura cobrança de propina durante a CPMI da Petrobras
Da redação
A Polícia Federal (PF) cumpriu nesta segunda-feira (05/12) mandados judiciais em Brasília, na Paraíba e no Rio Grande do Sul em endereços pessoais, funcionais e empresariais relacionados ao ex-presidente da Câmara dos Deputados Marco Maia (PT-RS) e ao ex-senador e ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Vital do Rêgo (foto acima), relator e presidente, respectivamente, da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras, instalada em 2014.
A chamada Operação Deflexão cumpriu nove mandados expedidos pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, referentes ao Inquérito 4.261 instaurado no âmbito da Operação Lava Jato. A ação tem apoio do Ministério Público Federal e da Receita Federal.
“O inquérito apura se parlamentares teriam solicitado contribuição financeira aos empresários para que não fossem convocados a prestar depoimento na CPMI. Os executivos afirmam ter repassado valores superiores a R$ 5 milhões para evitar retaliações e contribuir para campanhas eleitorais”, informou a corporação por meio de nota.
O nome da operação faz referência ao verbo defletir, que significa provocar mudança ou alteração no posicionamento normal de algo. Uma alusão, segundo a PF, ao fato de que, mediante propina, empreiteiros investigados passaram à condição de blindados de uma eventual responsabilização.
DEPUTADO NEGA ACUSAÇÃO
O deputado Marco Maia usou as redes sociais para posicionar-se em relação ao parecer que apresentou à CPMI. Ele argumentou que em nenhum momento atuou para “livrar, privilegiar ou proteger algum dos investigados”. Segundo ele, seu parecer recomendou o indiciamento de 53 pessoas e propôs ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a investigação de 20 empresas suspeitas de formação de cartel.
Ao condenar a ação da PF, Maia disse que até hoje não foi chamado para defender-se das acusações feitas contra ele em processo investigativo aberto em maio passado. Ainda de acordo com o ex-presidente da Câmara, a ação se deu com “total despropósito” uma vez que ele sempre esteve à disposição das investigações. Segundo ele, a ação ocorreu num contexto de “espetacularização e pirotecnia” em cima de fatos que não encontram respaldos.
De acordo com Maia, as “ilações forjadas” por delatores da Operação Lava Jato – que o acusaram de blindar investigados – são uma maneira de retaliação e de vingança por ele não ter cedido às pressões. Entre os delatores ele citou o ex-senador Delcídio do Amaral.
“Eu recebi ligações de Delcídio tentando proteger o investigado Nestor Cerveró. Eu disse para ele, com muita firmeza, que isso não seria possível porque iríamos produzir um relatório baseado nas investigações, e todos aqueles que devessem ser punidos seriam indiciados”, disse.
Maia acrescentou: “Ele [Delcídio] é um grande mentiroso, sem caráter, que trouxe o meu nome eivado de mágoas, porque a CPMI de 2014 foi a primeira a produzir o indiciamento do seu protegido, o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Até então, Cerveró não tinha sido tratado como investigado por parte de nenhuma instância, nem pelo Ministério Público Federal, nem pela Polícia Federal”.
“NÃO TENHO IRMÔ
Em relação às acusações feitas pelo delator Júlio Camargo, da Toyo Setal, o deputado disse que ele “mentiu descaradamente” nas acusações que fez ao afirmar que se reuniu com ele [Maia] em Brasília na casa de uma irmã do parlamentar.
“Não tenho irmã, possuo apenas dois irmãos. Portanto, essa irmã não poderia ter propriedade no Lago Sul, e eu não poderia ter me reunido com esse cidadão na casa da minha irmã”, disse. Maia informou que Camargo foi um dos indiciados no seu relatório na CPMI.
Em nota oficial, a bancada do PT na Câmara denunciou o que chamou de “espetacularização desnecessária da ação da Polícia Federal” no cumprimento de mandado de busca e apreensão na casa de Maia.
“A bancada denuncia a forma e questiona o conteúdo jurídico e político da ação da Polícia Federal”, diz trecho da nota.
Segundo o PT, durante o trabalho de relator da CPMI da Petrobras em 2014, Marco Maia comportou-se de forma transparente e todas as suas decisões foram públicas e aprovadas pela comissão.
“A bancada expressa sua confiança em Marco Maia e reitera sua expectativa de que as investigações ocorram seguindo os princípios constitucionais e não sejam meramente operações seletivas e arbitrárias”, concluiu o documento assinado pelo líder do partido, deputado Afonso Florense (BA).
*EBC








