Cerca de 50 jovens realizaram um ato cobrando por justiça para a morte do congolês Moïse Kabagambe e outras vítimas de racismo no Brasil, na madrugada desta quinta-feira (3), em frente ao quiosque Tropicália, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. No local, três homens espancaram Moïse até a morte no dia 24 de janeiro.
Os manifestantes vestiam preto e ocuparam uma faixa da Avenida Lúcio Costa e chegaram a colocar fogo em pneus na via. Mas, de modo geral, o ato foi pacífico. As informações são do g1.
O movimento realizou a ação para exigir justiça para Moïse e as outras vítimas do racismo no Brasil.
Nesta quinta, agentes da Delegacia de Homicídios vão ouvir o policial militar que é dono do quiosque Biruta, vizinho ao Tropicália. Um dos três agressores presos nesta terça (1°) trabalhava no quiosque Biruta.
Testemunha disse que pediu ajuda
Uma testemunha do espancamento do congolês afirmou à polícia que tentou pedir auxílio a guardas municipais ao ver as agressões, mas os agentes se negaram a ajudar.
A testemunha estava com a família na praia quando subiu para o quiosque para buscar um refrigerante. Ela reparou que um homem negro estava sendo espancado por um grupo e os agressores a avisaram para não olhar, “pois ele estava assaltando as pessoas e queriam dar um corretivo”.
A explicação teria partido de um homem gordo vestido com a camisa do Flamengo – descrição de Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca, de 27 anos. Em depoimento à polícia ele confirmou que agrediu Moïse com um bastão para para ‘extravasar a raiva’ porque ele estava ‘perturbando’ há alguns dias.
A mulher disse ainda que ao buscar o refrigerante com uma funcionária do quiosque, reparou que a mulher estava muito nervosa. A atendente, então, disse que já tinha pedido aos agressores para parar de bater em Moïse, mas não foi atendida.
A testemunha, então, afirma que pediu ajuda aos guardas neste momento, e não foi atendida. Disse que, então, desceu para chamar o marido e que quando ambos subiram para tentar socorrer ou ajudar o congolês, viram o homem amarrado. Ela afirma que o marido reparou que Moïse estava morto.
Ao jornal ‘Extra’, a Secretaria Municipal de Ordem Pública, responsável pela Guarda Municipal, informou em nota que está totalmente à disposição da Polícia desde o ocorrido e, certamente, havendo algo nesse sentido, o delegado responsável pelo caso acionará o município.
Três presos
Apesar de o congolês Moïse Kabagambe ter sofrido pelo menos 30 pauladas antes de morrer, os presos pelo crime – Fábio Pirineus, Aleson Cristiano e Brendon Silva – negaram em seus depoimentos à Polícia que a intenção deles fosse matar. Aleson afirmou que o congolês estava embriagado, agressivo e ameaçando pessoas antes do espancamento.
Dois dos três homens presos pelo assassinato de Moïse Kabagambe têm passagens pela polícia, segundo apurou a TV Globo.
Advogado que acompanhou a mãe de Moïse, Ivana Lay, em seu depoimento nesta terça (2), Rodrigo Mondego afirmou que existe uma tentativa de desqualificar o congolês.
“Existe uma tentativa de transformar ele na pessoa que gerou o resultado da própria morte. Falar que ele estaria alcoolizado, que estaria alterado”, pontuou.
Rodrigo Mondego, que é da Comissão de Direitos Humanos da OAB, declarou que Moïse era trabalhador e estava indo ao quiosque buscar a remuneração dele.
“Moise era trabalhador e ele era remunerado por isso. A polícia ainda tenta descobrir a motivação do crime. Mas Moïse não era uma pessoa bêbada como estão dizendo”, afirmou Mondego








