O presidente Jair Bolsonaro publicou um decreto em que condecora a si mesmo com títulos da Ordem Nacional do Mérito Científico. As informações são do Yahoo.
Além de Bolsonaro, também foram homenageados os ministros Marcos Pontes, da Ciência e Tecnologia; Paulo Guedes, da Economia; Carlos Franca, das Relações Exteriores e Milton Ribeiro, da Educação.
O presidente receberá a honraria de “Grão Mestre”.
No mês passado, Guedes criticou colegas de governo e chegou a chamar o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, de “burro”. As informações foram divulgadas pelo jornal Folha de São Paulo.
Em reunião sobre a retirada de R$600 milhões da pasta comandada por Pontes, Guedes afirmou ainda que o que falta no país na verdade é gestão e não dinheiro. O ministro comentou ainda que “às vezes, eu mesmo me pergunto o que estou fazendo aqui”.
Ainda ao falar sobre a falta de gestão correta dos recursos, na avaliação dele, Guedes disse que muitos ministros não executam a verba que já foi disponibilizada e os recursos acabam parados.
O encontro foi feito com integrantes da comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara formada por deputados da base e da oposição.
Depois de conceder a Ordem do Mérito Científico aos pesquisadores Marcus Vinícius Lacerda e Adele Schwartz Benzaken, críticos da atuação do governo, o presidente Jair Bolsonaro mandou revogar a condecoração em uma publicação extra do Diário Oficial nesta sexta-feira.
Médico e pesquisador da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado, de Manaus, Lacerda foi um dos primeiros brasileiros a pesquisar o uso de cloroquina contra Covid-19 e suspendeu o estudo depois que verificou que, na verdade, o medicamento aumentava o risco cardíaco dos pacientes.
Ameaçado de morte e atacado nas redes por bolsonaristas, Lacerda virou um dos inimigos do clã Bolsonaro e chegou a ser acusado de usar doses acima do normal de cloroquina para “matar pacientes” e desacreditar o medicamento defendido repetidamente pelo presidente.
Já Adele Schwartz Benzaken, hoje diretora da Fundação Oswaldo Cruz Amazônia, era diretora de DSTs e Aids do Ministério da Saúde desde o governo Temer, quando foi demitida em janeiro de 2019. Quando no cargo, a médica sanitarista —que tem atuação internacional na área de doenças transmissíveis— autorizou a produção de uma cartilha dirigida a homens trans.
Em janeiro de 2019, logo depois de Bolsonaro tomar posse, o então ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta mandou retirar a cartilha de circulação e Benzaken foi exonerada. Mandetta justificou a decisão afirmando que “o governo precisava voltar a estimular a prevenção do HIV, mas sem ofender as famílias”, mas o fato é que a cartilha também havia sido alvo das redes bolsonaristas.
A revogação atinge apenas os dois pesquisadores, destacados em matérias sobre a Ordem do Mérito Científico. Mas deixa outros igualmente críticos. Entre eles, o antropólogo Alfredo Wagner Berno de Almeida, da Universidade Estadual do Maranhão, um crítico contumaz da intenção do governo de liberar a exploração de minérios nas terras indígenas, e o epidemiologista Cesar Victora, que já recebeu o prêmio Gairdner, considerado o Nobel da Epidemiologia, que apontou por diversas vezes os erros da política de corte de recursos para a ciência adotados pelo governo.
Novo decreto não retira mérito dado a Bolsonaro e ministro
O novo decreto também não altera a auto-condecoração no grau de grão-mestre dada por Bolsonaro a ele mesmo e ao ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes. Essa condecoração está prevista no decreto que criou a ordem, em 2002.
Questionado pela Reuters se o presidente sabia da posição dos condecorados ao assinar o decreto, o Palácio do Planalto não respondeu.
A lista de condecorados assinada pelo presidente é escolhida por um comitê científico em que o governo tem minoria: são três da Academia Brasileira de Ciências (ABC), três da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) —ambas bastante críticas ao governo— e três de livre escolha do ministro da Ciência e Tecnologia, o que deixa os eventuais indicados pelo governo sem força para barrar nomes.








