O Brasil mergulhado numa crise econômica, que teve uma presidente cassada pelo Congresso depois de vender ilusões;Temer demonstra que não poupará esforços
*Por João Vicente Alvarenga
O governo da Presidenta Dilma foi sinônimo da maior crise política dos tempos modernos de democracia no Brasil. O povo brasileiro, ao acompanhar o desdobramento das dificuldades políticas e econômicas por que passa o país, não só demonstra indignação, mas parece ter amadurecido, entender melhor a dinâmica do “economês”.
Os buracos negros da corrupção sugaram cifras astronômicas de uma empresa, que é um orgulho nacional, fonte geradora de riqueza, que deveria ser usada a favor de nosso povo, com políticas públicas adequadas às suas necessidades.
Sob a rubrica de desvios e propinas, esse rombo em nossa economia tão debilitada, cujos sinais já poderiam ser percebidos, numa inequívoca constatação de que a Política Econômica do primeiro governo da ex-presidente Dilma Rousseff estava propositadamente negligenciando dados da realidade – estatísticas, indicadores de que as coisas não iam tão bem, como ela queria fazer parecer. Numa tentativa desesperada de maquiar as contas e convencer os eleitores, cidadãos brasileiros, de que seu governo era bom e ela e nós merecíamos um repeteco.
As políticas econômica e monetária não conseguiam mais esconder que as coisas iam mal. E o que estava mal se tornou pior com os ingredientes da corrupção e do assalto aos cofres públicos que ninguém mais se preocupava em esconder. A céu aberto. Á luz do dia.
Recém-saídos de um período eleitoral (o PT e Dilma, 2014), tudo ficou escondido até as urnas revelarem a vitória de Dilma. A equipe econômica do governo e a presidenta agiram de má fé. Não jogaram limpo com a nação, menos ainda com os eleitores.
A Europa, mergulhada numa grave crise financeira, particularmente a Grécia, que poderia fragilizar e contaminar o restante dos países da Zona do Euro, arrastando-os para a crise também, o que contrastava com o paraíso que a presidenta Dilma desenhou para todos os brasileiros, ao longo de sua campanha eleitoral. Não era necessário tanto esforço para entender que alguma coisa estava errada. O erro estava em que preferiu fazer a opção pela fantasia, em lugar da realidade.
Uma falsa realidade foi vendida aos eleitores. Muitos a compraram e não tardou muito a que começasse a aparecer o azedume de um descontrole descomunal, gigantesco, que dificultaria, e muito, projetar uma saída, ainda que a longo prazo, para o embrolio em que nos meteram.
Em Economia, produção, consumo, arrecadação de impostos, exportação, importação, salário mínimo, custeio, inflação e previdência formam uma cadeia, cujos elos são indissociáveis, pois estão intimamente intrincados, impondo ao governo uma equação não tão fácil de resolver.
A previsão de inflação para 2016 atingiu altos índices, com base no IPC A, dado que esteve presnte no Projeto de Lei do Orçamento Anual (PLOA). Trata-se de um índice que alcançou o que estava estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional. Já o PIB, numa retração em torno dos 1,8%, e o salário mínimo que não passará dos R $ 865, 00.
Não são números fictícios, nem previsões pessimistas. São reais. Dilma já admite e reconhece que o país se metera numa séria e gigantesca crise. Um pouco, ou muito tarde. Só lhe restaria a saída pelos fundos pela constitucionalidade do impeachment.
Mas ela ainda teve a chance de enviar o Projeto de Lei do Orçamento Anual ao Presidente do Senado, Renan Calheiros. O Projeto foi considerado pelos parlamentares um projeto realista, honesto, sem máscaras e artifícios, o que não deixou de ser uma coisa positiva, em meio a tanto desgoverno, já que a Presidente, com essa atitude, vislumbrou a oporgunidade de conquistar a simpatia, não só de sua própria base aliada, mas também de seus ferozes opositores.
É mais, ela pôde criar um clima de confiança, que favoreceria o diálogo e negociação em cima de pontos controversos de seu PLOA. Dois pontos se destacaram no PLOA: o PIB deverá crescer apenas 0,2%; e a inflação de 4,5%, centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, atingirá esse percentual aceitável somente em 2017.
Em pouco mais de ano e meio, será possível montar um cenário favorável para que essa meta venha a ser uma realidade no horizonte da economia brasileira?
Certamente que sem ela no comando da Nação. Seus sucessor, Michel Temer tem demonstrado que não poupa nem poupará esforços no sentido de reverter as expectativas negativas que retratem o pleno crescimento da economia brasileira. Matérias importantes já passaram pelos dois turnos da Câmara dos Deputados. Outras estão na fila. Torcer para o mesmo desempenho.
*João Vicente Alvarenga Professor Mestre em Filosofia e escritor








