Partido dissolve executiva estadual e faz comunicado por meio de Whatsapp; relação azedou em função do alinhamento da legenda com Temer;
O ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, sofreu nesta terça-feira (16) o que considera uma apunhalada da direção nacional do PR, leia-se do ex-deputado Valdemar Costa Neto. A executiva nacional dissolveu a comissão provisória no Estado e o destino da legenda ainda é incerto.
A relação de Garotinho com o PR se conturbou em função do alinhamento da legenda com o governo Temer. Deteriorou-se ainda mais quando a deputada Clarissa Garotinho, filha do ex-governador, entrou em rota de colisão com a bancada na Câmara Federal. Tanto Garotinho quanto a filha são totalmente contrários à agenda de reformas de Temer. O PR apoia. Clarissa deixou o ninho e filiou-se ao PRB. A ruptura estava traçada. Foi só uma questão de tempo.
O CARA QUE MANDA
Valdemar Costa Neto, condenado no mensalão, é operador nacional dos arranjos em Brasília. É o homem que manda no PR. Sua máquina partidária contabiliza apenas bancada de parlamentares federais. Para ele pouco importa se tem vereador ou deputado estadual. Esses são apenas formiguinhas. Já bancada federal é sinônimo de poder de negociação, barganha, cargos e fundo partidário.
Com Garotinho no comando no RJ, alguns deputados Federais da bancada carioca desertaram. Este foi o caso, por exemplo, do deputado Altineu Cortes, que agora avalia a possibilidade de regressar.
Em seu blog, Garotinho minimiza o revés: “Já esperava por isso. A última vez que estive no PR, em Brasília, foi extremamente constrangedora. Na saída, me deparei com um prefeito eleito com o meu apoio levando a tiracolo Índio da Costa para obter o apoio do PR”, escreveu.
“Eu não sei se devo lamentar ou comemorar a decisão. Talvez seja a hora de eu me reencontrar com meus princípios históricos, os quais nunca abandonei: o nacionalismo, o trabalhismo e a defesa do povo”, destaca em outro trecho do post.
Em visita à Campos dos Goytacazes, sua cidade natal, no último final de semana, Garotinho reafirmou sua disposição de concorrer ao governo do Estado. Ainda é possível que seja. Não se sabe por onde. Há quem diga que deverá se filiar ao PRB do prefeito do Rio Marcelo Crivella. Ele não confirma. Se isso acontecer, estará alinhado à máquina da Prefeitura carioca, ao rebanho da Igreja Universal do Reino de Deus e gozará no mínimo de uma simpatia do grupo Record. Garotinho é um típico adversário indigesto. Quando é atingido por um coice, involuntariamente, o adversário o afasta da porta do inferno.








