Um brasileiro foi encontrado morto na casa onde morava no Paraguai, no último sábado. Ao lado do corpo de Rogério Laurete Buosi, estava um bilhete com os dizeres: “Não roubar na fronteira”.
De acordo com informações do UOL, o papel estava assinado pelo grupo Justiceros de la Frontera. Rogério vivia na cidade de Pedro Juan Caballero e foi assassinado com 13 tiros.
O rapaz era natural de Rondonópolis, Mato Grosso, mas morava com a família em Araçatuba, no interior de São Paulo, até mudar-se para o Paraguai em julho, a convites de amigos, supostamente para trabalhar.
Rogério pretendia voltar ao Brasil em outubro, mas foi morto dias antes. O corpo do rapaz foi encontrado na casa alugada onde vivia no bairro de Defensores Del Chaco. Uma amiga, que também mora no Paraguai, foi a responsável por avisar a família sobre a morte.
A polícia informou à imprensa local que não havia sinais de arrombamento na casa, o que indica que Rogério conhecia o responsável por assassiná-lo. Apesar do bilhete, também não há nenhum indício de crimes cometidos pelo brasileiro.
“Nós ainda não sabemos o que realmente aconteceu. Nenhuma informação oficial foi passada. Pelo bilhete encontrado, estão dizendo que ele estava envolvido com roubos, mas temos certeza de que ele não fez nada de errado. Além de estarmos lidando com a dor da morte dele, ainda temos que ouvir essas coisas”, declarou a irmã do rapaz, Ana Lara, ao UOL.
O corpo de Rogério chegou ao Brasil no último domingo e foi sepultado em Araçatuba na noite de segunda-feira. “Ele era como um melhor amigo, nós éramos muito apegados um ao outro. Ele não guardava mágoas, tinha um coração bom”, afirmou a jovem de 21 anos.
Justiceros de la Frontera
Supostamente responsáveis pela morte de Rogério, os Justiceros de la Frontera são um grupo conhecido por assassinar pessoas que seriam responsáveis por roubos na região da fronteira entre o Paraguai e o Brasil.
Um caso recente que ganhou destaque foi o assassinato de dois irmãos brasileiros, a tiros, na região em 1º de agosto. Ao lado dos corpos, um bilhete assinado pelo grupo e dizendo: “Não serão aceitos mais roubos na região”.
No fim de julho, o casal Mateo Martínez Armoa, de 21 anos, e Anabel Centurion Mancuelo, de 22, foi executado com mais de 40 tiros em um bar, também na cidade de Pedro Juan Caballero.
Junto ao corpo de Mateo foi deixado um papel, em que estava escrito, em espanhol: “Por favor não roubar”. O papel foi assinado por “Justiceiros de la Frontera”.
Dias depois, um adolescente foi encontrado morto, com as mãos decepadas. Em cima do seu corpo, foi deixado um bilhete, em que se lia: “Os justiceiros estão de volta, avisamos que é só o começo da morte dos ladrões”.
Os casos lembraram outros dois que ocorreram em maio deste ano. No primeiro, um homem não identificado foi executado com tiros de fuzil entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero. O momento foi captado por câmeras de segurança e o vídeo circulou na internet na época.
Em outro caso, pistoleiros mataram três homens na cidade paraguaia Yby Yaú, no departamento de Concepción, próximo a Pedro Juan Caballero. Em cima dos corpos, os pistoleiros deixaram cartazes com os dizeres: “Não roubem”.








