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Mãe compartilha vídeos de bullying sofrido pela filha após menina tirar a própria vida

redacao Por redacao
02/09/2021 - 18:59
em Mundo
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Uma menina de 12 anos tirou a própria vida depois de meses de bullying. Segundo a mãe, a filha foi vítima de agressões online e físicas, inclusive estupro. Semina Halliwell morreu no dia 12 de junho. Segundo Rachel, ela estava traumatizada pelo abuso online e o crime sexual, supostamente cometido por um menino de idade semelhante, no dia em 25 de fevereiro.

Nas imagens divulgadas pela mãe (veja vídeo no fim da reportagem), é possível ver Semina sendo atacada fisicamente duas vezes em parques perto de sua casa em Southport, Merseyside, na Inglaterra, em abril deste ano.

As imagens chocantes compartilhadas por Rachel mostram sua filha sendo socada, chutada e arrastada pelo chão por um grupo de meninas. “Quero que todo o país veja o que minha filha passou. Eu não vou parar até que eu consiga justiça para meu bebê. Ela nunca será esquecida”, disse a mãe ao Liverpool Echo.

Ela disse que as pessoas continuaram a deixar mensagens de ódio nas redes sociais, mesmo depois do funeral de sua filha. Prints de tela no Snapchat mostram pessoas zombando de sua morte trágica e ameaçando destruir seu túmulo.

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A deputada trabalhista Apsana Begum levantou o caso de Semina em um comitê parlamentar no dia 23 de junho. Ela perguntou ao secretário de Educação, Gavin Williamson, o que mais pode ser feito para proteger as crianças contra o assédio e o abuso sexual.

“Eu queria destacar o caso de Semina, que tinha 12 anos, que revelou ter sido estuprada e cometer suicídio”, disse Apsana.

Agora, a mãe de Semina está criando uma instituição de caridade para aumentar a conscientização sobre o aliciamento e o bullying online. A Polícia de Merseyside confirmou que está investigando um relatório de estupro e outras alegações relacionadas à mesma suposta vítima.

“Continuamos investigando uma denúncia de estupro em Southport, em fevereiro deste ano, e uma série de alegações relacionadas à suposta vítima recebida antes e depois de sua trágica morte. Um relatório foi recebido em 23 de março de que uma menina de 12 anos foi estuprada em um endereço em Southport, em 25 de fevereiro.

Foi lançada uma investigação e um jovem compareceu voluntariamente a polícia para ser entrevistado. Investigações extensas estão em andamento sobre esta alegação e outros assuntos relacionados à suposta vítima, e seria inapropriado comentar mais neste estágio”, disse um porta-voz.

‘Pandemia de suicídios’

Ataques online continuaram mesmo após funeral da menina (Foto: Reprodução/Daily Mail)

Segundo a Organização Mundial da Saúde, no mundo, são cerca de 800 mil suicídios anuais — um suicídio a cada 40 segundos.

Para o pediatra Rubens Cat, professor da Universidade Federal do Paraná e chefe do Departamento de Pediatria do Hospital das Clínicas, em Curitiba (PR), está ocorrendo uma ‘epidemia de suicídio’ em adolescentes e adultos jovens em meio à pandemia de covid-19.

No mundo, de 25 a 30% são crianças e adolescentes”, alerta. “Quando comparado aos anos anteriores, o aumento de casos de suicídio entre crianças e principalmente adolescentes é muito evidente.

Um estudo americano com 19 mil adolescentes em 2020, evidenciou que 15,8% tiveram ideações suicidas — representando um aumento de 60% em relação a 2019 —, inclusive com aumento de 45% nas tentativas de suicídio.

Nos Estados Unidos, onde o suicídio é a segunda maior causa de morte nesta faixa etária, a chance de um adolescente cometer suicídio, chega a ser 30 vezes maior do que a chance de morrer de covid-19.

No Brasil, apesar de poucos estudos e estatísticas, estima-se que esta chance chega a ser 4 vezes maior”, observa o professor.

Segundo a psicanalista de crianças, adolescentes e mães, Mônica Pessanha, colunista da CRESCER, um dos grandes problemas na sociedade atual é a falta de diálogo.

“O diálogo não começa quando a gente senta com o adolescente e diz: ‘Você vai me ouvir, pois sei o que é melhor pra você’. O diálogo começa quando a gente senta para ouvir o que o outro tem a dizer”, alertou.

“A adolescência é uma fase de muita alteração de humor e, além das questões hormonais, tem ainda a questão emocional, que está diretamente relacionada a aceitação. Quando o adolescente chega em casa e sente que não foi ouvido, ele se desespera, pois acha que não é bom o suficiente para estar naquele ambiente”, diz.

Ela explica que na internet, esse sentimentos são potencializados. “Nas redes sociais, um like ou um comentário alimenta essa ideia de aceitação. No entanto, eles não têm estrutura psíquica para lidar com as críticas, pois estão em uma fase de passagem, em que precisam se sentir aceitos e amados do que jeito que são para conseguir passar para vida adulta com responsabilidade.

Então, o principal medo é de não ser como o outro quer que eles sejam. Se um like faz bem para a autoestima, os deslikes ou palavras de ódio vão fazer esse adolescente pensar que não tem que estar nesse mundo, que é uma grande vergonha ele ser quem é, pois não tem a aceitação do outro. Para eles, é impossível viver em um mundo onde não são aceitos”, explica.

Semina Halliwell, 12 anos, morreu em junho deste ano. Segundo a mãe, a menina enfrentou meses de agressões físicas, online e estupro
Semina cometeu suicídio após meses de bullying, diz mãe (Foto: Reprodução/Daily Mail)

“Infelizmente, hoje, nas redes sociais, o que sai da gente é muita violência. Os comentários são violentos, pois aprendemos desde cedo que a violência funciona. Mas é preciso muito cuidado, pois essa violência tem matado e trazido os adolescentes para um lugar de muita tristeza. Eles querem ser aceitos e as redes sociais vieram para mostrar se somos ou não aceitos, mas nessa fase da vida é muito difícil sustentar esse lugar da não aceitação”, alertou.

Em entrevista à CRESCER, Robert Paris, presidente do Centro de Valorização da Vida (CVV), que atua há mais de 55 anos na prevenção desse tipo de morte, afirma que a maioria dos casos de suicídio poderia ser evitado e, por isso, desde cedo, é preciso ensinar as crianças a desenvolver uma percepção aguçada sobre seus próprios sentimentos.

Só assim é possível encontrar alternativas para lidar com a angústia e o sofrimento. “Não temos números oficiais, mas recebemos ligações de crianças de 10 a 14 anos”, diz.

“Às vezes, os pais pedem para falarmos com elas. Muitas vezes, os filhos não se sentem bem e os pais não sabem bem como abordá-los. Quando a criança tem dor de garganta ou no joelho, é levada para um pediatra ou ortopedista. Porém, ao desconfiar de um abalo emocional, há muito mais dificuldade de se tratar e os pais acham que, perguntando, podem piorar o problema.

Isso não é verdade. Se não falamos dos sentimentos, não damos chance para o jovem mergulhar na própria dor e aprender alguma coisa com isso. Hoje o CVV tem um serviço de chat, especial para jovens, já que eles digitam mais do que falam. Mais de 70% das pessoas que nos procuram por ali são jovens. 50% deles falam abertamente em alguma ideação suicida”, disse.

As informações são da Crescer.

Tags: #Bullying#Suicídios
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