Filho de Jair Bolsonaro usa imprensa alinhada para justificar movimentações financeiras e general Mourão diz que crise não está relacionada ao governo;
O senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) está realizando um périplo em programas de TV alinhados ao governo para explicar as misteriosas movimentação de dinheiro em sua conta bancária e o pagamento de um título no valor de R$ 1 milhão.
Em duas entrevistas exibidas na noite deste domingo (20), na na TV Record e outra na Rede TV, ele afirmou que o pagamento de R$ 1 milhão de um título bancário da Caixa Econômica é referente a um apartamento que ele comprou na planta.
A quantia foi enviada, segundo a reportagem, em 48 depósitos no valor de R$ 2 mil, realizados em espécie no autoatendimento da agência bancária que fica dentro da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio).
Na sexta-feira, a TV Globo revelou que o filho do presidente Jair Bolsonaro recebeu R$ 96 mil em um período de cinco dias, entre junho e julho de 2017.
No sábado, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) destacou o pagamento no valor de R$ 1.016.839 de um título bancário da Caixa.
Flávio Bolsonaro justificou neste domingo dizendo que a Caixa quitou a dívida dele com a construtora e que dessa maneira, ele passou a dever para a Caixa.
MOURÃO TANTA AFASTAR O “BODE DA SALA”
O odor já exala nos corredores do Palácio do Planalto. Ao comentar o tema em entrevista à Reuters, o presidente em exercío, Hamilton Mourão, afirmou que o caso Flávio Bolsonaro não está relacionada ao governo, disse o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) em entrevista à Reuters neste domingo (20).
“É preciso dizer que o caso Flávio Bolsonaro não tem nada a ver com o governo”, disse Mourão, referindo-se ao senador eleito do Rio de Janeiro. Mourão se tornará presidente interino na noite de domingo, depois que Bolsonaro viajar para o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.
Mourão também disse que as investigações ainda não foram concluídas. O jornal O Globo informou neste domingo que Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro, movimentou R$ 7 milhões entre 2014 e 2017.
Reportagem publicada pela Folha de São Paulo mostra que Flávio Bolsonaro dividiu nos últimos 13 anos de sua atividade parlamentar com atuação no mercado imobiliário.
“Flávio entrou na política com um Gol 1.0, em 2002. Quinze anos depois, tem dois apartamentos e uma sala que, segundo a prefeitura, valem R$ 4 milhões. Ele realizou operações envolvendo 19 imóveis na zona sul do Rio de Janeiro e Barra.
A maior parte são 12 salas do Barra Prime, um prédio comercial. Todas foram vendidas para a MCA Participações, empresa que tem entre os sócios uma firma do Panamá. Ela adquiriu as salas de Flávio em novembro de 2010, 45 dias depois de o deputado ter comprado 7 das 12 salas”, diz um trecho da reportagem.








