É grande o risco de anulação da eleição no município; sócio de empresa citada em escândalo da CBF integra equipe do prefeito eleito Rafael Diniz
Depois da vitória em primeiro turno na eleição majoritária em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, em outubro deste ano, o prefeito eleito Rafael Diniz (PPS) enfrenta uma tempestade antes da posse marcada para primeiro de janeiro de 2017.
Na imagem acima: Rafael Diniz (PPS) prefeito eleito de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense
Parte do vendaval vem como ressaca de campanha. Uma notícia crime protocolada pelo ex-governador Anthony Garotinho (PR) na Justiça Eleitoral e Polícia Federal acusa Diniz de utilizar as dependências do Hospital Dr. Bêda, conveniado com o SUS, para realização de um comício. O hospital recebe verbas do governo Federal, Estadual e Municipal e de acordo com a legislação eleitoral não poderia sediar eventos partidários.
Entre os elementos de convicção apresentados constam vídeos do encontro que reuniu o dono do empreendimento privado, o médico Herbert Sidney Neves, o vereador eleito Cláudio Andrade (PSDC) e funcionários da instituição.
Em outro vídeo, logo após o resultado da eleição, Diniz aparece agradecendo aos funcionários do Hospital e lembra reunião ofertada pelo empresário como “importante” para a sua vitória.
A notícia crime antecede a uma Ação Judicial de Investigação Eleitoral (AIJE) que também será proposta pelo Partido da República (PR). São fatores que reforçam a possibilidade de anulação da eleição municipal, principalmente diante do conjunto da obra, tendo em vista que são fartas as provas reunidas pelo PR de abuso dos meios de comunicação e de abuso do poder econômico durante a campanha eleitoral.
Mas o PR também enfrenta denúncias de uso do programa Cheque Cidadão durante a campanha. O inquérito tramita na Delegacia da Polícia Federal. As denúncias que já motivaram prisões de candidatos e vereadores eleitos são refutadas por Anthony Garotinho, que aponta uma série de irregularidades no processo de apuração, tendo denunciado o delegado, o promotor e um juiz que atuavam no caso.
Esta semana, no entanto, a polêmica sobre o processo sucessório local ganhará mais um ingrediente. O PDT, que teve como candiddato Caio Vianna, deve ingressar com denúncias apontado que o partido foi o mais prejudicado no pleito por conta das evidências de irregularidades que tem como acusados os seus adversários do PR e PPS.
O diretório regional do PDT também denuncia manobras envolvendo o vereador Marcão Gomes, do PPS, e do próprio Rafael Diniz para impedir, por meio judicial, a posse de Marcos Bacellar, vereador eleito pela legenda. O objetivo seria impedir que Bacellar ganhasse a presidência do legislativo. Há notícias de que advogados ligados ao PPS teriam atuado nos bastidores do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para embaralhar um processo de Bacellar.
No que se refere aos ilícitos na eleição, a série histórica de julgamentos no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE) demonstra que as Cortes estão rigorosas no julgamento desses casos que provocam desequilíbrio no pleito eleitoral. Portanto, se a cidade de Campos entrasse numa classificação de risco para investidores, atualmente, estaria no grau especulativo. Qualquer investimento é temerário.
PORTAL TERRA: Empresa de Rossell foi sócia da W Trade Brasil, de Ana Carolina Wigand Pessanha Rodrigues (irmã e sócia de Leonardo Diogenes Wigand Rodrigues), mulher de Teixeira, em duas salas no Shopping Leblon
Mas o governo de Rafael Diniz que ainda não começou sangrar antes de entrar em campo, também, por conta de alguns nomes que integram a equipe que ele escolheu nesta fase de transição. Uma das sangrias é provocada pela presença do comerciante Leonardo Diogenes Wigand Rodrigues na equipe encarregada de acompanhar a troca de informações na secretaria de Fazenda.
Rodrigues é irmão e sócio da ex-esposa de Ricardo Teixeira (ex-presidente da CBF), Carolina Wigand Pessanha Rodrigues, na empresa W Trade Brasil. Esta empresa é apontada como beneficiária de dinheiro repassado pela Ailanto Marketing Ltda., envolvida no desvio de dinheiro arrecadado em jogos da seleção brasileira. A Ailanto estava em nome do então presidente do Barcelona Sandro Rosell, amigo de Teixeira.
Confira reportagem do Portal Terra:
Jornal: presidente do Barça repassou R$ 2,8 mi à mulher de Teixeira
Acusada pelo Ministério Público de desviar dinheiro público de amistoso da Seleção Brasileira em Brasília em 2008, contra Portugal, a Ailanto Marketing Ltda. pagou R$ 2,8 milhões a uma empresa da mulher de Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF. A Ailanto pertence ao presidente do Barcelona, Sandro Rossell, amigo de Teixeira. Documentos obtidos pelo jornal Folha de S. Paulo revelam que a empresa do cartola catalão foi sócia da W Trade Brasil, de Ana Carolina Wigand Pessanha Rodrigues, mulher de Teixeira.
LIGAÇÕES PERIGOSAS: Reportagem publicada no Portal Terra em 2009, citando como fonte o Jornal Folha de São Paulo e narrando o caso envolvendo as empresas Ailanto Marketing Ltda. e W Trade Brasil
A parceria envolveu duas salas comerciais no Shopping Leblon, um dos mais badalados do Rio. Em janeiro de 2009, a W Trade se associou a Rossell (pessoa física), à Brasil 100% Marketing (que tem o dirigente do Barcelona como sócio) e a André Laport Ribeiro na compra dos imóveis, por R$ 7,6 milhões.
Com apenas R$ 50 mil de capital social, a empresa da mulher de Teixeira ficou com 24% de cada sala. Dois anos depois (e seis meses antes de Teixeira renunciar), a Ailanto pagou R$ 2,8 milhões pela parte da W Trade, segundo documentos do 2º Ofício de Registro de Imóveis do Rio. A W Trade está registrada em nome de Ana Carolina e de Leonardo Diogenes Wigand Rodrigues, seu irmão. Ela tem 99% das cotas. Advogados da W Trade informaram à Folha de S. Paulo que a venda da parcela pertencente à empresa nas duas salas negociadas no centro comercial do Shopping Leblon para a Ailanto, de Sandro Rosell, foi “um negócio feito de forma legal” e declarado “num cartório de conhecimento público”.
Não é pouca coisa para um governo que ainda não começou. As denúncias, neste momento, retiram o véu do puritanismo apregoado pelo prefeito eleito, demonstra que os erros primários que agora ameaçam o seu mandato decorrem da falta de experiência de uma equipe que peca pela soberba e da atuação de um grupo de aliados que dispensa adversários.
Um mapeamento sobre os nomes citados como integrante da futura equipe administrativa já define os atores que estarão tomando conta da cidade mais importantes do Norte Fluminense e operando por meio de indicações estratégicas. Só que são tantos tropeços numa única caminhada, que o governo prometia ser novo ou diferente já nasce velho e com futuro incerto.