O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, voltou a criticar duramente a política dos Estados Unidos contra a ilha e afirmou que há uma tentativa de construir uma “narrativa inversa” para apresentar o país caribenho como um “Estado falido”, responsável por suas próprias dificuldades.
A declaração foi feita durante cerimônia em Havana pelos 65 anos de criação do Ministério do Interior cubano. No discurso, Díaz-Canel associou a crise enfrentada pelo país ao bloqueio econômico, às restrições financeiras e às sanções impostas por Washington ao longo de décadas. A fala ocorreu em meio a uma nova escalada de pressão dos Estados Unidos contra o governo cubano.
Segundo o mandatário cubano, a permanência prolongada do bloqueio é uma das principais formas de pressão sobre a ilha. Ele afirmou que a tentativa de classificar Cuba como um Estado incapaz de funcionar normalmente ignora os efeitos das restrições internacionais sobre importação de alimentos, medicamentos, combustíveis, peças de reposição e acesso a crédito comercial.
Díaz-Canel declarou que o país não nega a existência de problemas internos, mas sustentou que nenhuma nação consegue operar em condições normais quando tem suas finanças internacionais bloqueadas e enfrenta limitações para realizar compras essenciais no exterior.
O presidente também acusou Washington de promover uma “punição coletiva” contra a população cubana. Para ele, as medidas têm como objetivo enfraquecer a resistência política da ilha e forçar o país a abrir mão de sua independência.
“Cuba não se rende. Cuba insiste e resiste”, afirmou Díaz-Canel, ao defender que o país é um Estado agredido, e não um Estado derrotado.
A crise entre Havana e Washington ganhou novos capítulos nos últimos meses. De acordo com a agência Reuters, os Estados Unidos impuseram sanções ao próprio Díaz-Canel, à primeira-dama Lis Cuesta Peraza, a integrantes da família Castro e ao Ministério das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba. As medidas fazem parte da estratégia norte-americana de ampliar a pressão sobre a liderança comunista cubana.
A Reuters também informou que Cuba decidiu suspender transações com cartões Visa e Mastercard a partir de 6 de junho de 2026, atribuindo a medida ao endurecimento das sanções dos Estados Unidos e à saída de parceiros estrangeiros que processavam operações financeiras ligadas à ilha. A decisão tende a afetar principalmente o turismo e o fluxo de pagamentos internacionais no país.
O governo cubano classifica as sanções como uma política de cerco econômico e intervenção. Já Washington afirma que as medidas buscam pressionar o regime por mudanças políticas e responsabilizar autoridades cubanas por violações de direitos e pela manutenção do sistema de partido único.
Para Díaz-Canel, no entanto, a ofensiva norte-americana tenta inverter a origem dos problemas enfrentados pela população. O presidente argumenta que os impactos sociais e econômicos da crise são agravados pelo bloqueio e por medidas que restringem o acesso de Cuba a mercados, crédito e insumos básicos.
A tensão ocorre em um momento de dificuldades internas na ilha, marcada por apagões, escassez de produtos, crise energética, limitações no abastecimento e queda na capacidade de importação. Mesmo diante desse cenário, o governo cubano mantém o discurso de resistência e acusa os Estados Unidos de tentar “dobrar” a soberania nacional por meio da pressão econômica.
*Da Agência Fonte Exclusiva








