Campanha eleitoral de 2016 será peculiar: financiamentos estarão escassos e justiça ficará vigilante ao uso de caixa 2 |
Como era de se esperar, as movimentações dos partidos com vistas às eleições de outubro começaram efetivamente após o carnaval. Para os pré-candidatos, o momento é de alianças, formação de chapas e escolha de partidos, mas dinheiro sempre foi e continuará sendo uma preocupação. Tanto para quem disputa mandato quanto para quem fiscaliza o processo, porque campanha, por mais simples que seja, gera custos e dependendo do ambiente, a permissividade rola solta.
Não é por acaso que no pleito deste ano a Justiça Eleitoral estará efetivamente aplicando remédios contra o abuso do poder econômico, uma das perversões do ambiente democrático que conduz a corrupção. Será uma caça ao dinheiro por caminhos distintos: muitos candidatos serão tentados a buscar financiamentos por meio de caixa 2 e a justiça, por outro lado, estará com todo o seu aparato, com auxilio da Polícia Federal, procurando apreender. Será uma espécie de jogo entre gato e rato. Quem cair nas garras do felino poderá seguir a rota de vários prefeitos e vereadores que tiveram o mandato cassado.
Para os candidatos a cargo executivo teremos outra peculiaridade: aquele que provocar anulação do pleito implicando na realização de uma nova eleição pagará a conta. Os mecanismos de cobrança foram definidos por meio de uma parceria entre Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Advocacia-Geral da União.
Campanha com o pé no chão
Pela primeira vez nos últimos anos teremos uma eleição atípica: o calendário será curto – 45 dias – e o cenário vai impor restrição financeira, decorrência da crise econômica e das barreiras impostas pela nova legislação. Placas, carros de som, telemarketing, que sempre representaram grandes gargalos, estão proibidos.
Para muitos empresários e fornecedores a ficha ainda não caiu. Persistem na elaboração de orçamento surreal para produção de programas de rádio, TV e material gráfico. É o hábito do cachimbo que deixou a boca torta. São décadas de convivência com dinheiro farto por meio de descaminhos. Surfaram na onda das campanhas milionárias e agora terão que se adequar a nova realidade. Para muitos a campanha 2016 vai suscitar um sentimento nostálgico dos períodos em que disputa eleitoral representava boa fonte de renda. Empresas sempre foram as maiores financiadoras dos anos dourados. A partir de agora, pelo menos no papel, estarão fora. As únicas fontes doadoras permitidas pela legislação são as pessoas físicas.








