A ex-enteada do médium Paulo Roberto Roveroni, preso por suspeita de estupro de vulnerável, relatou que sofreu abusos sexuais e psicológicos dele por 22 anos.
Paulinho de Deus, como é conhecido, mantém o centro espírita Paulo de Tarso, em Catanduva, onde foi preso após a denúncia dela à polícia.
Ao G1, a jovem, hoje com 24 anos, contou que os estupros começaram quando ela tinha apenas dois anos. “Ele ficava pelado na minha frente e colocava minha mão no pênis dele”, ressalta.
“Esses abusos, estupros, foram progredindo. Ele era meu padrasto, e ainda pior, dirigente da associação. Então, ele sempre foi uma pessoa conhecida, considerado caridoso, educado, que ajuda os pobres.”
A jovem relatou que a violência sexual mudou seu comportamento. Enquanto seus pais queriam levá-la para a terapia, Paulinho teria sugerido que ela buscasse o espiritismo para melhorar.
“A minha mãe nunca desconfiou, mas achava que tinha algo errado comigo. Como eu fui criada desde os meus 2 anos com o meu agressor em casa, eu o defendia. Não entendia direito o que acontecia, que eu era de fato violentada.”
“Ele sempre usou uma manipulação psicológica muito forte comigo, muito bem embasada. Usava sempre a religião e as obras assistenciais que ele fazia na associação como forma de passar toda essa lavagem cerebral também. Eu fui estuprada por muitos anos assim por não entender o que era errado”, disse.
A ex-enteada de Paulinho de Deus disse que só teve coragem de falar sobre os crimes no dia 1º de fevereiro, quando ele e a mãe dela brigaram.
“Eu vi que era aquela a hora de contar, porque de alguma forma eu estava um pouco mais segura com ele fora de casa. […] Me fala como uma vítima de estupro conta que está sendo estuprada com o próprio agressor dentro de casa, vigiando, sabendo cada passo?”.
Depois que a denúncia foi registrada, a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Catanduva instaurou inquérito e pediu a prisão do suspeito.
Paulo Roberto Roveroni foi preso na última quinta-feira (4), por policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Catanduva. Ele será transferido para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Serra Azul (SP).
Após a prisão, a mãe da vítima falou sobre o caso nas redes sociais.
“Esse ser precisa ser desmascarado de ‘homem bom’. Enganou a todos e continua enganando muitas pessoas desavisadas. Ele deve pagar pelos seus crimes, ajudem. Só queremos justiça. Ele não pode mais estragar vidas de pessoas, de famílias. É lamentável e cruel”, escreveu em um trecho do post.
A ex-enteada também disse que outras duas pessoas próximas a Paulinho de Deus relataram abusos sexuais cometidos por ele. Na segunda-feira (8), uma delas denunciou o médium à polícia e o caso será investigado.
“Faço terapia desde o ano passado e falei para o meu psicanalista que nunca me imaginei denunciando o famoso Paulo Roveroni, porque ele é muito conhecido na cidade e eu sempre me achei uma formiga perto dele, como todas as outras vítimas acham que são também.”
“Por isso eu tenho dó das crianças que vão na associação. Lá tem projetos e trabalhos de assistencialismo. Me fala como você, criança pobre e sem conhecimento ou maturidade, vai denunciar o líder de um lugar que dá comida para sua mãe?”
Em nota enviada à TV TEM, a defesa de Paulo afirmou que as acusações que fizeram, além de infundadas, não retratam a realidade dos fatos.
“Será demonstrado, através de provas documentais e testemunhais que referidas acusações foram realizadas com o objetivo de manchar a reputação de Paulo e do Centro Espírita Paulo de Tarso”, afirmou.
A defesa também informou que Paulo e a Associação Espírita Beneficente Paulo de Tarso, por meio de seus procuradores, já alertam que, em caso de compartilhamento de mensagens que desmoralizam Paulo e a associação, medidas judiciais serão tomadas.
“Eu tenho traumas psicológicos que vão ficar pra sempre comigo por conta de todos os abusos que sofri por causa dele, mas com a denúncia e com ele preso, eu sinto que a justiça está, enfim, sendo feita”, disse a vítima.
“Fiquei feliz por ter coragem de denunciar, porque eu sinto que estou protegendo outras crianças e mulheres, fazendo justiça por elas, por quem já sofreu e por quem poderia vir a sofrer também, caso ele continuasse solto. Quero que a minha força inspire outras vítimas a se abrirem e contarem, porque não é fácil ser apedrejada e ir contra o Paulo de Deus, uma pessoa tão influente quanto ele.”
As informações são do G1.








