Um homem acusou de furto de celular uma família com integrantes negros que pedalava no Parque Ibirapuera no início da tarde de sexta-feira (9), na Zona Sul de São Paulo. Após o início de um bate-boca que envolveu a presença de seguranças do parque, frequentadores do local que viram a cena acusaram o homem de racismo. O G1 presenciou parte da discussão.
O caso foi registrado na Polícia Civil como difamação e injúria e será investigado.
Genilson de Oliveira, de 38 anos, contou ao G1 que estava pedalando um triciclo com sua esposa enquanto os dois filhos pedalavam bicicletas que a família alugou no parque, quando perceberam que estavam sendo filmados por um homem. Em seguida, ainda segundo Genilson, esse homem passou a acusá-los de ladrões, gritando.
Guardas do parque compareceram ao local, na ciclovia, diante de um restaurante. Durante a discussão, frequentadores do restaurante se manifestaram aos gritos dizendo ter presenciado as acusações direcionadas à família. Algumas pessoas gritaram que a atitude era racista.
“Tinham várias pessoas ali. Por que ele apontou para nós? Só porque a gente era os únicos negros que estavam do lado do restaurante, eu acho? (…) Chegar para alguém e apontar você como ladrão é a coisa mais feia. Qual vai ser o psicológico dos meus filhos hoje? Em ir para um lugar, se privar de sair com medo de acontecer isso em outros lugares? (…) Minha esposa está aos prantos”, afirmou Genilson ao G1 por mensagem após registrar o boletim.
Genilson é negro, sua companheira é branca, e os filhos deles, de 14 e 18 anos, pardos.
O homem que fez a acusação, o influencer Felipe Teobaldo, de 34 anos, que tem cerca de 20 mil seguidores no Instagram, disse em depoimento que estava no parque quando ouviu um barulho e teve a sensação de se tratar de um furto de celular.
Pouco depois, disse que viu um casal pedalando um triciclo, e que os viu recebendo um celular que lhes foi passado por um ciclista. Depois, o casal recebeu outro celular de um ciclista. Pouco mais à frente, disse que o casal recebeu uma carteira. Felipe diz que então ultrapassou o casal e, observando os dois, percebeu nova entrega de objeto. “Viu uma pessoa sair de perto dessas pessoas com um volume”, diz o registro.
Segundo o boletim de ocorrência, a família relatou que Genilson deu seu celular pessoal a um dos filhos, para o caso de se perderem no parque. A esposa passou o celular corporativo de Genilson para o outro filho filmar o passeio.
Um pouco mais à frente, a família encontrou um grupo de pessoas fazendo promoção de um aplicativo e entregando bonés. O casal ganhou os bonés e um pouco adiante, reencontrou os filhos, que devolveram os celulares. Um dos meninos também entregou sua carteira ao pai.
Teobaldo, então, chegou gravando e os chamando de “ladrões” e dizendo que estavam roubando desde lá de cima”, segundo a família. Genilson disse que não estava roubando e que abriria as bolsas na presença da polícia.
A Guarda Civil Metropolitana (GCM) foi acionada e as bolsas foram abertas em meio aos frequentadores do parque, onde os guardas apenas encontraram alimentos, celulares e documentos pessoais.
Os dois guardas municipais também compareceram à delegacia, um como condutor e outro como testemunha. O condutor afirma que a família abriu as mochilas de imediato em sua chegada e que nada suspeito foi encontrado. “O GCM condutor informa que não teve nenhuma notícia de furto no parque no dia de hoje”, diz o boletim ocorrência.
Depois, Teobaldo afirmou ao G1 e aos policiais que tropeçou em uma pessoa enquanto filmava o casal, falou para ela sobre sua suspeita e, então, foi interpelado por Genilson e sua companheira. Felipe disse que daí em diante foi questionado e acusado de racismo pelo casal e por outros frequentadores do parque.
Ele diz que estava fazendo um registro para mostrar para os seguranças do parque. Em meio à discussão, ele afirmou a todos que tinha “tudo gravado”.
Ele foi orientado a enviar o vídeo que fez à polícia e se recusou a mostrar o conteúdo ao G1. Seus advogados informaram por mensagem que o vídeo é “pouco conclusivo”.
Teobaldo disse ao G1 que sua acusação não foi motivada pelo “tom de pele”, e que viu mais gente com a família. “Havia mais pessoas. Inclusive, dentro do grupo de pessoas que estavam com eles, algumas não foram, não seguiram para a delegacia também”, afirmou.
“O que eu vi foi algo que eu não acho que eu vi errado. Eu vi um triciclo parar, e receber vários celulares em momentos diferentes, e achei que aquilo podia ser alguma coisa, eu queria avisar a guarda”, disse Felipe.
As informações são do G1.








