Presidente do TCE-RJ é levado pela PF para depor em operação ligada à Lava Jato; suspeita é de cobrança de propinas em obras públicas
Da redação
A Polícia Federal (PF) cumpre nesta terça-feira (13/12) três mandados de condução coercitiva em uma operação que investiga crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por parte do presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), conselheiro Jonas Lopes, e de pessoas ligadas a ele.
A operação, chamada de Descontrole, é resultado de investigação da Força-Tarefa da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, com participação do Ministério Público Federal. A PF também cumpre 10 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça.
A assessoria de imprensa do TCE-RJ informou não ter ainda nenhum posicionamento sobre a condução coercitiva do presidente do Tribunal.
De acordo com informações da Agência Folha, Lopes foi citado em delação do sócio da Carioca Engenharia, Ricardo Pernambuco Junior. Ele afirmou que o presidente do TCE-RJ cobrou uma propina de R$ 1 milhão, dividido em cinco parcelas.
Executivos da Andrade Gutierrez, segundo a Agência Folha, também mencionaram um pedido do ex-secretário de Governo Wilson Carlos, preso na operação Calicute, de propina adicional de 1% sobre alguns contratos para evitar problemas em auditorias.
As informações sobre as delações foram reveladas pelo jornal “O Globo” no dia 18 de novembro e confirmadas pela Folha.
Além de Lopes, outras duas pessoas foram levadas para depor coercitivamente e 40 policiais cumprem dez mandados de busca e apreensão. Todos os mandados foram expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A Operação Descontrole é um desmembramento dos trabalhos da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, que conta com uma força-tarefa própria desde junho.
A ausência de apurações aprofundadas nos órgãos de controle do Rio foi alvo de repreensão do juiz federal Marcelo Bretas, ao decretar a prisão de Cabral.
“Tais situações, apesar de aparentemente terem passado desapercebidas pelos órgãos de controle estaduais, a partir de agora serão objeto da merecida atenção pela Justiça Federal, a partir da atuação isenta e diligente do MPF e com o apoio efetivo da PF”, escreveu o magistrado, na decisão que determinou a prisão de Cabral, no mês passado.








