Prefeitura do Rio inaugura Policlínica dos Bombeiros com obras inacabadas e pacientes ficam sem atendimento |
Por Claudia Freitas
A nova Policlínica do Corpo de Bombeiros no Campinho, na Zona Norte do Rio de Janeiro, inaugurada há 46 dias, está de portas fechadas e não realizou nenhum atendimento até o momento. A unidade médica militar foi construída pela Prefeitura em substituição à antiga Policlínica da corporação, desativada para obras dos Jogos Olímpicos na região. No entanto, a nova estrutura não teve as suas obras finalizadas e está inabilitada ao funcionamento por falta de instalações elétricas, não possui alvará e o aparelho de Raio X não cabe na sala destinada à realização do exame, entre outras deficiências.
Na imagem acima: Cerimônia de inauguração da Policlínica dos Bombeiros, em Campinho, na Zona Norte do Rio de Janeiro (Foto/Divulgação)
A denúncia foi feita por usuários da antiga Policlínica que ficaram órfãos das consultas especializadas e tiveram os seus tratamentos interrompidos. Revoltados com a situação, eles contam que os médicos foram transferidos para outras unidades médicas da corporação no município do Rio e Região Metropolitana, mas nem a Central de Atendimento dos Bombeiros sabe informar os locais onde aos especialistas estão clinicando. Os denunciantes pediram para não serem identificados na reportagem, por temer punições.
As novas instalações foram inauguradas no dia 31 de maio pelo então secretário Executivo do Governo municipal, Pedro Paulo Carvalho (PMDB), no seu último dia de gestão na pasta. A cerimônia foi marcada pela entrega de placa de homenagem pelo comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Rio (CBMERJ), coronel Ronaldo Alcântara, ao ex-secretário Pedro Paulo, atualmente afastado do cargo para disputar a sucessão municipal. No seu discurso, Pedro Paulo enfatizou as melhorias feitas pelas obras idealizadas pela Prefeitura, incluindo o novo ambiente para realização de Raios X e ultrassonografia. O custo total da construção da Policlínica foi de R$ 4.426.143,01, de acordo com o portal do Governo.
A policlínica foi inaugurada pelo ex-secretário Executivo do Governo municipal, Pedro Paulo Carvalho (PMDB), no seu último dia de gestão. Denunciantes afirmam que falta alvará, instalações elétricas e equipamento não cabe na sala de exame
Segundo os pacientes da antiga Policlínica, o atendimento médico era o melhor possível e os tratamentos seguiam uma regularidade que foi interrompida. Eles temem não conseguir acompanhamento médico em outras unidades da corporação, que já estão sobrecarregadas.
“O meu pai estava se tratando por causa de um glaucoma e oftalmologista foi transferido para não sei onde. Já liguei para a Central de Atendimento e eles não sabem dizer para qual clínica ou hospital ele foi transferido. Com isso, os exames do meu pai estão prontos e aguardando por uma avaliação e prescrição de medicamentos. O tempo está correndo e daqui a pouco os exames estarão vencidos. E o estado de saúde dele pode piorar”, conta um bombeiro.
Uma fonte ligada ao Corpo de Bombeiros conta afirma as transferências dos médicos tiveram início logo após a inauguração e a policlínica nunca teve permissão para funcionar, uma vez que a licença de alvará ainda não foi emitida. Além disso, a fonte confirma que as instalações elétricas não foram feitas e algumas reformas serão necessárias, como a do setor de Raios X, que não foi projetada para receber o equipamento.
“Faltou planejamento, respeito aos profissionais que estão sendo transferidos dos seus postos de trabalho para lugares distantes e, principalmente, cuidado com os pacientes que tiveram que parar seus tratamentos e nem uma orientação adequada estão recebendo”, avalia a fonte.
O major do Corpo de Bombeiros e vereador Marcio Garcia (REDE) critica a postura da Prefeitura na entrega de mais um legado olímpico “questionável”, como vem acontecendo com muitas outras obras no Rio tendo em vista a Olimpíada.
“Os bombeiros tiveram a Policlínica do Campinho destruída para intervenções ligadas aos Jogos Olímpicos e de prêmio receberam uma estrutura inacabada, inaugurada às pressas para dar mérito ao candidato do partido do prefeito”, critica o parlamentar.
Garcia acredita que a entrega da Policlínica teve motivação exclusivamente política, mas que a categoria já tem “maturidade de sobra” para rechaçar este tipo de “manobra eleitoreira ultrapassada e baixa”.
“O maior absurdo que eu observo é o comandante da corporação [se referindo ao coronel Ronaldo Alcântara], que sempre foi um crítico ferrenho ao comportamento mesquinho de certos políticos, permitir que o Corpo de Bombeiros e a imagem do secretário de Defesa Civil sejam usados com esta finalidade”, acrescenta o vereador.
Ao tomar conhecimento das denúncias, o vereador Paulo Pinheiro (PSOL) disse que o seu gabinete vai emitir à Casa Civil do Executivo municipal requerimento com pedido de informações envolvendo a construção da Policlínica dos Bombeiros. O parlamentar também quer buscar explicações junto ao Corpo de Bombeiros sobre os motivos da unidade médica ainda não estar funcionando, já que foi inaugurada em maio.
“O Corpo de Bombeiros precisa reclamar [com as autoridades competentes] se a Policlínica realmente não está funcionando por causa de obras inacabadas. Estranha esta situação, temos que investigar estas denúncias e entender o que está acontecendo em torno deste investimento”, considerou o vereador.
A inauguração da Policlínica com as obras inacabadas foi alvo de crítica do vereador Babá (PSOL), que também recebeu as denúncias. “Vem sendo frequentes as ações eleitoreiras e de fachada do PMDB, várias delas denunciadas como crime eleitoral pela fiscalização do TER [Tribunal Eleitoral Regional]. Fazem publicidade até do que não existe”, disse o parlamentar.
O Portal VIU ONLINE entrou em contato com a Prefeitura do Rio e com o Corpo de Bombeiros para buscar esclarecimentos dos fatos apurados. Até o fechamento desta reportagem os órgãos não deram retorno às nossas ligações e e-mails.








