Documentos obtidos por VIU ONLINE revelam que candidato do PMDB chegou a pedir cassação do mandato do atual aliado |
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Da redação
Em março de 2008, a Câmara Federal iniciou um procedimento para apurar denúncias de crime de evasão de divisas e existência de contas secretas no exterior contra um parlamentar acusado de possuir US$ 66 milhões em bancos situados em Miami e Nova Iorque, nos EUA.
O pedido protocolado sob o número 2008/105277 pedia a instauração de procedimento disciplinar previsto no Código de Ética da Casa, para verificação de quebra de decoro parlamentar. Quando um deputado é denunciado no Conselho de Ética, o que o denunciante almeja é um processo que leve a cassação do denunciado.
A contundência do documento contra que consta no arquivo da Câmara Federal e foi obtido com exclusividade pela reportagem do Portal VIU ONLINE impressiona, porque chega a descrever e mostrar extratos de contas com riqueza de detalhes. O processo, diga-se de passagem, está arquivado por falta de provas.
O parlamentar em questão, um ex-prefeito de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, estaria, segundo a denúncia, movimentando quantias supostamente desviadas dos cofres públicos em instituições como Private Bank, em Miami; Discount Bank And Trust Co., Bank of New York e no One Wall Street, também com sede em New York.
O episódio envolvia duas figuras notórias na cidade do Norte Fluminense: os parlamentares Geraldo Pudim, que na época estava filiado ao PR, e Arnaldo Vianna, que exercida mandato de deputado pelo PDT.
No documento Pudim acusa Vianna de ser o detentor das contas. Por ironia do destino, Geraldo Pudim e Arnaldo Vianna, hoje filiados ao PMDB, são aliados no pleito municipal e se dizem amigos de longa data, aliança que a chega a ser descrita nos círculos políticos como a mais imponderável na política local, porque o filho de Arnaldo Vianna, Caio Vianna, é candidato à prefeitura pelo PDT.
Geraldo Pudim foi um dos mais cruéis adversários do ex-prefeito Arnaldo Vianna. A virulência das acusações que estão num passado não muito distante chega a ultrapassar o campo da divergência política, porque tergiversou para a vida pessoal, alcançando até familiares do ex-prefeito. Com base nesta mesma denúncia, a mãe do ex-prefeito, Amélia Vianna, teve o nome citado em algumas reportagens sobre o assunto. O que chegou a ser dito foi que o nome de dona Amélia seria a senha de uma das contas. Mas outro dado que provoca estupefação é quanto a origem de tudo. O elemento de convicção apresentado por Geraldo Pudim foi uma denúncia anônima encaminhada pelo Ministério Público do Estado do Rio, um tipo de prova considerada frágil e rejeitada por entendimento pacífico no Supremo Tribunal Federal (STF).
Os ataques de Geraldo Pudim não ficaram restritos ao pedido de procedimento disciplinar contra o ex-adversário e agora companheiro. Elas foram reforçadas por discurso na tribuna com transmissão ao vivo pela TV Câmara e uma série de reportagens em um jornal local. As reportagens fazem parte do conjunto de provas apresentadas concomitantemente a Procuradoria Geral da União e ao então presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Marco Aurélio de Mello.
As denúncias colocaram Vianna diante de um cerco midiático alimentado pela judicialização das denúncias espalhadas aos quatro cantos. Foram episódios articulados que integravam um conjunto de fatos que serviram para minar a carreira política do ex-prefeito, que na eleição seguinte já não conseguiria se reeleger. Contudo, este ano Arnaldo aparece no programa eleitoral do PMDB pedindo votos para o seu acusador. Com uma expressão profundamente debilitada, ele afirma que o candidato Geraldo Pudim é o mais experiente para governar a cidade de Campos e cita o período em que governaram a cidade, respectivamente como prefeito e vice, como se tivessem convivido harmonicamente, quando, na verdade, foi um período conturbado, com disputas judicias, em que Pudim chegou a assumir o governo por 24 horas por meio de uma liminar obtida no Tribunal de Justiça do Estado.
A julgar pelo resultado das últimas pesquisas eleitorais, o enlace entre Arnaldo e Pudim não foi bem digerido, porque o candidato do PMDB patina com 4% das intenções de votos.








