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Polícia decreta prisão preventiva de filha que internou mãe à força no RJ

Decisão também vale para o marido dela; os 2 foram presos na quinta, quando Maria Aparecida Paiva foi resgatada

redacao Por redacao
25/02/2023 - 19:46
em Cidade
A A
FILHA QUE INTERNOU MÃE À FORÇA NO RJ

Idosa Maria Aparecida Paiva foi internada à força, como parte de um plano da própria filha e genro (Reprodução)

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A Justiça decretou neste sábado (25) a prisão preventiva do casal suspeito de manter uma idosa internada, mesmo sem estar doente e de forma compulsória, em duas clínicas psiquiátricas. Patrícia de Paiva Reis e Rafael Machado tinham sido presos na sexta-feira.

Mais cedo, também neste sábado, polícia interditou uma das clínicas psiquiátricas em Petrópolis, na Região Serrana, onde, segundo investigadores, a idosa Maria Aparecida Paiva foi internada à força, como parte de um plano da própria filha e genro.

Agentes da 9ª DP (Catete), que investigam o caso, chegaram por volta das 11h à Clínica Revitalis, que fica no distrito de Araras. Segundo a polícia, o local é investigado por ter sido usado para prática do crime de sequestro qualificado.

A outra clínica que também recebeu a vítima, identificada como Vista Alegre, localizada em Correias, também é alvo das investigações. Com a interdição, o estabelecimento não pode receber novos clientes e os que já estão em atendimento devem ser transferidos para outros locais.

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Segundo as investigações, o casal tinha o objetivo de desqualificar a vítima para ficar com parte da pensão dela.

A mulher que foi internada e sequestrada à força, segundo a polícia, pela filha e o genro também acredita que o crime foi motivado por questões financeiras.

O delegado Felipe Santoro, responsável pela investigação, explicou que também vai apurar a conduta dos médicos que atenderam Maria Aparecida.

A médica Aline Cristina Correia, que assinou o laudo para a internação da vítima, atestou que Maria tinha apresentado quadro depressivo grave e recorrente e delírio, mas nada disso foi confirmado. A médica e o diretor da Clínica Revitalis serão intimados a depor.

“É inacreditável que a internação se sem que a vítima tenha sito atendida previamente por algum médico psiquiátrico”, afirmou o delegado Felipe Santoro.

Em nota, a Clínica Revitalis afirma que “foi procurada por Patrícia de Paiva Reis, que solicitou a internação de sua mãe de 65 anos, com ‘histórico de depressão com episódios de confusão mental’”. A paciente chegou transferida de outra clínica.

Ainda segundo a nota, “Em 5 dias na clínica, com abordagem multidisciplinar da equipe, foi constatado que a paciente não mais apresentava indicação de internação”.

A Revitalis diz ainda que em nenhum momento houve resistência ou recusa por parte da paciente em permanecer sob tratamento e que não tem “ligação pessoal com familiares de pacientes sobre qualquer outro interesse que não seja a prestação de serviços assistenciais de saúde”.

Em entrevista ao RJ2, Maria Aparecida relatou o desespero de ficar internada em uma clínica psiquiátrica, mesmo sem estar doente.

Nesta sexta-feira, a polícia prendeu a filha de Maria Aparecida, Patrícia de Paiva Reis, e o genro Rafael Machado. Maria estava internada desde o dia 6.

“Estava saindo do bando e uma ambulância, na mesma calçada, me pegou e me jogou dentro da ambulância. O rapaz falou: “Nós vamos pra Petrópolis, porque lá é melhor’. Mas quem tá fazendo isso ? Sua família. Eu fiquei desesperada, gritando, gritando. Chegamos em Petrópolis, me botaram num quarto, trancado, sem janela, sem nada e eu fiquei lá três dias”, lembra ela.

Depois do período, ao receber uma visita da filha, ela achou que ia ser liberada, mas na verdade foi apenas transferida. “Desci toda feliz, porque achei que ia embora, quando cheguei lá ela falou que ia pra outra clínica”, lamentou.

Como motivos para a internação, Maria diz que a filha ficou com raiva porque ela denunciou que estava maltratando os netos. Além disso, ela vê uma questão financeira: “Tem questão financeira envolvida também, porque ela tem medo de perder a pensão do filho dela e se essa denúncia vai pro processo ela perde, porque o pai está pedindo a guarda do filho”, acrescentou.

“Olha, eu fico muito triste [disso tudo o que está acontecendo vir da própria filha]. Nunca pensei que isso fosse acontecer. Isso é tão verdadeiro, envolvido no dinheiro, porque no dia que ela me botou na clínica, ela contratou duas faxineiras, limpou meu apartamento e já alugou o apartamento”. Segundo Maria, o imóvel foi alugado para o carnaval.

“Não tenho raiva, só tristeza”, concluiu.

Ficha policial da filha

A mulher presa com o companheiro sob a suspeita de sequestrar e internar a mãe à força em uma clínica psiquiátrica tem uma extensa ficha policial.

Patrícia de Paiva Reis responde a cinco processos por calúnica, estelionato, extorsão e furto em veículo, entre 2019 e 2020.

Ela também é investigadada em dois processos, nas delegacias do Catete e do Leblon, sob suspeita de falsas acusações contra ex-namorados enquadrados na Lei Maria da Penha.

Um deles foi exposto em uma rede social de Patrícia em uma campanha contra a violência doméstica. A polícia, entretanto, suspeita que as acusações sejam inverídicas e que Patrícia chegava a enviar cartas para si mesma como se fosse de ex-companheiros descumprindo medidas protetivas.

Além disso, Patrícia já tinha tentado internar a mãe, pelo Samu, em 27 de janeiro. Mas o plano não deu certo. A equipe não constatou nada de errado com Maria Aparecida.

Em relatório, a equipe do samu que atendeu ao chamado da filha de Maria Aparecida informou que a paciente, que apresentava discurso coeso, linear e coerente, sem presença de delírios ou algo que sugerisse transtorno psiquiátrico de agressividade.

Para a equipe, a vítima, Maria Aparecida estava retraída e disse ter medo da presença da filha. Contou que a relação entre as duas era conturbada. E que Maria Aparecida aceitou ser examinada apresentando sinais vitais estáveis, sem alteração no exame físico.

A equipe relatou que ao sair do prédio, foi abordada por duas moradoras e pelo porteiro, que disseram que a mulher nunca apresentou alterações mas falaram que a filha, Patrícia, fazia ameaças à mãe e que com frequência acionavam os bombeiros e a PM para intervir na comunicação entre as duas.

Irmão de companheiro também viveu situação similar

O irmao do companheiro de Patrícia, Raphael, Rodrigo Machado Costa Neves, também viveu situação similar a de Maria Aparecida e tudo foi registrado pelas câmeras

No dia 18 de fevereiro do ano passado, ele foi supreendido e imobilizado na frente de casa por uma equipe contratada por Rafael e Patrícia.

Rodrigo morreu de forma suspeita 7 meses depois, no 20 de setembro 2022. No CER do leblon, a medica que atestou a morte informou que a possivel causa seria por intoxicação.

No IML, a certidao de obito apontou a necessidade de exames de laboratoriais.

O sequestro da mãe

Patrícia e o companheiro foram presos por sequestrarem a mãe dela e internarem em uma clínica psiquiátrica à força. Policiais da 9ª DP (Catete) prenderam Rafael Machado e ela nesta sexta-feira (24), no Catete, na Zona Sul do Rio. A idosa estava desde o dia 6 de fevereiro internada na Região Serrana.

Ela havia sido sequestrada na Zona Sul enquanto saía de uma agência bancária. Dois homens a colocaram em uma ambulância.

Segundo a polícia, a vítima chegou a pensar que era uma “saidinha de banco” ou sequestro relâmpago, mas percebeu a trama quando o sequestrador disse que “era uma coisa de família”.

De acordo com as investigações, a motivação do crime seria porque a idosa havia denunciado os maus-tratos que os dois netos, de 2 e 9 anos, na Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav). Ela foi sequestrada poucos dias depois da denúncia.

Segundo os médicos, a vítima não tem problemas psiquiátricos nem necessidades terapêuticas.

“Iniciamos as diligências tão logo recebemos a informação de que uma idosa lúcida e sem nenhuma doença física ou mental estava sendo mantida em privação de liberdade em uma clínica. Após a prisão dos familiares que haviam determinado a internação, iremos investigar a conduta de médicos, enfermeiros e demais funcionários desses estabelecimentos a fim de entender a responsabilidade de cada um nesses crimes”, explica o delegado Felipe Santoro.

As informações são do g1.

Tags: #Maria Aparecida Paiva#Violência Contra Idosos
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