Adversário da família Garotinho em Campos (RJ), Caio Vianna (PDT), só não se elegeu prefeito da maior cidade do Norte Fluminense por pouco mais de 10 mil votos.
Essa foi a pequena distância que o separou de Wladimir Garotinho (PSD), filho dos ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho (Patriota), na disputa do 2º turno do ano passado, o que provocou momentos de tensão para o notável clã familiar.
Agora, Caio Vianna é candidato a deputado Federal e segundo avaliação do ex-prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (pré-candidato ao governo do Estado pelo PDT), deverá ser um dos deputados mais votados da legenda no próximo ano.
A avaliação de Neves se fundamenta na percepção óbvia: Caio é o antigarotismo em Campos. Terá uma boa votação na cidade e ampliou sua base eleitoral para Cabo Frio, Niterói e outros núcleos da região Metropolitana do Rio.
FATORES FAVORÁVEIS EM CAMPOS
1 – Antigarotismo – A família Garotinho sempre sobreviveu com teto de 30% dos votos em Campos. Não consegue fazer uma disrupção. Isso explica a razão de Anthony Garotinho ter perdido duas eleições para o governo do Estado dentro de casa, mesmo tendo a máquina da prefeitura. Caio é filho do ex-prefeito Arnaldo Vianna, adversário do antigarotismo e faz um discurso de oposição. Portanto, surfa no eleitor que não gosta do clã familiar.
2 – Eleitor decepcionado – Está capitalizando o voto de decepção de eleitores do próprio Wladimir. Caio será o voto da vingança contra o governo local. Em pouco mais de seis meses de administração, o governo Wladimir Garotinho é um fracasso. Ele tem maioria de apenas 1 voto na Câmara, perdeu o apoio da pequena burguesia local e perdeu também na periferia.
3 – Percepção de corrupção – Nas ruas é forte a percepção de que o governo está envolto em negócios não republicanos. É o caso, por exemplo, de uma adesão de ata a uma licitação pública de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O tema controverso será objeto de uma Ação Popular.
TEMPOS SOMBRIOS
Wladimir venceu a eleição no 2º turno, diante de um antigarotismo pulsante. Se beneficiou da grande quantidade de eleitores que deixaram de comparecer às urnas.
Contabilizou, com isso, uma vitória eleitoral com uma retumbante derrota política. Governa uma cidade em que 70% dos eleitores se negaram a votar nele, ainda que tenha feito uma campanha explorando apenas o mandato parlamentar, e se distanciando dos pais na maior parte da disputa.
ELEIÇÃO DE 2020/2º TURNO EM CAMPOS
Wladimir Garotinho (PSD) – 121 mil
Caio Vianna (PDT) – 110 mil
Deixaram de votar – 140 mil eleitores
Total de Eleitores – 361 mil votos
Fonte: TSE
DESGASTE POLÍTICO
Com pouco mais de seis meses governando, Wladimir Garotinho é um fracasso administrativo e não é por falta de dinheiro em caixa. A arrecadação do município não para de crescer.
A cidade deve atingir uma arrecadação de R$ 2.200 bi em 2022 e neste exercício financeiro de 2021 poderá chegar bem próximo aos R$ 2 bilhões.
Só que o município padece de governança. Não tem transporte público, a miséria extrema atinge 40 mil pessoas, mais de 100 mil pessoas estão dependuradas no Auxílio Emergencial do Governo Federal, enquanto que a máquina pública ampara 1.700 cabos eleitorais em cargos comissionados, fora os RPAs.
Até mesmo na organização da vacinação contra a covid-19, a situação é de descalabro.
“Eu quero saber onde estão os 114 técnicos que o prefeito falou que estavam estudando os problemas da cidade para encontrar soluções. Nem mesmo a vacinação contra a covid-19 o governo consegue organizar. As pessoas estão enfrentando filas numerosas nos postos de vacinação”, criticou Caio Vianna na última quinta-feira (15), ao acompanhar Rodrigo Neves em visita à Campos.
O sintoma do que poderá acontecer em 2022 se deu nesta agenda política de quinta-feira. Rodrigo Neves e Caio Vianna reuniram dezenas de representantes do setor produtivo na Câmara dos Dirigentes Lojistas, onde foram saudados com tapete vermelho.
Depois participaram de uma reunião na sede do PDT onde faltava espaço para aglomerar um grande número de pessoas. O espaço estava lotado e o tom foi de críticas ao garotismo.
Isso sinaliza que em 2022, o candidato na cidade de Campos que bater firme no governo local vai encontrar um caminho fértil neste deserto de fracassos e misérias, enquanto que para manter votos, o garotismo só tem a máquina pública.
O governo terá que usar e abusar dos fundos públicos municipais em ano eleitoral, só que em tempos recentes, todo mundo viu no que deu: busca e apreensões, prisões, condenações e um exército de cabos eleitorais com tornozeleiras eletrônicas.








