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Cármen Lúcia, Sérgio Moro, o cafetão e as putas

redacao Por redacao
08/04/2018 - 10:31
em Política
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Foto: Facebook

Foto: Facebook

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As simbólica homenagem do puteiro mais festejado de São Paulo aos responsáveis pela condenação e prisão de Lula;

O notável cafetão Oscar Maroni, dono do Bahamas Hotel Club, o puteiro mais festejado de São Paulo, é o novo fã incondicional da ministra do STF, Cármen Lúcia e do juiz Sérgio Moro, içados ao estrelado midiático nacional pela condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No auge de uma empolgação, Moroni aparece em vídeo postado nas redes sociais oferecendo cerveja grátis caso Lula fosse preso e uma semana grátis se alguém matar o ex-presidente na prisão.

https://twitter.com/Opoeta_won/status/982701963186982912

Bem a vontade, o rufião foi ainda mais longe em suas homenagens. Estampou fotos da presidente do STF e do juiz Moro na fachada do puteiro. O ufanismo do prochoneta é tema de uma boa análise do jornalista Luis Nassif no site GGN. Confira:

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O dono do Bahamas é a melhor tradução desses tempos de homens de bem

*Por Luis Nassif

A melhor síntese desses dias conturbados é Oscar Moroni, dono do Bahamas Hotel Club, o puteiro mais festejado de São Paulo. Na porta do Clube, colocou as fotos de Sérgio Moro e Carmen Lúcia. E, pelas redes sociais, o vídeo oferecendo cerveja de graça se Lula fosse preso, e uma semana de graça se fosse executado na prisão.

Um cafajeste exemplar, o estereótipo perfeito do cafetão do bem, arrotando álcool, fedendo suor, coçando o saco, mas sabendo, agora, que está do lado dos homens de bem. Ele está do mesmo lado  do Ministro Barroso, do juiz Sérgio Moro, da notável Carmen Lúcia, do bravo procurador que pediu a antecipação da prisão de Lula para combater o espírito de onipotência do condenado.

https://www.facebook.com/oscar.maroni69/videos/1763345030453105/

Mostrando-se um rufião agradecido, Moroni anuciou prêmios variados aos diversos protagonistas do espetáculo. Ao Sérgio Moro, “pela tua competência como juiz, acabou de ganhar um vale ingresso vitalício em Bahamas Hotel Club”.

Para a Polícia Federal, “pela tua coragem e dignidade no cumprimento da função”, cinco ingressos para quando vierem a São Paulo. Os bravos integrantes do Ministério Público também poderão sortear cinco ingressos grátis.

Profundo conhecedor dos procedimentos, Moroni explica que “reparem que escrevi o nome destas instituições com letras maiúsculas, pois são brasileiros que merecem destaque pela sua dignidade e eficiência da condução da profissão”. E, para encerrar, o brado de patriotismo: “Estou orgulhoso novamente de ser brasileiro”.

Todos estamos. Graças à Lava Jato, os nostálgicos de Brasil conseguem reencontrar um Brasil ancestral que parecia enterrado, a raiva rompante dos bandeirantes executando os gentios, dos jagunços executando os inimigos dos coronéis, do feitor chicoteando os escravos, dos inquisidores queimando quem não professasse a fé cristã, do corpo de Tiradentes, queimado e salgado.

Todas as épocas do Brasil em uma síntese inesquecível.

O modo como pessoas aparentemente pacíficas, de repente, passaram a fazer eco ao ódio, lembrava em tudo os cristãos novos que, nos reizados, batiam bumbo com toda força nas festas dos Reis, para que não despertassem suspeitas sobre a nova fé abraçada. Olha eu aqui, também estou desejando a morte do Lula, pareciam dizer a seus chefes, aos vizinhos, à Justiça, aos donos de jornais. Não quero ficar de fora, também sei arrotar ódio e bater nos mais fracos.

Não houve nenhum tipo de clemência, nenhuma concessão. O cercado de 15 m2, que receberá Lula na PF de Curitiba, passou a ser tratado como a sala do Estado Maior. Dois dias a mais de liberdade, seriam um privilégio inominável. O fato de Moro dar a opção de Lula se apresentar, um ato benigno de quem tem a força.

Foi o mesmo clima da AP 470, na qual até a discussão de meros embargos de infringência assumiram o caráter das votações definitivas. Ao inimigo não se pode conceder nada, nem os direitos básicos .

Qual a diferença de Moroni e de âncoras de jornais babando ódio incompreensível, contra um adversário caído? Nenhuma. Por trás, o mesmo sentimento irracional de selvageria de uma Klu KLux Klan, das brigadas fascistas. Um homem que teve a sua casa invadida, a sua cama revirada, suas conversas grampeadas, seus filhos processados, que viu sua mulher morta pela perseguição inclemente movida contra sua família. Tudo isso depois do maior feito humanista de qualquer governante, em qualquer tempo: tirar 40 milhões de pessoas da miséria absoluta. E o único momento de indignação era quando repórteres, na linha de frente, sofriam alguma represália de manifestantes.

O que leva esse pessoal a babar sangue, atiçar a turba, acender a pira até o instante final? Talvez o medo do tempo, de serem superados pelos jovens que chegam ao mercado de trabalho. Receio de serem alvos das idiossincrasias dos donos de veículos. Ou seria apenas o prazer sádico de bater, bater, bater em quem está caído, descontando nele todas as frustrações e ódios de uma vida.

E, depois, como bons cidadãos, celebrar a vitória no Bahamas Hotel Club, ao lado de seu sonho de consumo e de cidadão: Oscar Moroni, o cafetão do bem.

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