As revelações sobre corrupção no governo e o consequente agravamento da crise política no país estão corroendo a popularidade e a base política do presidente Jair Bolsonaro.
O movimento pró-impeachment, que inicialmente era encarado como quimera, já é assimilado como possibilidade por partidos do Centrão.
Um dos que já avaliam esta conjuntura decadente é o presidente do PSD, Gilberto Kassab, um dos próceres do Centrão no Congresso, cujos movimentos já demonstram um desembarque do bolsonarismo.
“Não se pode banalizar o impeachment, é preciso ter cuidado. A base governista é grande e não pode ser menosprezada também. Mas quando é inevitável, é inevitável”, afirmou Kassab em entrevista à Folha de São Paulo, ressalvando que ainda não vê a situação neste estágio.
A sequência de acusações de negociatas envolvendo compra de vacinas contra Covid-19 no Ministério da Saúde está elevando a temperatura no ambiente político e provocando um derretimento na popularidade de Bolsonaro.
“Há mais circunstâncias para a defesa [do processo de impeachment]. Seja como for, vejo uma dificuldade muito grande de ele se reeleger”, disse Kassab em reportagem da Folha.
“A marca de Bolsonaro é a postura na pandemia. Na hora em que não usa máscara, em que tira a máscara da menina [episódio em palanque na semana passada], dá a impressão de que não tem sentimento. Imagina a pessoa que perdeu um parente vendo aquilo. Gera um descontentamento”, avaliou.
A crise econômica, social e a volta de protestos de rua são complicadores, porque são fatores usualmente essenciais na equação dos impedimentos presidenciais.
Os golpes mais duros contra o Planalto saíram a partir da CPI da Covid, que ouviu citação ao líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR).
Isso abriu a porta para novas revelações, como a acusação de um empresário de que houve pedido de propina numa tratativa sobre imunizantes, revelada pelo jornal Folha de S.Paulo.
A reação de Bolsonaro tem sido defensiva, alternando contradições de versões a acusações contra senadores da CPI e a imprensa.








