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Especialistas tentam entender motivo de baixa altitude do avião de Marília Mendonça

Estado da aeronave depois do choque com o chão também chamou a atenção de profissionais

redacao Por redacao
07/11/2021 - 13:50
em Política
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O delegado regional da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) Ivan Lopes Sales afirmou, nesta sexta-feira (5), que os médicos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) constataram de imediato a morte da cantora Marília Mendonça, do produtor Henrique Ribeiro, e do tio e assessor Abicieli Silveira Dias Filho, durante um acidente de avião, em Piedade de Caratinga, no oeste do estado.

Cantora morreu nesta sexta-feira (5) em um acidente aéreo em Caratinga, Minas Gerais (Fotos: Divulgação)

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Especialistas em aviação, ouvidos pelo JN, tentam entender o que fez o avião voar tão baixo até bater na linha de transmissão.

O Aeroporto de Ubaporanga, conhecido como Caratinga, tem uma pista de 1.080 metros. A aproximação é feita numa espécie de corredor, com montanhas dos dois lados. E uma linha de transmissão a cerca de 5 km do local.

As investigações indicam que o avião bateu em um desses cabos, um para-raio, que não estava energizado, segundo a companhia elétrica. O que não está claro é por que o avião voava baixo a ponto de bater.

“Ele estava fazendo um voo um pouco abaixo da rampa, por uma decisão que ele achou que deveria ser seguro e manter uma visibilidade horizontal que ele precisava ter”, explica Luiz Eustáquio Morterane, instrutor de voo.

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“Então ele tem uma altura da montanha mais a altura da torre. Então ele deveria estar voando 300 pés, ou algo em torno de 100 metros, acima da torre”, diz Roberto Peterka, especialista em segurança de voo.

Há dois alertas para obstáculos próximos ao aeroporto de Caratinga. O primeiro, de 5 de agosto, destaca a presença de um obstáculo, uma torre. O segundo, de 13 de setembro, aponta para um obstáculo, uma antena. Os documentos, chamados de Infotemp, são emitidos pelo Decea.

 

Em nota, o Decea, o Departamento de Controle do Espaço Aéreo, comunicou que essas informações são públicas e de conhecimento obrigatório para pilotos que pretendem operar no aeródromo de Caratinga.

A nota destaca que os obstáculos que constam no aviso não são os cabos de alta tensão. E completa: “Pelo falo de a linha de transmissão naquele trecho em que ocorreu o acidente estar além dos limites do Plano Básico de Proteção do Aeródromo, esses cabos não fizeram parte da análise, segundo os critérios da Organização de Aviação Civil Internacional”.

“Um piloto que for voar para esse aeroporto, ele vai levantar as informações e vai ver que ali, nas coordenadas geográficas, têm torres e fios de alta tensão”, diz Roberto Peterka.

Geraldo Medeiros conhecia as regras da aviação. Era um piloto experiente, com 15 anos de profissão.

Segundo os especialistas, o aeroporto de Caratinga tem outra característica que pode ter influenciado na decisão da tripulação em voar mais baixo. Ele está numa altitude de 600 metros e está muito sujeito aos efeitos das alterações climáticas, como por exemplo o surgimento de nuvens.

“Quando o teto está baixo, as operações visuais ficam um pouco comprometidas, porque existe uma altitude padrão que o avião deve manter para aproximar para o pouso. E um avião a hélice seria mil pés, aproximadamente 300 metros de altitude, no circuito de tráfego para fazer o pouso”, explica Lito Sousa, especialista em segurança aérea.

Imagens de satélite mostram a condição meteorológica de Caratinga no momento do acidente. Das 14h30 às 15h de sexta-feira (5), a cidade estava encoberta por algumas nuvens. Mas nenhuma muito densa que sugerisse um problema de teto para aviação. Não chovia, e o vento era muito fraco, de 18 km/h.

O estado da aeronave depois do choque com o chão também chamou a atenção dos especialistas.

“O fato da fuselagem estar quase íntegra nesse choque, pode indicar uma baixa velocidade no momento do impacto. Velocidade horizontal. Porque se ele tivesse uma velocidade horizontal elevada, os pedaços se fragmentariam muito mais”, argumenta Lito.

Para Luiz Eustáquio Morterane, instrutor de voo que tem 50 anos de aviação, os dados conhecidos até aqui não indicam que um problema mecânico tenha levado o avião a voar em uma trajetória tão baixa, que se revelaria fatal.

“Se houvesse um problema de falha de motor, ele voa muito bem com o outro motor. É um motor turboélice. Eu acho que não está ligado a problema mecânico. E se estivesse ligado a problema mecânico, a decisão do comandante seria ir para um aeroporto de maior assistência, maiores dimensões, para que ele tivesse uma segurança, um apoio de solo maior”, analisa.

Tags: #Acidentes aéreos#Fatalidade#Marília Mendonça
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