Organização Internacional diz que autoridades brasileiras devem apurar violência na eleição de “forma célere e imparcial”;
A Anistia Internacional divulgou uma nota nesta quarta-feira (17), demonstrando preocupação com o cenário de violência instalado no Brasil em meio ao processo eleitoral de 2018. A organização pediu que as autoridades investiguem “de forma célere, independente e imparcial” os possíveis casos de crimes de ódio registrados pelo país.
“A Anistia Internacional vê com preocupação o aumento de episódios de violência durante o período eleitoral que têm sido relatados em diferentes cidades do Brasil. Os casos já divulgados pela imprensa, e outros relatados pelas redes sociais e por sites criados para coletar informações sobre a violência no contexto eleitoral, demonstram que uma grande quantidade de agressões pode ter sido crimes de ódio, motivadas por discriminação racial, de gênero e de orientação sexual e identidade de gênero, ou ainda por razões de opinião política”, escreveu a organização.
Segundo a Anistia, as autoridades brasileiras devem agir prontamente e com a devida diligência para “garantir que os casos de ataques e agressões no contexto eleitoral sejam investigados de forma célere, independente e imparcial, e que os responsáveis sejam levados à justiça”, levando em consideração que “tais casos possam ter sido crimes de ódio motivados pela identificação ou associação indevida ou real da vítima com determinado grupo ou opinião política”.
Ainda de acordo com a organização, alguns candidatos a cargos públicos nestas eleições emitiram declarações que fomentam um contexto de intolerância. Em alguns casos, “poderiam inclusive ser categorizados como de discurso de ódio, que incita a violência e a discriminação”.
“O Brasil, como estado parte do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, tem a obrigação de implementar as medidas necessárias para combater toda forma de discriminação, inclusive por motivo de opinião política.”
SÃO PAULO
Na madrugada de terça-feira (16), uma travesti identificada até o momento como Priscila foi assassinada no centro de São Paulo aos gritos de “Bolsonaro presidente” por parte dos agressores. O crime ocorreu no Largo do Arouche.
“É bem comum discussão aqui nessa região. Sempre tem um vidro quebrando, garrafa. Não é a primeira vez que acontece. O problema é que dessa vez estava bem alto. Eu abri a janela e consegui ver que tinha umas quatro ou cinco pessoas discutindo na frente do bar”, afirmou ao site Ponte Jornalismo uma testemunha que preferiu não se identificar.
Ainda de acordo com a testemunha, no meio da briga foi possível ouvir os gritos de “Bolsonaro presidente” e “com Bolsonaro presidente, a caça aos viados vai ser legalizada”.
RIO DE JANEIRO
Na cidade de Campos dos Goytacazes-RJ, no Norte Fluminense, dois jovens foram baleados na madrugada de sexta-feira (12) por um homem que desceu de um Jetta branco. C.N.F., de 20 anos, e A.S.C., de 19 anos, (os nomes estão abreviados por questão de segurança) estavam próximos ao Centro Social Urbano (CSU de Guarus), na Travessa Santo Elias, no bairro Jardim Carioca. Eles narram que saiam do Clube de Regatas Rio Branco, onde participaram de uma festa.
Segundo as vítimas, antes de efetuar os disparos, o homem perguntou seu os jovens eram eleitores de Bolsonaro. A Inter TV, afiliada à Rede Globo, informou que o carro tinha placa da cidade Lençóis Paulista. O caso está sendo apurado pela 146ª Delegacia de Polícia.
SALVADOR-BA
Na sexta-feira (8), o mestre de capoeira Romualdo Rosário da Costa, conhecido como Moa do Katendê, 63 anos, foi morto em Salvador-BA. Ele foi esfaqueado, segundo apontou a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), após dizer ao suspeito do crime, identificado como Paulo Sérgio Ferreira de Santana, que era contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL). Paulo Sérgio está preso em Salvador.
Na última semana, o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) condenou as agressões praticadas no Brasil durante as eleições deste ano. Em nota, a porta-voz do escritório, Ravina Shamdasani, fez, ainda, um apelo aos líderes políticos, pedindo que se mobilizem para refrear as ocorrências.
“Nós condenamos quaisquer atos de violência e pedimos uma investigação imediata, imparcial e efetiva desses acontecimentos. O discurso violento e inflamado presente nessas eleições, sobretudo contra LGBTI, mulheres, afrodescendentes e aqueles com diferentes visões políticas, é profundamente preocupante, particularmente em razão dos relatos de violência cometida contra esses indivíduos”, diz a representante no informe.
*Agência VIU! com Sputnik Brasil








