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Lula cobra demissão de bolsonaristas “infiltrados”

Na mira do presidente estão apoiadores de Bolsonaro, militares alinhados com a gestão anterior e defensores da Operação Lava-Jato

redacao Por redacao
16/02/2023 - 11:35
em Política
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Lula quer demissão de Bolsonaristas

General Carlos José Russo Assumpção deixa posição no GSI — Foto: Carlos Costa/CMC

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Com dificuldade de deslanchar o governo e após enfrentar uma série de crises, o presidente Lula aumentou a pressão para que seja feita uma varredura em cargos de confiança para identificar servidores alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro na máquina pública federal.

Na última terça-feira, o petista disse que ainda não conseguiu montar algumas equipes porque precisava “tirar bolsonaristas que estão infiltrados às pencas”.

Na mira de Lula estão apoiadores de Bolsonaro, militares alinhados com a gestão anterior e defensores da Operação Lava-Jato. O titular do Palácio do Planalto fez uma cobrança pública ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, ao afirmar que é responsabilidade do auxiliar mapear os adversários internos. Segundo a pasta, ainda não há dados consolidados sobre o número de exonerados.

Um dos casos de veto é o da chefia da Defensoria Pública da União (DPU). Como mostrou a colunista Malu Gaspar, do GLOBO, Lula conseguiu travar o processo de recondução de Daniel de Macedo para o comando do órgão.

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Evangélico, Macedo foi indicado por Bolsonaro a partir da lista tríplice apresentada pela categoria. Porém, o PT vê com reservas o comportamento da DPU durante o governo anterior. Uma das ações criticadas pelo partido foi quando a defensoria acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para impedir a realização de um ato de repúdio a Bolsonaro por ter dito que “pintou um clima” com adolescentes venezuelanas. Macedo fez parte das 18 indicações encaminhadas por Bolsonaro ao Senado e revogadas por Lula — havia ainda nomes para agências reguladoras e embaixadas, todos barrados.

— Vocês têm que ter um pouco de paciência, porque estamos há 40 dias no governo. A gente ainda nem conseguiu montar as equipes, porque nós temos que tirar bolsonaristas que estão infiltrados às pencas — disse Lula na terça-feira, durante evento em Salvador para o relançamento do programa Minha Casa, Minha Vida.

A trava mais recente ocorreu na Câmara de Comércio Exterior (Camex). Foram exonerados ontem o ex-comandante da Marinha Almir Garnier dos Santos e o ex-ministro de Ciência e Tecnologia Marcos Pontes, que atualmente é senador. No lugar deles, foram designados dois economistas ligados ao PT: Rodrigo Alves Teixeira e Bruno Moretti.

Lula cobra demissão de bolsonaristas
Lula visita obras para duplicação da BR-101, em Maruim, Sergipe (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Durante a campanha, uma das promessas do petista foi a de desmilitarizar o governo, retirando integrantes das Forças Armadas nomeados por Bolsonaro. Já no primeiro dia de seu mandato foram exonerados militares que estavam em ministérios como o da Saúde e do Meio Ambiente.

No fim de janeiro, o comandante do Exército, Tomás Paiva, barrou a nomeação do tenente-coronel Mauro Cid para o comando de um batalhão de operações especiais em Goiânia. Cid foi ajudante de ordens do ex-presidente e é investigado em inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF).

A cobrança pelo freio à promoção de Cid, um dos mais influentes assessores de Bolsonaro, foi um dos motivos que levaram o ex-comandante do Exército Júlio César Arruda a ser demitido por Lula — o general resistia a barrá-lo.

Um dos órgãos que despertam mais desconfiança em Lula é o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que era comandado pelo general Augusto Heleno, próximo de Bolsonaro. O sentimento se intensificou após os atos golpistas de 8 de janeiro. Lula chegou a acusar as forças de segurança de conivência com a invasão do Planalto. O presidente exonerou mais de 80 militares do GSI. Após os atos golpistas, o governo trocou ainda o número dois da pasta, general Carlos Penteado, remanescente da gestão Heleno. Além disso, o oficial, assim como o general Heber Portella, próximo ao ex-ministro Braga Netto, não foi promovido pelo Exército para o posto de general quatro estrelas. Os movimentos foram interpretados como sinais da cúpula da Força para amenizar desgastes com o Planalto.

Foco na PRF

Outras trocas ocorreram na Comissão de Ética Pública da Presidência. Lula dispensou Célio Faria Júnior, que foi chefe de gabinete de Bolsonaro e ministro-chefe da Secretaria de Governo; João Henrique Nascimento de Freitas, ex-assessor especial do ex-presidente; além do secretário estadual de Justiça em São Paulo, Fábio Prieto de Souza. Uma das vagas passou a ser ocupada pelo advogado Manoel Caetano, figura da confiança do presidente, a quem visitava no período da prisão em Curitiba.

Cargos que estão sob o guarda-chuva de ministérios também são analisados com lupa. Inicialmente escolhido pelo ministro da Justiça, Flávio Dino, para ser o novo diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Edmar Camata acabou sendo preterido após vir à tona que ele havia feito críticas a Lula e era entusiasta da Operação Lava-Jato.

A PRF, aliás, é um dos focos da força-tarefa de “desbolsonarização” do governo: 26 dos 27 superintendentes regionais foram trocados. A Polícia Rodoviária Federal ficou marcada pelas blitzes em estradas, sobretudo do Nordeste — reduto de eleitores lulistas — realizados no segundo turno das eleições do ano passado.

Alvos do Governo

Um dos focos de desconfiança de Lula, o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência teve mais de 80 militares exonerados. Lula também trocou o número 2 da pasta após os atos de 8 de janeiro.

Coronel Cid

A resistência do então comandante do Exército Júlio Cesar de Arruda em barrar a nomeação do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid, investigado em inquéritos no STF, para o comando de um batalhão de operações especiais em Goiânia, foi um dos motivos de sua queda. Ao assumir, o novo comandante Tomás Miguel Ribeiro Paiva levou a cabo a anulação da indicação.

Defensoria Pública

Lula travou a recondução de Daniel de Macedo para a chefia da Defensoria Pública da União, que havia sido encaminhada por Bolsonaro ao Senado.

Camex

Lula exonerou da Câmara de Comércio Exterior o ex-comandante da Marinha Almir Garnier dos Santos e o ex-ministro de Ciência e Tecnologia e atual senador Marcos Pontes.

Conselho de Ética

Na Comissão de Ética Pública da Presidência Lula exonerou dois integrantes próximas a Bolsonaro: Célio Faria Júnior, que foi seu chefe de gabinete e ministro-chefe da Secretaria de Governo; e o ex-assessor especial João Henrique Nascimento de Freitas.

PRF

O policial rodoviário federal Edmar Camata — Foto: Divulgação PRF

O ministro da Justiça, Flávio Dino, desistiu de nomear Edmar Camata para o posto de diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal após a revelação de que ele fez críticas ao presidente Lula e manifestações de apoio à Operação Lava-Jato.

Com informações do Jornal O GLOBO.

Tags: #bolsonaristasgoverno Lula
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