Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarca no Espírito Santo nesta sexta-feira (16) para entregar 917 unidades do Minha Casa, Minha Vida em Linhares e reforçar o Acordo do Rio Doce com comunidades quilombolas, o governador Renato Casagrande (PSB) estará chegando de Nova York, onde está participando da Brazilian Week 2025.
A ausência do mandatário, que retorna ao Brasil apenas no dia do evento, alimenta especulações sobre seu cálculo político para evitar alinhamentos públicos com o PT em um estado onde o bolsonarismo ainda tem força.
Crise silenciosa entre PSB e PT
A decisão de Casagrande de priorizar a agenda internacional coincide com relatos de articulações do PT para lançar candidatura própria ao governo do ES em 2026. O receio do partido é que o distanciamento estratégico do PSB — que integra a base aliada de Lula — fragilize o palanque presidencial no estado.
Em 2022, Casagrande adotou o discurso do “voto Casanaro” para atrair eleitores de direita, e desde então evita fotos ao lado do presidente.
A reportagem do Diário da Guanabara desta segunda-feira (12) reforçou a tese de que o governador busca equilibrar apoio discreto ao governo federal com a necessidade de não antagonizar a base bolsonarista, que ajudou a reelegê-lo.
Agenda nos EUA: Fundo Soberano e parcerias
Na Brazilian Week 2025, Casagrande apresentará aos investidores o Fundo Soberano do ES (Funses), que usa royalties do petróleo para financiar projetos de transição energética, como o Annual General Meeting da Pátria Investimentos.
O governador também discursará sobre eficiência pública em painel com o Nobel de Economia Paul Krugman e participará de debates sobre relações Brasil-EUA ao lado de governadores como Tarcísio de Freitas (SP) e Raquel Lyra (PE).
Segundo o release oficial, o objetivo da viagem é atrair investimentos para infraestrutura, tecnologia e agronegócio, destacando o ES como polo além do eixo RJ-SP.
O que está em jogo no ES
Enquanto Lula reforça políticas sociais no ES, a ausência de Casagrande simboliza a frágil aliança entre PSB e PT. Para o Planalto, a postura do governador pode prejudicar apoio a um projeto nacional progressista em 2026.
Já o PSB capixaba aposta que a neutralidade garante sobrevivência política em um estado dividido.
Com o PT sinalizando disposição para disputar o governo estadual, a visita de Lula — sem Casagrande — pode ser o primeiro ato de uma campanha que já começou.
Atualização desta terça-feira (13/05) – 12h
Em resposta às especulações sobre um suposto distanciamento político, a assessoria do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), informou à reportagem nesta terça-feira (13) que ele participará da agenda do presidente Lula no estado nesta sexta-feira (16).
A agenda ocorrerá no mesmo dia em que Casagrande retorna da viagem aos Estados Unidos, onde participou da Brazilian Week 2025.
A assessoria nega qualquer tensão com o PT e ressalta que o partido integra a base aliada do governo estadual, ocupando inclusive um cargo de primeiro escalão: José Carlos Nunes (PT) é o atual secretário de Estado de Esporte e Lazer.
A afirmação busca desconstruir a narrativa de que o PSB evitaria alinhamentos públicos com o governo federal para não desagradar eleitores bolsonaristas.
O que muda?
▸ A presença de Casagrande ao lado de Lula na sexta-feira pode amenizar as especulações sobre crise política relatada anteriormente.
▸ A menção a José Carlos Nunes reforça a parceria formal PSB-PT no estado, embora o governador mantenha discurso moderado.
A interação entre Lula e Casagrande durante a entrega das 917 casas em Linhares e o evento com quilombolas no Sapê do Norte será analisada como termômetro da aliança.








