Gravações de áudios divulgadas em três reportagens do Portal UOL apontam o envolvimento direto do presidente Jair Bolsonaro com o caso da apropriação de parte dos salários de assessores parlamentares, também denominadas de rachadinhas.
Uma das reportagens também conseguiu áudios da mulher e filha de Fabrício Queiroz, o notório chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). No áudio, elas chamam Bolsonaro de 01.
ENTENDA O CASO
O caso de Bolsonaro nas rachacinhas se deu no período em que ele era deputado federal. Em um dos áudios, a fisiculturista Andrea Siqueira Valle, ex-cunhada do presidente, detalha o funcionamento do esquema.
“O André [Siqueira Valle, irmão de Andrea] deu muito problema porque ele nunca devolveu o dinheiro certo que tinha que ser devolvido, entendeu? Tinha que devolver R$ 6 mil, ele devolvia R$ 2 mil, R$ 3 mil. Foi um tempão assim, até que Jair [Bolsonaro] pegou e falou: ‘Chega. Pode tirar ele, porque ele nunca me devolve o dinheiro certo’”, diz a ex-cunhada do presidente em um dos áudios.
Esta é a primeira vez que o nome de Bolsonaro aparece diretamente ligado a um tipo de esquema, que também teria sido operado pelo seu filho, Flávio Bolsonaro (Patriota), no período em que foi deputado na Alerj.
Andrea foi a primeira de uma lista de 18 parentes da segunda esposa do presidente, Cristina Siqueira Valle, que foram nomeados em um dos três gabinetes da família Bolsonaro (Jair, Carlos e Flávio), no período entre 1998 e 2018.
ESPOSA E FILHA DE QUEIROZ
Já o áudio de Márcia Aguiar e Nathália Queiroz, respectivamente mulher e filha de Fabrício Queiroz, se deu no período em que o Ministério Público já investigava o possível esquema de rachadinha no gabinete de Flávio Bolsonaro.
Nathália afirma para a madrasta que Queiroz é “burro” por continuar fazendo as articulações.
“É chato, também concordo. É que ainda não caiu a ficha dele que agora, voltar para a política, voltar para o que ele fazia, esquece. Bota anos para ele voltar. Até porque, o 01, o Jair, não vai deixar. Tá entendendo? Não pelo Flávio, mas enfim, não caiu essa ficha não. Fazer o quê? Eu tenho que estar ao lado dele”, diz Márcia em um dos áudios.
A terceira reportagem descreve que o recolhimento de salários não era uma tarefa exclusiva de Fabrício Queiroz.
A ex-cunhada do presidente diz que um coronel da reserva do Exército, ex-colega do presidente na Aman (Academia Militar das Agulhas Negras), atuou no recolhimento de salários para Jair Bolsonaro, no período em que ela constava como assessora do antigo gabinete de Flávio na Alerj.
O advogado Frederick Wassef, que representa defende Bolsonaro, negou a existência de ilegalidades e atribuiu a reportagem a uma antecipação da campanha eleitoral de 2022.








