A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) voltou a criticar o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PSDB) nas redes sociais nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026. A nova manifestação ocorreu em meio às discussões sobre uma possível aproximação entre o PL e o grupo político de Ciro no Ceará.
Michelle publicou trechos de uma entrevista recente de Ciro à revista Veja, na qual o ex-governador fez críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em uma das declarações destacadas pela ex-primeira-dama, Ciro afirmou que Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seriam “iguais”. A fala foi interpretada por aliados bolsonaristas como um novo obstáculo para qualquer composição política entre os grupos.
A ex-primeira-dama também compartilhou outro trecho em que Ciro descarta apoiar Flávio Bolsonaro em uma eventual disputa presidencial. Flávio vem sendo tratado pelo PL como pré-candidato ao Palácio do Planalto em 2026, movimento que elevou o peso das negociações estaduais dentro da estratégia nacional do partido.
Ao comentar o caso, Michelle afirmou que a articulação em torno de Ciro no Ceará não teria como objetivo principal derrotar o PT, mas sim atender a interesses de poder. “Nunca foi para tirar o PT, e sim por projetos de poder. Já gravei um vídeo explicando o que aconteceu no Ceará e vou publicá-lo em breve”, escreveu.
A resistência de Michelle à aproximação entre PL e Ciro não é recente. Ainda em 2025, ela já havia se manifestado contra uma eventual aliança com o ex-governador cearense. Na ocasião, declarou que não seria possível apoiar “o homem que é contra o maior líder da direita”, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
As declarações anteriores provocaram atritos dentro do próprio campo bolsonarista. Filhos de Jair Bolsonaro criticaram a postura de Michelle, e o episódio contribuiu para expor divergências internas sobre a estratégia eleitoral da direita no Ceará. As negociações entre PL e Ciro chegaram a perder força após a repercussão.
No Ceará, a discussão envolve não apenas a disputa estadual, mas também a formação de palanques para a eleição presidencial. Para uma ala do PL, uma composição com Ciro poderia ampliar a competitividade contra o grupo governista local. Para Michelle e aliados próximos, porém, o histórico de críticas de Ciro ao bolsonarismo inviabiliza uma aliança política.
O novo embate mostra que a construção das chapas de 2026 ainda deve passar por disputas internas, especialmente nos estados onde o PL tenta conciliar pragmatismo eleitoral, alianças regionais e fidelidade ao núcleo bolsonarista. Por enquanto, Michelle mantém posição contrária à aproximação com Ciro, enquanto dirigentes partidários ainda avaliam os custos e benefícios de uma eventual composição no Ceará.
*Da Agência Fonte Exclusiva








