A economia brasileira segue patinando com desemprego e juros em alta, inflação crescente e um cenário de pandemia que, apesar de relativamente controlado no país, gera apreensão em meio ao rápido avanço da variante Ômicron mundo afora.
Neste cenário adverso, os brasileiros vão às compras em mais um final de ano atípico, mas o comércio não deve esperar uma alta expressiva nas vendas.
É o que avalia o economista Josilmar Cordenonssi, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em entrevista à agência Sputnik.
“A expectativa em comparação com o final do ano passado, é que se mantenha o nível de vendas, em termos reais. Eventualmente pode subir um pouquinho, cair um pouquinho, mas não acredito em um forte crescimento, não”, destaca.
Ainda que haja arrecadação em alta por parte dos governos em todos os níveis no exercício fiscal de 2021, o cenário não é bom para a população, porque o período de festas no Brasil está acompanhado de alto desemprego e inflação recorde.
Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no país atualmente figura em 12,6%, enquanto a inflação acumulada dos últimos 12 meses alcança 10,74%, o maior patamar desde 2003.
Pressão da pandemia
A pandemia continua sendo um fator relevante para a economia, porque pressiona os gastos do governo e esvazia lojas. Na avaliação de Cordenonssi, os setores de turismo, aviação comercial, hotelaria, bares e restaurantes são os mais impactados.
A situação econômica cria um “ambiente hostil” para negócios, influenciando diretamente a taxa de desemprego. O economista avalia que esse cenário pode mudar ao longo do ano que vem, mas dependerá dos rumos da eleição presidencial.
“Se você tiver esperança de que o futuro vai ser melhor, de que a gente vai para um caminho mais sustentável de crescimento, esse ânimo dos empresários pode mudar. Por enquanto, [os empresários] estão segurando, porque o custo de contratar um empregado e ter que demiti-lo logo em seguida é muito alto”, explica.
Há também uma fuga de investidores do Brasil, em decorrência da corrosão da credibilidade fiscal do país em função da aprovação da PEC dos Precatórios e o formato de financiamento do Auxílio Brasil, programa social que substituiu o Bolsa Família. Esse conjunto de fatores garante um prognóstico negativo.
Elevação da taxa Selic
No início do mês, o Banco Central (BC) elevou a taxa de juros para 9,25% e adiantou que o indicador deve subir ainda mais no ano que vem. Ao elevar a taxa de juros, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC salientou preocupações relacionadas ao “arcabouço fiscal do país”.
São sintomas de que a dívida pública vai começar a crescer, o que acelera a fuga de investidores e criam ambiente para os especuladores, travando o crescimento da economia.
“A expectativa dos investidores é que a dívida pública vai começar a crescer muito rapidamente, então estão fugindo do Brasil. Isso mantém o dólar muito alto, realimentando a inflação, e o Banco Central vai ter que subir ainda mais a taxa de juros. Então, a economia não vai ter como crescer. O crescimento da economia vai ser próximo de zero, ou até teremos uma recessão. Essa é a expectativa para 2022”, explica o economista.
Diante do cenário de volatilidade, o professor do Mackenzie aconselha que os consumidores procurem poupar dinheiro durante as compras de final de ano, uma vez que o prognóstico econômico para o próximo ano é incerto e, por ora, pessimista.
“O ano que vem é um ano de eleição, que geralmente traz muita volatilidade ao mercado. O desemprego é alto, então o risco de ser demitido é alto, tem que tomar certo cuidado. É melhor poupar do que gastar”, afirma Cordenonssi.








