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Cinco anos após agressão, Luiza Brunet diz que ainda tem medo do ex-companheiro

redacao Por redacao
02/05/2021 - 11:05
em Política
A A
Luisa Brunet

Luisa foi Agredida brutalmente pelo ex-companheiro, o empresário Lírio Parisotto, numa madrugada de maio de 2016 (Foto: Reprodução Instagram)

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O mesmo tempo que cura feridas pode transformá-las em vingança. Ou em luta. Agredida brutalmente pelo ex-companheiro, o empresário Lírio Parisotto, numa madrugada de maio de 2016, Luiza Brunet preferiu o segundo caminho.

“De outra forma, não conseguiria ajudar as mulheres que passam por uma situação como a que eu vivi”, diz a modelo e ativista, que, às vésperas de completar 59 anos, ainda estremece ao lembrar do episódio. “Estávamos em Nova York para um evento e, logo depois do jantar, apanhei gratuitamente. Era perto do meu aniversário, pode imaginar a dor?”

Luiza afirma que vivia numa relação estável, “aparentemente boa”, com Parisotto há quatro anos e meio; mas que tinha experimentado diferentes formas de violência ao longo desse período.

“Fui dando oportunidades, achando que iríamos acertar os ponteiros. Foi muito triste me ver naquele lugar. Acreditava que éramos maduros o suficiente para resolvermos nossas questões de um jeito civilizado. Senti medo do que poderia acontecer comigo quando decidi denunciá-lo. Afinal, Lírio é um homem poderoso, mas segui em frente.”

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CONDENAÇÃO DO AGRESSOR

Enquadrado na Lei Maria da Penha, o empresário teve seu último recurso negado pelo Supremo Tribunal Federal, em novembro de 2020, depois de quatro anos de processo. Ele foi condenado a cumprir serviços comunitários e a pagar cestas básicas, além de se apresentar todo mês no fórum de Justiça.

A batalha, no entanto, não acabou. A modelo sul-mato-grossense, radicada no Rio, tenta provar que ela e Parisotto mantiveram uma união estável entre 2011 e 2016.

“Perdi nas duas primeiras instâncias, mas não vou desistir. Fui desacreditada pelo meu ex-companheiro, que me trata como uma simples peguete.”

Em uma hora de entrevista por telefone, Luiza falou abertamente sobre o traumático episódio, abusos na infância, a aceitação do vitiligo e o casamento da filha Yasmin com o surfista Gabriel Medina. Confira a seguir:

Cinco anos depois da agressão, que imagem custa a sair da sua cabeça?

Luiza Brunet (LB) – Lembro do meu rosto desfigurado. Pensei: “Meu Deus do céu, ninguém merece passar por isso”. Lírio chutou meu rosto, me quebrou quatro costelas e um dedo… Foi algo extremamente irracional, uma violência sem propósito. Mesmo ele sendo poderoso, resolvi prestar a queixa. O processo foi longo e árduo, mas venci. Ainda hoje, tenho receio de ele tentar algo contra mim. Mas nesses casos, a denúncia é o melhor caminho. Não me arrependo de absolutamente nada. Relacionamentos abusivos geralmente acabam em feminicídio. Gosto do rumo que minha vida tomou. Amo trabalhar em prol das mulheres, mostrando que é possível sair dessa posição que não é legal para ninguém.

Por que acha que a justiça não reconheceu a união estável entre você e o Parisotto?

LB – Ainda não terminou. Não posso desistir ou camuflar algo. É preciso seguir em frente com coragem e verdade, sem fazer concessões. Nossa relação era aberta para a mídia, não era um segredo. Não é possível que a Justiça não reconheça! Lírio tenta me desacreditar, dizendo que eu era uma simples peguete. É muito constrangedor ver um homem agindo assim para se safar de suas responsabilidades, acusando a mulher de ser uma prostituta. É deprimente. Sou respeitada no Brasil inteiro. Não tem uma pessoa sequer para falar qualquer coisa sobre minha conduta.

O reconhecimento da união estável é importante para você moral ou financeiramente?

LB – Mais do que uma questão financeira, reconhecer nossa relação é uma questão moral. Nós dois sabemos o que passamos. Até hoje ele tenta apagar tudo o que diz respeito ao nosso relacionamento. Eu sabia, desde o início, que essa batalha seria difícil. Negar é fácil. Nós ainda vivemos num país machista, onde a mulher é sempre rotulada como interesseira diante de homens ricos e poderosos.

Agressão doméstica - Luíza Brunet
Luíza Brunet: “Foi algo extremamente irracional, uma violência sem propósito. Mesmo ele sendo poderoso, resolvi prestar a queixa.” | Foto: Reprodução

Essa foi a primeira agressão que sofreu?

LB – Nunca havia passado por algo do tipo. Mas já fui vítima de abuso moral e sexual. Fui violentada aos 12 anos, enquanto trabalhava como empregada doméstica em Inhaúma, Zona Norte do Rio. Era um amigo da minha patroa que investia sempre que eu estava sozinha na casa. Ele colocava a mão por baixo das minhas roupas e tentava me beijar. Um dia, fui embora sem dar satisfações. Só tive coragem de tocar nesse assunto aos 55 anos. Precisamos acabar com certos tabus e conversar abertamente com as crianças sobre isso para evitar que episódios como esse se repitam.

Como se recuperar depois de violências como essas?

LB – Temos que passar por isso, se reinventar, subir um degrau. Não podemos cair para não afundar. Temos que entender o caso e o substituir por algo que seja bom. Fiz disso uma causa, uma missão de vida. Sou feliz como ativista.

Acompanhou a repercussão do caso Mariana Ferrer, que foi humilhada no tribunal como se ela fosse a culpada, não a vítima do estupro?

LB – Foi um absurdo o que aconteceu naquele tribunal. Ela sofreu um abuso, uma agressão. Quantas mulheres não passam pela mesma situação e vão embora com vergonha, deixando o processo? Mariana foi abandonada pela Justiça, mas a sociedade a acolheu. Temos que alavancar causas, mesmo que não sejam nossas, para inibir esse tipo de comportamento.

Como anda o projeto de lei com seu nome que permitirá que a mulher acione socorro imediato às forças policiais ao sofrer uma violência?

LB – A ideia foi do senador Luiz do Carmo (MDB/GO) e estou muito esperançosa de que logo teremos mais mecanismos para impedir a violência contra a mulher. Um ponto interessante da PL é o aplicativo, com GPS, que permitirá a gravação da violência verbal que sofremos. É complicado provar abusos do gênero. Nem sempre o agressor deixa marcas no corpo. Mas não é fácil ser esculachada, chamada de vagabunda ou coisa pior. O fato, por exemplo, de eu ter feito fotos sensuais para essa matéria não dá o direito de ninguém mexer comigo.

O que pensa sobre seu genro, o surfista Gabriel Medina? Yasmin e ele estão casados?

LB – Tive a oportunidade de conhecê-lo; e ele é um menino maravilhoso. Vejo que o casal está apaixonado. E isso que importa. A vida fica mais leve dessa maneira. Os dois, aliás, se casaram, mas é algo válido somente para eles. Nunca tive o sonho de ver minha filha entrando na igreja de véu e grinalda. O bacana é estar junto, de verdade.

Está namorando?

LB – Estou solteira e realizada. Não quero me casar ou namorar. Apareceram alguns pretendentes, sim, mas nada sério. Ah, e não gosto de homens mais jovens. Prefiro os maduros.

O que pode adiantar sobre o filme que estão produzindo sobre sua vida?

LB – Não sei quando será lançado ou rodado. Tiveram algumas mudanças. O ativismo e a violência doméstica serão pautas, mas o recorte será oitentista. Não escolheram ainda quem me interpretará no cinema. Mas a ideia é selecionar uma atriz anônima.

Quando descobriu que tinha vitiligo?

LB – A primeira mancha apareceu quando eu tinha 2 anos. Tratamos com uma benzedeira, mas o diagnóstico veio mais tarde. Sem remédio, o médico me receitou uma lata de leite condensado por dia. Nunca soube a razão. Hoje, minha pele é despigmentada nas mãos, cotovelos, pés. E, depois da agressão, apareceram mais alguns pontinhos. Afinal, é uma doença autoimune. Mas encaro a situação tranquilamente. Aprendi a me amar assim.

As informações são do Yahoo.

Tags: #Luiza Brunet#Violência Contra as Mulheres
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