É grande a disputa pelo dinheiro público, enquanto a população elege a saúde e depreciação de salários como grandes problemas;
Governar implica em tomar decisões, fazer escolhas, eleger prioridades e, acima de tudo, decidir quem se apropria e ganha a parte maior do escasso fundo público financiado por toda a sociedade. Hoje a hegemonia política e econômica do capital financeiro (industrial + bancário) no país da jabuticaba sequestra recursos expressivos, que poderiam financiar políticas públicas educacionais, sanitárias, ambientais, tecnológicas e sociais. O ano eleitoral sempre traz um caldo de cultura adequado para o oportunismo, a ingenuidade e, em algumas vezes a prepotência daquele líder providencial/bonapartista salvador da pátria.
Começa a temporada eleitoral e, segundo as pesquisas de opinião com longo tempo de observação (2010/2018), o problema maior do cidadão comum pagador de caros impostos (disparado na frente) é a péssima qualidade dos serviços públicos de saúde ( 40%); seguido da necessária melhoria do salário mínimo – remuneração que atinge 50 milhões de brasileiros, tanto no segmento formal quanto informal, da vida cotidiana nas cidades e no campo. A classe média reclama da corrupção e da salgada conta tributária.
O primeiro sintoma da mudança de temperatura foi a fragorosa derrota da pretensa votação da contrarreforma da Previdência Social. Agora, tudo é eleição/ busca de votos e o eleitor médio torna-se soberano, pelo menos, temporariamente. O brasileiro comum é avançado na busca de direitos sociais (e muito trabalhador – labuta 2500 horas anuais), mas conservador nos costumes. Um dado novo interessante é que, aos poucos, ganha força o papel da proteção da natureza ( rios, lagos, água potável, saneamento).
Nas diferentes alas de nossa escola de samba eleitoral em 2018 temos a ala progressista, antiglobalização e ambientalista com forte presença nas universidades e na mídia. Outra ala na esquerda é o segmento anti-imperialista que busca a superação do processo de exploração capitalista (um grupo ainda minoritário, mas histórico em nossa conjuntura política). Hoje, o setor mais ativo (aparentemente) é o bloco nacionalista que defende as reservas petrolíferas do pré-sal e uma política industrializante que fortaleça as cadeias produtivas geradoras de emprego e renda, sem expulsar do processo a inegável contribuição do capital externo na formação da riqueza.
Nesse contexto, uma candidatura para empolgar terá que levar a sério o combate aos juros pornográficos e a geração de empregos de maior qualidade e ganho. A quebradeira do Estado é fruto de um encargo da dívida que só se equaciona com a volta do crescimento econômico, com distribuição da renda e a recuperação das finanças. É assim em qualquer lugar do planeta e não será diferente na terra da jabuticaba.








